❛- A lua está linda hoje
- Mas hoje é lua nova, Mike, o que isso quer dizer?
- Nada, Morg. ❛
Morgan Carter se sentia um tanto quanto perdida por conta de sua nova estadia em Hawkins. A menina que costumava morar em Paris, sofreu constantemente por c...
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AS MANCHETES VOAVAM PELOS ARES. O muro de Berlim tinha tombado. A União Soviética estava fadada ao fracasso. Os programas seriam punidos, ou ao menos, sem o financiamento, acabados. Era como poder respirar um ar limpo novamente, como sair de um lugar abafado e inalar a pureza de ares novos.
Além do furo em relação a queda do muro, bombardeios ao governo eram o que todos os jornais falavam, e, os nomes Nancy Wheeler e Murray Bauman não ficavam de fora deles. Martin Brenner, Henry Withe, Kay, entre tantos outros nomes e um caderno. Caderno que um dia havia sido encontrado no Mundo Invertido. Um caderno com provas suficientes para derrubar todo o projeto. Tudo.
Tudo explicava cada experimento, cada vida fragilizada, cada alma punida por uma maldição que nunca havia sido delas. As dívidas eram imensas, os nomes infinitos, tudo exposto. Para o mundo.
Famílias seriam poupadas, o governo punido. Eles tinham conseguido. Murray tinha conseguido. Nancy tinha conseguido. O ciclo estava encerrado. Era finalmente seguro.
Assim, enquanto andavam por uma cidade quase deserta, entre os ventos que levantavam um dos jornais, a mesma Morgan Carter que um dia foi dita como morta, esticava seus braços para poder ler o que tanto circulava pelas páginas que voavam pelos arredores.
- Acabou. - Ela murmurou com as mãos trêmulas enquanto esticava as folhas para Eleven.
- Acabou. - A outra menina repetiu ao ler o jornal.
Seus olhos ardiam. Elas quase arfavam em sincronia, mas, dessa vez, em alívio, afinal a fuga não era mais necessária. As meninas trocaram um sorriso choroso. Trocaram olhares felizes de verdade. Então, dando um passo a frente, Morgan abraçou Eleven.
Era como se todo os esforços tivessem sido suficientes, como se tudo tivesse valido a pena. Elas não se soltaram. O calor do corpo de uma aquecendo a outra e provando que aquilo era real. Agora de fato tudo tinha acabado.
As memórias de 1987 invadiram a cabeça de Morgan, e, palavras nunca seriam suficientes para agradecer Kali, a qual um dia, ela odiou com o mais puro ódio existente. Contudo, agora, gratidão e um sentimento de culpa por não ter valorizado Kali, a preenchiam, lutando para ver qual vencia aquela batalha interior.
Morgan se lembrava como se tivesse sido ontem, as palavras ecoando em sua cabeça quase como uma fita em repeat — ou um disco riscado.
(...)
Novembro, 1987.
- A minha história sempre teve que acabar aqui mesmo. - Falava Kali. - Mas a de vocês não.
Com um solavanco, a mesma Kali que sangrava no chão, sumiu. Sumiu como uma névoa. Logo atrás de El e Morg, a verdadeira irmã de Eleven avançava na direção delas, um sorriso de aceitação esboçado no rosto. Um sorriso de solução.