Sexta-feira. O relógio digital na parede da sala presidencial marcava 19h47 quando o último raio de sol se escondia atrás dos arranha-céus de vidro do centro financeiro de Seul, tingindo o céu de um laranja queimado que logo seria engolido pelo azul-escuro da noite.
Do andar mais alto da empresa, a vista era de tirar o fôlego milhões de luzes já começavam a piscar na cidade abaixo, um oceano de neon e concreto que nunca dormia.
Mas Jungkook não estava olhando pela janela.
Ele estava sentado na cadeira de couro preto, costas perfeitamente eretas, olhos fixos no tablet que segurava com uma das mãos. A outra batia um ritmo seco, impaciente, contra a mesa de mogno polido tac, tac, tac como um relógio bombástico contando os segundos até a explosão.
O silêncio da sala era pesado, quase sólido, quebrado apenas por aquele som e pela respiração controlada do homem parado do outro lado da mesa.
— Você chama isso de relatório? — A voz de Jungkook era baixa, gelada, cada palavra afiada como lâmina de barbear recém-tirada do pacote. — Três erros conceituais na primeira página. Três.
Ele levantou o olhar pela primeira vez, e os olhos escuros quase negros na penumbra do escritório fixaram-se no secretário com uma intensidade que fazia o ar parecer rarefeito.
— Eu poderia ter um estagiário de segundo semestre fazendo melhor que isso, Park.
O secretário, um beta de vinte e seis anos chamado Minjun, mantinha os ombros rígidos, olhos fixos no chão de mármore italiano polido até espelhar a luz fraca das luminárias. Suas mãos trêmulas seguravam uma pasta de couro marrom que parecia pesar toneladas.
Era o quarto assistente em menos de cinco semanas.
Ninguém durava. Ninguém aguentava a temperatura de Jeon Jungkook, o alfa mais jovem a comandar um império bilionário do país e, segundo os rumores que corriam nos corredores da empresa, o mais impiedoso.
Aos vinte e quatro anos, ele já havia demitido mais executivos do que a maioria dos CEOs demitia em uma vida inteira. E não era por crueldade, diziam os que o conheciam de verdade. Era por exigência. Jungkook não tolerava imperfeição nem nos outros, nem em si mesmo.
— Desculpe, senhor Jeon. — A voz de Minjun saiu mais fina do que ele gostaria, falhando no final. Ele engoliu em seco, tentando novamente. — Eu reviso agora mesmo e entrego em uma hora. Prometo que vai estar perfeito.
Jungkook nem levantou o olhar do tablet. Seus dedos deslizaram pela tela, passando para a segunda página do relatório que já sabia estar cheio de falhas.
— Não quero em uma hora. — A voz era monocórdica, sem inflexão. — Quero perfeito. Se não consegue entregar algo decente depois de três dias de trabalho, talvez devesse repensar sua carreira. — Uma pausa. O som dos dedos contra a madeira parou, e o silêncio que se seguiu foi pior que qualquer grito. — Saia.
Minjun fez uma reverência curta, quase desajeitada, o corpo inclinando-se para a frente em um ângulo exato que denotava respeito e medo em partes iguais. Virou-se e saiu da sala com passos apressados, as solas dos sapatos de couro batendo contra o mármore em uma cadência que soava quase como fuga.
Assim que a porta pesada de carvalho maciço se fechou atrás dele com um baque surdo, o som abafado de um soluço escapou pelo corredor. Jungkook ouviu mesmo através da madeira de quinze centímetros de espessura ouviu, e sentiu algo estranho no peito. Não era culpa, exatamente. Culpa seria reconhecer que tinha errado, e ele não tinha.
O relatório era uma porcaria. Mas havia algo ali, uma pontada mais próxima de cansaço, de desgaste, de estou cansado de ser essa pessoa.
Ele soltou o ar com força, recostando-se na cadeira que custava mais que o salário anual da maioria das pessoas na Coreia do Sul. A pressão nas têmporas latejava, insistente, como um tambor distante anunciando uma batalha que nunca terminava. Outro assistente chorando. Outro que provavelmente pediria demissão até segunda-feira de manhã, se tivesse coragem de voltar ao prédio.
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Suddenly father
RomanceCONCLUIDA▪︎ Jeon Jungkook CEO de uma das maiores empresas da coreia do Sul. O alfa não se importava muito em fomar sua própria familia, gostava de ser o tio legal de sua afilhada filha de seu irmão. Mas também se fosse o caro queria sim uma família...
