Julia abriu a porta, e Luca estava parado segurando dois alto-falantes que imitavam fones de ouvido gigantes da Apple acima da cabeça, ligados ao seu telefone no bolso do casaco. De camiseta branca, calça jeans preta, e o sobretudo gigante com as mangas arregaçadas. Onde ele tinha arranjado um sobretudo marrom gigante, ela não sabia, mas lá estava ele, tal qual Lloyd Dobler. Quando a música começou a tocar, ela não esperava nada menos:
"Love I get so lost, sometimes
Days pass and this emptiness fills my heart
When I want to run away
I drive off in my car
But whichever way I go
I come back to the place you are
All my instincts, they return
And the grand facade, so soon will burn
Without a noise, without my pride
I reach out from the inside"
- Bela performance. Não é exatamente um John Cusack de 89, mas tá valendo. E se você queria exatidão, a música no caso deveria ser "Bad Reputation", não Peter Gabriel.
- Eu a deu meu coração, e ela me deu uma caneta. Quer dizer, uma crítica.
- Luca, isso tudo é uma graça, e ter alguém imitando um filme dos anos 80 pra mim já pode ser riscado da minha lista de coisas pra fazer antes de morrer. Mas o que você quer? E entra, não fica aí fora pra sempre. - ele entrou e sentou em uma das cadeiras da sala. Ela sentou no sofá e perguntou novamente. - Então, o que você quer?
- Você.
- Eu. - ele fez sim com a cabeça. - E o que você acha que tá ganhando aqui, sério? Eu não sou uma Manic Pixie Dream Girl, Luca. Eu sou, no máximo, a Clementine do seu Jim Carrey, e quem que lembra o nome dele no filme. Eu não vou te salvar, eu sou tão fodida quanto você.
- Eu sei. Por isso dá certo. A gente vê o mundo igual. A gente tem o mesmo cinismo. E ao mesmo tempo, a fé que as coisas vão melhorar. E sabe o que eu fiz essa semana? Mandei uma porrada de currículos por aí, mas só pra lugares que eu realmente queria trabalhar. Já tenho umas duas entrevistas, até. Da última vez que a gente se viu, eu tinha acabado de dizer pra Ceci tudo que eu sempre quis dizer e ela foi super ok com tudo. Daí fez uma cena porque ela é assim, mas o que importa é que eu encerrei isso. Você abriu meus olhos de um jeito, Ju, de que a vida podia ser melhor, que eu nunca vou esquecer.
- Não precisa dever a vida pra mim nem nada. - ela disse, tentando segurar a emoção depois de ouvir tudo aquilo. Ele riu.
- Eu sei. Muito hora nessa calma com isso de dever a vida. Já aprendi isso também. Mas eu melhorei, muito, por sua causa. Quero você do meu lado, Julia. Eu não tava exagerando. Eu disse a verdade. Eu amo você, baby.
- Então você não tá com a Ceci?
- Estar com a Ceci? Ela até saiu da minha casa depois da conversa.
- E agora, Luca, o que você quer que eu faça?
- Seja feliz, comigo.
- Até a próxima crise de depressão de um dos dois. Sabe, pra que tentar? Isso já foi mais rápido e intenso e cheio de treta do que deveria. Pra quê?
- Julia, talvez eu tenha uma crise de depressão e passe uma semana sem querer viver, e eu sei que você pode passar pelo mesmo. E eu sei que a gente se ajuda. E é isso que importa. Foi rápido e intenso e cheio de treta, mas foi nosso. O tempo foi na nossa velocidade, e tá ótimo.
Julia levantou do sofá. Ficou de frente para Luca, sentado na cadeira, olhando para cima. Ele a abraçou, e ela acariciou o rosto dele. Ela se inclinou e beijou seu rosto levemente, e foi caminhando os beijos até a boca dele. Luca levantou da cadeira e levou Julia junto, enquanto a beijava caminhando com ela para o quarto.
Já deitada ao lado dele, com o casaco e camiseta dele no chão, e o vestido dela sendo lançado pra mesma pilha, ela respirou fundo e sorriu para Luca, acariciando seu rosto, antes de voltar a beijá-lo.
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How To Fight Loneliness
RandomA primeira coisa que você quer vai ser a última coisa que você precisa. Trilha sonora: https://open.spotify.com/user/tatihc/playlist/2muj15JD4A6cGFwXAiS05o Board: https://br.pinterest.com/tatihc/how-to-fight-loneliness-inspira%C3%A7%C3%A3o/
