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Julia abriu os olhos e o quarto já estava claro com a luz que entrava pelo banheiro. Ela continuava debaixo do braço de Luca, e se virou cuidadosamente de frente para ele, só para encontrá-lo já acordado.

- Olar - ele disse sorrindo. Com a cara amassada de sono, ele ficava mais lindo.

- Olar. Tá acordado já?

- Eu durmo pouco, sempre. Acho que é um costume que você pega com o tempo virando noites trabalhando.

- Você não curte muito o seu trampo, né?

- É muito cedo pra reclamar da vida. Mas imagine pequeno Luquinha, todo sorridente e feliz. Você acha que o que ele queria pra vida era fazer as partes desenhadas dos anúncios? Claro que não. Ele queria ser o Han Solo.

- Não sendo Han Solo uma carreira viável, você escolheu direção de arte, que é logicamente o mais próximo, imagino.

- Eu preferia sabe, fazer coisas legais. Posters de show e de filme. Alguma porra dessa. Vender coisas legais. Não trezentas versões de um mesmo anúncio de congelados. Ou dar uns pegas na Carrie Fisher dos anos 70. O que for mais viável mesmo. Mas vai me dizer que a pequena Julinha sempre quis fazer as partes escritas dos anúncios?

- Sim.

- Nem ferrando.

- Não exatamente isso, mas sim. Eu gosto de escrever desde sempre. Não importa se é algo chato como um texto pra anúncio, ou algo legal como conteúdo pra uma marca que eu curto. Ou até se é algo pessoal. Sempre gostei. Trabalho é a única parte da minha vida que eu nunca pude reclamar. Eu gosto de verdade. Queria que todo mundo tivesse a paixão que eu tenho pelo trabalho, a vida ia ser mais fácil se todo mundo estivesse satisfeito.

- Não é fácil assim, né? Você acha que eu posso largar tudo, por exemplo, e viver de freelas de coisas que eu curto? Sonho não paga a conta, baby.

- Claro que paga. É só você saber seguir. Você já pesquisou em que lugares poderia trabalhar fazendo o tipo de arte que gosta?

- Na praia, do lado da menina vendendo miçanga.

- É sério. Acha os lugares que você realmente ia gostar de trabalhar, e insiste neles. A vida é muito melhor quando segunda-feira não dói.

Luca se virou para encarar o teto. Respirou fundo, e jogou os braços embaixo da cabeça.

- Eu nunca pensei nisso.

- Pensa agora. Nunca é tarde. E eu tô com fome, a gente podia ir comer alguma coisa.

- Dois dias de café da manhã com a mesma mulher? Não me aguento. Espera até os rapazes da escola ouvirem isso.

- Vai, Danny Zuko. Levanta aí pra gente ir então, que comida aqui não tem quase nenhuma.

Luca sentou na cama, e começou a cantar:

- I GOT CHIIIIILS, THEY'RE MULTIPLYING, AND I'M LOOOOOSING CONTROOOOL...

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- ... e daí a gente foi tomar café, ele me deu tchau com um abraço, e foi isso.

- Corre, miga. - Nanda anunciou, sem nem pestanejar.

- Por que?

- Miga, amor de intervalo, de rebound, não dá certo.

- Não acho que ele é amor de rebound pra mim, Nanda. Ainda to conhecendo e tal, a gente nem consegue se ver...

- Não não não não... Não to falando de você. To falando dele.

How To Fight LonelinessHistórias para pegar e não largar. Descubra agora