- Julia, que foi, baby? Que aconteceu? E você tá linda de saia, sabia?
- Vá a merda. - quantos idiotas ela ia precisar mandar pro inferno em um mesmo dia? Saiu andando em direção à sua casa, mas Luca correu e se colocou na frente dela.
- Julia, espera, você veio. Fica.
- Qual é a sua? Sério, o que você quer de mim, cara? Porque sabe, depois de ontem, eu de verdade achei que você queria alguma coisa comigo.
- Mas eu quero, Ju, eu...
- Não, Luca, não. Me deixa, sério. Você gosta de sofrer, sofre aí, a vontade. Você se prende em um emprego de bosta que você odeia e em uma ex que te deixa mal porque senão você não teria do que reclamar na vida. Você gosta de ficar mal, então fica mal, mas me inclua fora dessa. Eu quero ficar bem.
- Ju, eu também quero, e eu to tentando, você precisa me escutar.
- Não, não preciso. Olha que sensacional. Não preciso.
- Julia, eu amo você, não faz isso.
- Ah, agora você me ama? Vai tomar no cu, Luca.
Ele parou na rua, enquanto ela saiu andando. Ligou para Nanda e pegou o metrô até a casa dela.
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Quando chegou, Nanda abriu a porta de pijama e bocejando, mesmo sendo só 7 e pouco da noite.
- Oi gatinha. Tá tudo bem?
- Nanda, eu to tão de saco cheio do mundo.
- Prefiro você de saco cheio que deprimida, Juju. Entra aí.
A casa de Nanda era um dos lugares favoritos de Julia. Suas ilustrações estavam coladas por toda a parede, e ela tinha uma parede toda de giz, que vivia desenhada. Naquele dia, ela tinha uma árvore enorme desenhada, e os frutos eram bombons. Coisas da Nanda. Ela não tinha sofá, só várias almofadas gigantes jogadas no chão, em um tapete fofinho. Era a casa mais legal. Julia deitou no chão com a cabeça em uma das almofadas e Nanda deitou do lado.
Ela contou sobre toda a conversa do café, sobre a noite que seguiu, sobre Diego e o encontro com Luca na porta do Celsius.
- Ok, mas ele se explicou?
- Não deixei, Nanda, sinceramente? Chega. Não vou ficar insistindo num cara que ama a ex. Só quero me enfiar debaixo da mesa no trabalho e beber vinho chorando.
- Tá, Robin Scherbatsky, não vamos partir pro drama. Mas sei lá, será que não foi exagero seu?
- Exagero onde? Eu sou controlada a porra do tempo todo!
- Dá pra ver, gatinha. Mas sei lá, será que o Diego não te deixou puta, por mais que tenha sido um alívio ver que não tá sentindo o mesmo de antes por ele? Talvez, e isso é só um grande e gordo talvez, você tenha exagerado.
- Talvez. Mas e aí? Eu faço o que agora da porra da minha vida?
- Não sei te dizer. Mas pelo menos você tá bem. - Nanda levantou os dois polegares sorrindo.
- Eu não to exatamente bem, né.
- Mas você não tá mal. Não estar mal já tá ótimo, gatinha. Já é uma grande evolução, lembra? Você me procurou, não se enterrou na cama e tal.
- Eu sei. Acho que eu preciso respirar.
- Você tem que pensar que tava sozinha, e o Luca tava lá, sabe? Na hora certa, e te fez muito mais bem que qualquer outra coisa. Pelo menos ouve o que ele tem a dizer.
- Sei lá, preciso pensar. Ficar uns dias sem falar com ele vai ajudar. E agora eu tenho uma dívida pra resolver, então sabe como é.
- Quanto vale um rim no mercado negro? A gente pode sempre roubar o do Diego e resolver isso aí. - Julia riu.
- Eu nem sei se consigo pagar o aluguel mês que vem, esse dinheiro de rim seria útil. Talvez eu esteja ferrada. Não me irritam tanto os momentos ruins, mas os constantes altos e baixos dão uma canseira danada.
- Mas e aí? Não dá exatamente pra dividir um quarto e sala.
- Eu já pensei nisso. Provavelmente vou ter que mudar pra um lugar maior e dividir o apartamento. É incrível o impacto que alguém que não te ajuda em porra nenhuma faz nas suas contas.
- A gente pensa em algo. Pior dos casos, você vem pra cá e a gente transforma meu ateliê num quarto pra você.
Ela abraçou Nanda com força, e sorriu. As coisas talvez se ajeitassem. Só precisava de tempo. Elas tomaram uma cerveja juntas, e Julia foi pra casa.
Passou a semana evitando contato com Luca e se concentrando no trabalho. Fazendo horas extras que sabia que não eram necessárias, ou como Nanda chamava, "ocupada Julia". Precisava de um descanso da vida, e só sabia descansar assim: trabalhando. Se sentia confortável na mesa do escritório, fazendo aquilo que sabia.
Léo mandou um e-mail durante a semana, pedindo ajuda pra arranjar um emprego em algum lugar, que ela compartilhou com quem conhecia. Eles almoçaram juntos no dia seguinte, e ele contou que o Celsius ia fechar, porque o dono vendeu o prédio na loucura. Quando chegou em casa no mesmo dia, Julia pensou em ligar novamente pra ele, pra ir tomar uma cerveja, quando a campainha tocou.
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How To Fight Loneliness
RandomA primeira coisa que você quer vai ser a última coisa que você precisa. Trilha sonora: https://open.spotify.com/user/tatihc/playlist/2muj15JD4A6cGFwXAiS05o Board: https://br.pinterest.com/tatihc/how-to-fight-loneliness-inspira%C3%A7%C3%A3o/
