Meu nome era Katherine Adams Kohls, quando tudo começou eu tinha 17 anos e morava em New York. Uma única noite conseguiu mudar a minha vida inteira: a noite em que eu soube que, de fato, eles existiam. Quando eu soube que ele existia. Foi a noite na...
Luke entrou na rodovia e pegou um desvio entre algumas ruas movimentadas demais para o meu gosto. Virei-me para ele:
- Luke, para onde estamos indo? - Ele me encarou e depois disse:
- Eu não sei você, mas eu tô morrendo de fome. E não é dos bolinhos da Starbucks não.
- Cupcakes, brownies, scones... - Provoquei.
- Não, nem vem. A gente tá indo pra um lugar real, onde tem comida de verdade que enche a barriga e te faz engordar com um sorriso no rosto. Agora tira essa bosta daí - ele tirou meu pen drive e jogou em cima de mim - que eu vou colocar no rádio. - Ele apertou alguns botões e começou a tocar algumas músicas de balada, mas eu sabia que era só questão de tempo até o Luke perder a paciência. Não deu nem um minuto de um remix da rádio que o cara já mudou de estação, resmungando da música sem nexo. Deixou em uma onde só tocava músicas ultrapassadas porém famosas, e logo reconheci a melodia. Era uma das músicas que Luke mais elogiava da BonnieTyler, Total Eclipse of the Heart. Quando começou o refrão nós cantamos juntos até o final da música, eu me diverti vendo as expressões no rosto de Luke e ouvindo sua voz desafinada acabar cantando com falsetes também.
Ele entrou em uma rua mais perto do centro, eu logo pude ver a letra M em amarelo há uns quarenta metros de distância.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Desatei a rir enquanto Luke fazia uma dublagem super gay da Madonna quando começou a tocar Like a Virgin. Só então me dei conta do horário e olhei para ele:
- Luke, já vão ser duas horas da manhã! Eu não acredito que você quer ir no Mc Donald's às duas da manhã!
- Qual o problema? Meu estômago tá roncando e já que tu me obrigou a te buscar mesmo - Ele deu de ombros - Eu tava de boa lá em casa, se não tivesse me ligado, a gente tem tava aqui. Mas já que a gente tá, eu quero ir no Mc Donald's. - Revirei os olhos.
- Nem vem querer colocar a culpa em mim, porque mesmo quando eu não te ligo, você pega o carro no meio da noite para caçar o que comer. É pior que os mendigos da praça da cidade. - Falei, segurando o riso. - Não, se bem que nem eles são trouxas de fazer isso. Credo, deve ser só mania de gordo mesmo. - Luke mostrou o dedo do meio para mim, enquanto seus olhos se fixavam na letra M brilhante ao longe. Eu ri, tentando aliviar o stress que havia acabado de passar na frente da TMC. Luke estava acostumado com as minhas brincadeiras e provocações, porém sempre ficava puto quando eu o chamava de gordo. Trauma de infância; ele me contou que sofria bullying na escola por ser cheinho. Ele cresceu e ficou bem longe de parecer gordo, na verdade ele era meio viciado em malhação, mas mesmo assim continuava comendo compulsivamente quando alguma coisa o chateava, ou quando estava feliz, ou entediado...
Luke sempre tinha uma desculpa quando eu o repreendia dizendo que ele ia engordar. A resposta geral dele para todas as minhas provocações era sempre a mesma: ele simplesmente mostrava o dedo do meio, às vezes acompanhado de um palavrão; depois mudava de assunto. Olhei para o rosto dele enquanto dirigia, concentrado na estrada, então voltei a reparar em suas feições: Cabelo loiro-escuro, olhos claros, a pele pouco bronzeada destacando seus olhos, seu queixo quadrado com a barba de dois dias, os lábios cheios e o nariz com uma pintinha que todo mundo sempre confundia com um piercing. Luke percebeu que eu o fitava, então olhou para mim e ergueu a sobrancelha.