Capítulo 14

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- Planeta do Tesouro? - Loki perguntou com o cenho franzido, e sorri amplamente:

- Sim. É baseado em um livro chamado "A Ilha do Tesouro", só que tem aliens e as espaçonaves são navios. E também, eu acho bem legal a ideia de piratas espaciais.

- Já conheci piratas espaciais. Acredite, não são nem um pouco... "Legais", já que você gosta de usar este termo.

- Você já falou com piratas espaciais de verdade?

- Sim. E estão bem mais para um grupo de beberrões ladrões do que esses piratas espaciais inteligentes os quais você admira tanto.

- Mas piratas são assim mesmo, se você não enxergar o lado poético da coisa. - Cruzei os braços e murmurei, olhando para o microondas. - Pelo menos eles são livres.

- Katherine. - Loki me chamou, e voltei a olhar para ele. - Liberdade é uma mentira. Ela não passa disso: uma grande mentira. - Por um momento não acreditei que tais palavras amargas saíram dos lábios de alguém como ele. Ele era um deus, um feiticeiro talentoso e um estrategista brilhante - o que mais se poderia querer na vida? Porém então me lembrei que Loki estava na Terra, e não em Asgard. E também, algo em seu olhar me dizia sempre a mesma coisa: ele estava perdido. Já devia ter passado por tanta coisa que não era mais ele mesmo. Ninguém muda da noite para o dia, e algo me dizia que Loki teve que mudar muito para acabar daquele modo.

- Eu sei. - Respondi calmamente, o que fez o deus me encarar. - Também sei que todos dizem o contrário, mas não são essas as mesmas pessoas que consideram-se livres? Quero dizer, se você parar para pensar, todas essas leis, regras e normas... Não são elas que tiram a nossa total liberdade? Mas, ao mesmo tempo, são elas que garantem a paz, embora eu realmente não acredite nisso também, ou tentam deixar que todos vivam da maneira "civilizada" decidida pelos padrões da sociedade. Eles não te dão um teto, mas te dão um senso de moral. Não é ótimo? - Ironizei. - Você morre de fome, mas morre de acordo com os padrões exigidos. - Suspirei pesadamente, segui até o armário e peguei um pacote de pipoca. - Sim, liberdade é definitivamente uma mentira... - Abri o pacote, abri a porta do microondas e coloquei dentro do aparelho, depois a fechei. - Mas é uma mentira tão bonita que as pessoas amam acreditar nela.

- De fato. Muitos estão dispostos a morrer por esta mentira. - O moreno girou um botão do fogão e o fogo se acendeu. - Mas me diga... Você não acredita em paz?

- Não. - Respondi imediatamente, em seguida digitei 3-3-0 no painel do microondas e o liguei.

- Por que não? - Dei de ombros.

- Não é que eu não acredite que ela exista; é que apenas a considero um breve momento de inércia entre guerras ou batalhas. O que não acredito é que ela possa durar.

- Hm. - Loki voltou sua atenção à água, que começou a ferver. - Quantos anos você tem?

- Dezessete. - Respondi, e ele riu. - Qual é a graça?

- Dezessete anos... Você é apenas uma criança. - Ai, aquilo doeu. Ele jogou algo verde dentro do canecão de água fervente. Cruzei os braços.

- Talvez no seu mundo. No meu, sou quase considerada uma adulta. Só mais alguns dias, para ser exata. Depois serei considerada uma adulta.

- Então seu aniversário está próximo? É por isso que anda agitada ou tem alguma coisa acontecendo que não pode contar a ninguém? - O quê?! Como aquele cara havia acertado em cheio?! Por um momento me senti entre a espada e a parede, já que Loki saberia se eu estivesse mentindo.

- Já passou pela sua cabeça que eu possa ser só naturalmente agitada? - Boa, Kate. Vai contornando a resposta direta.

- Você não é. Não é de pessoas com o seu feitio ser assim.

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