Capítulo 18

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《 Lucas Völkers Singer》

Apertei a campainha e voltei a morder a rosquinha que tinha em mãos. Eu nunca recusaria uma sessão cinema, era uma das únicas coisas que eu e Hollister tínhamos em comum, então sabia que ela participaria também. Logo a porta foi aberta e a Kate apareceu.

- Oi, Lu... - A interrompi:

- Transformers. - Mordi minha rosquinha sem olhar para ela, entrei no apartamento e olhei para os lados examinando o lugar. - Cadê a ruiva?

- Já está vindo. Vou fazer a pipoca e... - A morena fixou o olhar na mochila às minhas costas. - Hey, que mochila é essa aí?

- Vou dormir aqui hoje. Estou com preguiça de ir pra casa, e sabe-se lá que horas a sessão vai acabar.

- Está bem, então vai guardar a mochila em algum lugar. Você pode dormir no meu quarto. - A encarei por um instante. - O quê? - Ela perguntou.

- Tem conseguido dormir à noite? - Perguntei suavemente, já que sabia que ela havia ficado tempo demais sem os pesadelos. De alguma forma, eles sempre voltavam. Sua postura se enrijeceu, e sabia que algo havia acontecido. Katherine paralisou com as mãos fechadas em punhos, como sempre fazia quando estava nervosa. - Kate? - Ela empalideceu e engoliu em seco.

- Ela... Apareceu de novo. - Seu tom era quase um sussurro. Fechei os olhos e respirei fundo.

- Merda. - Abri os olhos, joguei a mochila de qualquer jeito no chão, caminhei até ela, a segurei pelos ombros e olhei no fundo dos seus olhos, suas orbes verdes haviam perdido um pouco o brilho. - Você está bem?

- Claro que sim. - Respondeu com arrogância, em seguida jogou seu cabelo para o lado. Sempre que estava prestes a demonstrar fraqueza de algum modo, Kate mascarava suas verdadeiras emoções com arrogância ou sarcasmo, com a finalidade de afastar as pessoas ao seu redor.

- Tão mal assim? - Joguei meus braços ao redor dela e a abracei forte. Logo ela começou a soluçar, e sabia que Katherine estava se esforçando para chorar em silêncio. Parei de abraçá-la e a encarei. - Tudo bem, Kate. Essa é a realidade. Ela não está aqui. - A morena começou a enxugar suas lágrimas na manga da blusa.

- E-Eu a odeio. E o que ela fez... O que ela sempre faz... Eu a odeio. A odeio tanto que poderia matá-la com as minhas próprias mãos. - Seus olhos verdes brilhavam por trás das lágrimas; ela estava falando sério. Percebi que suas mãos tremiam, então as segurei.

- Eu estou aqui, Kate. Não está mais sozinha. - A garota respirou fundo, endireitou a postura e seu choro cessou no mesmo instante. Ela não gostava de sucumbir às emoções, achava que a deixavam vulnerável.

- Obrigada, Luke. - Seu tom de voz era gélido, mas sabia que era porque Katherine estava tentando controlar os sentimentos dentro de si. Soltei suas mãos e ela sorriu. - Vou fazer a pipoca.

- Claro, já trouxe o DVD que a gente vai assistir. - Disse e puxei da mochila o DVD de Transformers na tentativa de fazer com que ela se esquecesse de Kitty. Deu certo porque em seguida Katherine semicerrou os olhos.

- Só por cima do meu cadáver.

- Ah, mas com certeza não vamos assistir Planeta do Tesouro de novo.

- Quer apostar? - Katherine perguntou com um meio sorriso e uma sobrancelha arqueada.

- Vou triturar o DVD se me obrigar a assistir àquela porcaria mais uma vez. Quer apostar? - A imitei, encarando-a. Ela fixou suas orbes nas minhas, soube na hora do que se tratava; a velha brincadeira do "quem piscar primeiro é o perdedor". Ficamos em silêncio nos encarando, até que a porta da sala se abriu e nós dois piscamos ao mesmo tempo.

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