EM RECONSTRUÇÃO
A casa fica demasiado silenciosa depois de fechar a porta.
Encosto-me por um instante à porta fechada, deixando cair as chaves na pequena mesa de entrada enquanto inspiro lentamente. O cheiro familiar, seguro, meu. Noah entra pela sala sem pressa nenhuma, observando tudo em silêncio, não com curiosidade invasiva, mas como alguém que quer genuinamente perceber um lugar antes de existir dentro dele e estranhamente gosto disso.
- Uau. - murmura. - A tua casa é uma autêntica biblioteca. - olho automaticamente para a pilha de livros meio inclinada junto ao sofá, dirigindo-me a eles na iniciativa de os arrumar nas estantes com um sorriso e noto, que ele pega também em alguns e dirige-se a mim para me ajudar. - Este é sobre a enfermeira que se apaixona pelo paciente no hospital psiquiátrico ou algo assim do gênero, certo? - questiona abanando um deles no ar.
- Oh, gostas de ler? - questiono em entusiasmo, erguendo uma sobrancelha, enquanto ele observa o livro, pois não conheço muita gente no meu núcleo que goste e agora que penso nisso é estranho, pois trabalho com isso.
- Desculpa... - sinto humor na sua voz. - Acabei de ler o resumo atrás para parecer inteligente. - diz com um riso abafado do qual me deixo rir retirando-lhe o livro da mão para o colocar na estante. - Mas respondendo à tua questão, gosto. - responde ainda a rir encolhendo agora os ombros e observo-o com um sorriso. - "Se vieres por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu vou começar a sentir-me feliz" - cita orgulhoso encostando-se à estante ao meu lado.
- Uau, leste "O Principezinho". - deixo-me rir, reconhecendo imediatamente a citação do primeiro livro que li deste sempre e isso causa-se uma pequena volta ao estômago, ao me lembrar de quem me o ofereceu.
Viro-me de costas e caminho até à cozinha enquanto ele fica para trás a observar distraidamente as lombadas coloridas espalhadas pela sala e sossega-se de certa forma reparar que ele é uma pessoa fácil de contentar, deixando-se prender em pequenos detalhes, tal como eu.
Acendo apenas uma pequena luz por cima da bancada de madeira, deixando o resto da casa mergulhado na penumbra quente de fim de noite. Nunca fui grande fã de casas com luzes demasiado brancas e frias.
O som da máquina de café quebra suavemente o silêncio e pela primeira vez hoje, sinto a cabeça mais calma, mais leve.
Após se oferecer e eu lhe negar ajuda, Noah continua envolto nos livros e percebo que a sua resposta foi afinal genuína, ele parece gostar realmente deles e eu sinto-me confortável com ele aqui, como se ele não ocupasse espaço, ele não exige atenção, não força conversa, não invade silêncios, ele apenas fica, como se fosse uma melodia baixa e confortável em uma divisão vazia.
A velocidade dos meus pensamentos diminui um pouco e sinto que é porque ninguém me está a observar demasiado perto. Desde ontem à noite, foi tudo emocionalmente cansativo de formas que nem consigo explicar sem soar completamente desequilibrada, passei o dia com Joey na cabeça sem autorização, pequenos flashes, o sorriso dele estupidamente bonito, o olhar dele quando lhe pedi para me ajudar a parar, as mãos dele no meu corpo, de forma carinhosa e não provocadora, as minhas mãos no seu cabelo, o perfume que conheço de cor, o arrepio em todo o corpo mesmo sem nada acontecer, fiquei apenas com aquele quase. Fecho os olhos por um segundo. Não. Não vou voltar a entrar nisto, já pensei demasiado, já senti demasiado. Porque é que com ele tem de parecer tudo tão intenso, quente, vivo, assustador, como um mar revolto?
Olho para Noah, perdido nas partes da minha vida espalhadas pela sala. O mar sereno, a paz. Sinto-me calma, não resolvida nem feliz, mas também não infeliz, só menos cansada de existir dentro da minha própria cabeça.
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Fallen
RomanceNovembro 2024 Esta história encontra-se em reconstrução para poder ser então concluída. Um romance cheio de mistério, suspense, drama, criado principalmente para quem gosta de histórias emocionantes com fins imprevisíveis. "A sua única preocupação...
