Capítulo 13 - Almofada Vazia

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EM RECONSTRUÇÃO 

Uma súbita onda de energia crescente apodera-se o meu corpo enquanto caminho a passos lentos até casa com um sorriso tonto nos lábios e, sem saber bem o porquê dou um pequeno saltinho de euforia ao chegar perto da porta de casa.

- Uau, boa noite cinderela, pensei que tivesses mudado de código postal, queres partilhar a razão de vires a sorrir igual a quando olhas para o Harry Styles de dezanove anos?

- Merda Joey! - berro em sobressalto, ao ouvir a sua voz vir do banco de jardim no meio dos arbustos, encostado a minha casa, mal o consigo ver ali no escuro. 

Ele observa-me de olhar desconfiado e de braços cruzados.

- Oh, desculpa se te assustei, não que eu estivesse à duas horas preocupado por não me atenderes o telemóvel nem responderes às mensagens depois de te ver sair de casa sozinha rumo a algum romance de Outono, pelos vistos. - ele diz e apenas agora me apercebo que nem o telemóvel levei comigo.

- Não sejas dramático, esqueci-me do telemóvel. - suspiro e reviro os olhos com o sorriso de volta enquanto coloco a chave na porta para entrarmos em casa.

- Dramático. - repete de forma sarcástica vindo atrás de mim e fechando a porta. - Els, à anos que olho por ti todos os dias, eu não preciso de saber onde vais nem o que vais fazer, mas custa levares a porra do telemóvel contigo? 

- Esqueci-me Joey, acontece! Para além de que nunca te pedi nada, para quê isto agora? Não tens de olhar por mim, somos ambos adultos!

- Sabes que estás a ser injusta ao dizer isso. - noto o seu tom a baixar e sei neste momento que tenho de moderar as palavras que me saem sem pensar. 

- Joey... - suspiro.

- Não é seguro a estas horas. - solta e noto que está sem argumentos.

- Oh, não entres por aí, se existe algum sitio seguro, esse sitio chama-se Fairmont.

- Não me podes culpar por me preocupar! - diz quase como um choramingo.

- Não quero discutir contigo. - digo de forma sincera.

Joey caminha na minha direção descalçando igualmente os sapatos indicando que vai ficar.

- Estás bem? - questiona segurando-me em ambos os ombros para me parar e me observar.

- Precisei apenas de ir espairecer um pouco, está tudo bem. - digo esticando o dedo mindinho ao qual ele entrelaça o seu de forma hesitante e eu suspiro olhando-o nos olhos. - Desculpa. - digo de forma sincera, dando um leve beijo no seu dedo, virando costas logo de seguida para ir preparar uns cereais.

Noto que ele me segue para fazer o mesmo mas o seu corpo está tenso. Sinto que mesmo sem ter acontecido nada de extraordinário ele parece desconfortável com algo.

Ligo a tv e deixo ficar em um filme aleatório que me parece um dos romances que a minha mãe já viu vezes sem conta e questiono-me se estará neste momento a fazer o mesmo que eu. Minutos se passam e sinto os olhos de Joey em mim até que o encaro.

- Pergunta. - atiro.

- Não negaste o romance de Outono. - responde de forma quase infantil, fazendo-me atirar a cabeça para trás no sofá com um riso.

- Eu sabia.

- Sabias? - questiona com um ar confuso.

- Isto foi tudo um momento de ciúmes? - cruzo os braços observando-o.

- O quê? - gargalha. - Não! Estás a falar do quê? - ri em conjunto comigo.

- Pareceu. - digo olhando-o nos olhos como forma de lhe fazer pressão mas sei que ele nunca iria ceder por se sentir demasiado confortável comigo.

- Porque haveria de ter ciúmes? Isso é uma palavra muito forte não? - ri-se. - Ainda para mais, és tu Eleanor. - fala com humor mas a forma como prenuncia o meu nome faz-me duvidar, mas decido não puxar mais por esta conversa.

- Tudo bem então. - volto a pegar na minha tigela de cereais e dou uma enorme colherada virando a minha atenção de novo para a televisão. O que será que ele quis dizer com o facto de ser eu? Não seria digna desse sentimento?

- Tenho razão então. - murmura entre dentes.

- Tens razão no quê? - volto a pousar a tigela.

- Que tens alguém... - responde e quase lhe noto um pico de mau humor.

- Seria um problema se tivesse? - sinto que o estou a testar e penso ter tido resultado quando o noto a cerrar o maxilar por segundos.

- Tens? - insiste.

- Será que tenho? - brinco mas ele não me responde mais e entrega a sua total atenção ao filme. 

Observo-o por momentos, braços pousados sobre as pernas e o corpo ligeiramente inclinado para a frente, consigo percebe-lo a respirar fundo como se tivesse algo mais ainda para dizer mas que tinha decidido não verbalizar. Quase me parece neutro até que termina a sua taça de cereais e se levanta para a lavar. Termina rápido e enquanto o aguardo no sofá, ouço passos, para me virar e o encontrar a calçar os ténis, apanhando-me meio de surpresa.

- Vais embora? - questiono com receio por saber que a resposta é afirmativa.

- Tenho de acordar cedo para o torneio. 

- Oh. - apenas solto, pois não me lembrei que era já amanhã. Desligo a televisão e endireito-me no sofá para poder ter melhor visão para ele. - Vamos juntos?

- Encontramo-nos lá, digo para a minha irmã te apanhar, devem ter imenso para conversar após esta noite.

- Joey...

- Espero pelo meu cartaz. - corta-me a meio com um sorriso fraco. 

- Eu não tenho ninguém está bem? Estava a brincar contigo!

- Hey El, não precisas de te justificar, assim como eu também não, certo? Melhores amigos. - diz com uma gargalhada forçada e quase tive vontade de o esmurrar na cara após me puxar bruscamente para me beijar o todo da cabeça. - Está tudo bem. - diz agarrando na minha mão para entrelaçar o seu mindinho e beijar o meu. - Dorme bem.

Ouço o som da porta a fechar e fico por um bom momento a olhar para a porta a tentar perceber o que aconteceu aqui, na esperança de que ele a voltasse a abrir e dissesse que estava a brincar. 

Observo a sala iluminada apenas pelos postes da luz da rua e debruço-me para o ver entrar em sua casa e aguardo que apague as luzes para ter a certeza de que não vai mesmo voltar. Não entendo realmente o porquê, mas sinto-me parva pela brincadeira imatura, no entanto Joey sempre teve as suas histórias e nunca nos questionamos muito de nada no meio das nossas brincadeiras nada sérias. Sempre fomos assim.

Minutos passam e a porta volta-se a abrir fazendo-me falhar uma batida no peito e esboçar um sorriso tonto, que rapidamente se desvanece ao aperceber-me de que ele entra dentro do carro e volta a desaparecer numa questão de segundos. 

Está tudo silencioso novamente. E eu odeio.

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Hii there! 

Espero que estejam a gostar!

Se gostarem por favor comentem ou votem para eu saber, adoro ler as vossas opiniões sejam boas ou más, respondo sempre que posso, prometo que irei fazer o meu melhor para vos agradar! :)

Boas leituras!

Sarry, xx

FallenOnde histórias criam vida. Descubra agora