EM RECONTRUÇÃO
O aroma quente do café enchia o pequeno espaço aconchegante. A luz dourada que entrava pelas janelas, criava um contraste suave com o frio lá fora. Este café familiar, "Mil's - The art café", baseado no nome da filha Millie, era um dos nossos refúgios desde os tempos da faculdade, tinha saudades desses tempos, tempos que na altura só queremos que passem rápido, parecem tão complicados, exames, superar notas, amizades boas e más, desilusões amorosas, todos os dias somos colocados à prova mas a realidade? Nunca deixamos de aprender coisas novas sobre a vida e sobre nós próprios e parece que nunca se torna mais fácil, apenas mais tolerável e agora, só gostava de poder recuar um pouco a esses tempos.
Como era de esperar, fui a primeira a chegar, escolhendo a nossa mesa de eleição no canto, o mais escondida possível para que possamos fofocar com mais liberdade, junto do pequeno palco de madeira escura e da enorme janela para o exterior. Hoje não seria dia de música por estar a decorrer a feira anual de outono no centro da cidade, mas por aqui passavam vozes de invejar, Millie, para além de ter uma voz linda, explorava este espaço em conjunto com os pais, sempre com boas escolhas, sempre lhe disse que música seria o seu futuro, ela decidiu conciliar um pouco disso com o seu legado aqui.
Enrolo as minhas mãos em torno da chávena de cappuccino de caramelo, sentido o calor espalhar-se desde as palmas até às pontas dos dedos. Fui a primeira a escolher este cantinho, pois gostava de observar as pessoas a passar, dentro dos seus casacos volumosos e bochechas rosadas pelo vento, cada um com tanta história por contar, envoltos em mil e um pensamentos que nunca poderíamos imaginar.
- Parece que está a olhar para a rua como se estivesse à espera de alguém em um filme romântico, aquele ar constante nostálgico de personagem apaixonada não a abandona. - cochicha Beth com Joey ao entrarem, enquanto abana o seu cabelo ondulado bastante loiro, ao retirar o cachecol com demasiada teatralidade.
- E se estivesse? - respondo com um sorriso malicioso. Na realidade não estava.
- Talvez o destino decida trazer um príncipe encantado pelo vidro. - diz Beth. - Pena que o único "príncipe" encantado que conhecemos é o Joey e acho que ele está mais para palhaço de circo. - deixa-se cair na cadeira com uma gargalhada, seguido de um abraço de comprimento. O seu perfume quente e doce faz-se sentir.
- Oh tu és tão engraçada, não me queres substituir nas minhas próximas folgas? - diz Joey revirando os olhos a Beth. - Desculpa o atraso, tive de ir salvar um gatinho bebé de uma árvore. - goza dando razão a Beth, enquanto me beija a testa.
Beth revira igualmente os olhos com o som de risos e energia, que sempre acompanha a sua presença, gostava de saber onde ela vai buscar tudo isso, sinto que aos meus vinte e cinco anos já tenho espirito de quase quarenta. Oh esperem, a minha mãe é mais energética do que eu para ser honesta.
Eles continuam a resmungar um com o outro por largos minutos até que os deixo de ouvir, isso seria algo que nunca iria terminar, a picardia entre eles os dois, são demasiado como um tornado, quem não os conheça acredito até que pense que eles não se toleram, mas posso confirmar com todas as certezas de que se adoram. Joey queria-me por perto e Elizabeth também, mas Joey e eu começamos a namorar e como dois miúdos inocentes, por vezes escapávamo-nos e ela sentia que tinha de competir com ele pela minha atenção, muitas vezes era o contrário. Crescemos, amadurecemos e tornamo-nos nisto. Unha e carne entre os três. Acredito que qualquer um, daria a vida pelo outro.
Deixo-me rir como uma piada interna, ao relembrar que um dia já o beijei. Joey esfrega as mãos, aceitando o café duplo sem açúcar que a empregada lhe entrega e inclina-se para mim. Não sei como consegue beber o café assim, sinto que nem em desespero o faria.
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Fallen
RomanceNovembro 2024 Esta história encontra-se em reconstrução para poder ser então concluída. Um romance cheio de mistério, suspense, drama, criado principalmente para quem gosta de histórias emocionantes com fins imprevisíveis. "A sua única preocupação...
