EM RECONSTRUÇÃO
Sinto que Beth se vem a roer completamente por dentro para me questionar algo, consigo senti-lo na sua respiração, nos seus passos cada vez mais lentos, como se quisesse fazer tempo suficiente antes de chegarmos a casa para questionar tudo o que trás na cabeça.
- Então... - diz simplesmente ao meu lado, com o seu tom perigosamente casual, que sei que em segundos irá alterar.
- Então... - repito, caminhando em passos lentos e desajeitados, já a saber o que aí vem.
- Ele foi embora com ela... - comenta e, percebo que não é uma pergunta, portanto não respondo, apertos os lábios numa fina linha e aceno que sim com a cabeça à espera que ela desenvolva e apenas continuo a olhar em frente enquanto caminhamos mais alguns metros em silêncio. - Como te sentes em relação a isso? - questiona e noto algum cuidado na sua voz, ela está com medo do quê?
Como me haveria de sentir? Como das outras vezes todas. Somos amigos e é apenas Joey, com uma rapariga, que pelo que sei não namoram, não que isso fosse um problema, mas se fossem namorados, ele teria contado, ou será que talvez não? Ele parece um pouco distante desde há um dia para cá sem justificação ativa, mas esquece Eleanor, estes pensamento estão-me a remoer sem razão, penso que não seja uma causa plausível para ele se esquecer de contar algo tão importante assim, se fosse realmente importante para ele, eu saberia. Sempre fomos confidentes um do outro, sempre nos organizámos em termos de sentimentos e tempo um para o outro e sempre nos deixamos a par do nossos momentos tristes e felizes e o inicio de um relacionamento é suposto ser um momento feliz, aliás, imagino-o como um momento épico, porque só faz sentido acontecer com um amor épico. Bárbarah não é um amor épico. Pois não? Não. Apostava o meu rim esquerdo em como é apenas mais um dos seus casos de dias. Não que ele seja má pessoa para com meninas, ou um infiel nato que não aguente um relacionamento sério. Apenas ainda não se cruzou na sua vida a pessoa certa e acredito piamente que ela existe para todos nós, sem exceção.
- Normal. - apenas digo.
- Isso não te diz nada? - insiste.
- Sim, diz-me exatamente o que isso é, que ele foi embora com ela. - respondo gesticulado o óbvio que é, e ela solta um pequeno riso pelo nariz.
- Tu és cansativa quando decides não sentir coisas. - diz e eu olho para ela de lado e reviro os olhos de seguida.
- Eu não decido não sentir coisas, eu só não invento sentimentos que não tenho. - entrego-lhe o óbvio e volta o silêncio por segundos, que sei que será curto, o tipo de silêncio que não é vazio, é só cheio de coisas que ainda não querem sair e sei que ela se vai esforçar para retirar algo de mim.
- Ele não gosta dela, sabes disso, certo? - informa e questiona ao mesmo tempo, penso que ela acha que de alguma forma me está a tranquilizar. Não está, por não haver nada para tranquilizar, mas de alguma maneira sinto-me menos acelerada.
- E quem te disse isso? A mim pareceu-me que gostam imenso um do outro e estou bastante feliz por ele, como estou por sempre. - digo sem saber se estou ou não a falar a verdade, mas acho que estou, sempre estarei feliz por ele.
- Telepatia de gémeos. - diz. - Ele não olha para ela como olha para ti El, principalmente hoje, a forma como olhava dava para sentir da outra ponta da sala.
- Ele não estava a olhar para mim de forma nenhuma em específico. - respondo automaticamente, abrandando sem querer o passo, como se indicando a mim própria que tinha de abrandar igualmente a minha entoação.
- Estava. - riposta com um revirar de olhos, como se fosse óbvio.
- Não estava. - insisto.
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Fallen
RomansaNovembro 2024 Esta história encontra-se em reconstrução para poder ser então concluída. Um romance cheio de mistério, suspense, drama, criado principalmente para quem gosta de histórias emocionantes com fins imprevisíveis. "A sua única preocupação...
