EM RECONSTRUÇÃO
A brisa brinca com o seu cabelo em que cada vez que vem mais forte, o seu perfume invade-me os sentidos.
- Não estás a deixar ninguém preocupado pela tua ausência? - questiona após um minuto de silêncio.
- Não. - digo pensativa, Beth e Joey já deveriam estar à espera que me escapasse algures a meio da festa, mas sabem que nunca iria embora sem eles, portanto, acredito que estejam bem e que saibam que estou igualmente bem, alguém tem de ser a amiga responsável. Lembro-me de Beth, a dançar naquele fato estupidamente apertado que guincha com cada movimento seu, com o maior sorriso no rosto e de Joey, a lamber chantili dos dedos de alguém, faço uma careta. - É, não mesmo, para ser honesta, eles estão bem.
Digo e Noah ri-se, um riso curto mas engraçado. Não sei o que escolheria neste momento como som mais reconfortante, se o som do mar calmo ou o som do seu riso. Começo sem me aperceber a cantarolar a musica que se ouve ao longe, uma daquelas músicas de final de noite e surpreendentemente ele acompanha-me. Apesar de me sentir tímida para agora o encarar, paro de cantar e viro a minha total atenção para ele. Oh, ele encaixaria tão bem em letras das minhas canções e decido então qual neste momento é o som mais reconfortante. A sua voz.
- Por favor não pares. - imploro quando ele para de cantar por não saber o resto da música. - Seria capas de te ouvir cantar para o resto da minha vida, sem esforço algum.
- Isso soou perigosamente poético. - diz numa gargalhada e eu apercebo-me das palavras que deixei escapar e escondo a cara no meio dos joelhos, isto supostamente deveria ter ficado nos meus pensamentos. - Aposto que escreves letras de músicas nos cantos dos livros, com uma declaração dessas. - deixo-me igualmente rir com a sua observação quase correta.
- Escrevo em cadernos, odeio escrever em livros, sou o tipo de pessoa que quando lê, nem os abre na totalidade para não marcar a lombada. - confesso olhando agora para ele com os joelhos contra o peito e a cabeça apoiada.
Ele observa-me por instantes como se invertêssemos papeis e fosse agora ele que me estudasse.
- Teria todo o gosto. - diz com um leve sorriso respondendo à minha afirmação anterior, apenas fiquei a olhar para ele, tímida, sem saber o que responder. - Se estivéssemos num livro, este era o capitulo em que te levantarias para procurar os teus amigos. - faz uma careta engraçada.
- O quê? - arqueio uma sobrancelha e deixo sair uma gargalhada que ele acompanha. - Esse capitulo não vai existir. - informo. - A não ser que estejas tu a escrevê-lo e esta seja uma dica para te voltar a deixar sozinho. - estico as pernas e preparo-me para me levantar de forma dramática.
- Não, no meu livro ia estar a descrever que é raro encontrar alguém desconhecido com o qual tenha tanto tema de conversa, como considere confortável estar em silêncio, e ambos são relativamente agradáveis. - responde levantando-se primeiro do que eu e puxa-me por uma mão.
- Bem, calma que quem pelos vistos escreve músicas nos cantinhos dos livros aqui não sou eu. - digo com humor deixando-o agora a ele sem resposta, apenas um sorriso brincalhão nos lábios.
Caminhamos não para muito longe, no meio de mil e uma conversas sem sentido e outras com bastante sentido até, apercebo-me de que ele é uma pessoa extremamente interessante cheia de conhecimento, se bem que acho que ele me poderia estar a contar a maior mentira à face da terra com um sorriso no rosto, que eu nem notaria em qualquer barbaridade que dali saísse. Pelo menos hoje.
- Será que alguém a usa? - diz entregando a sua atenção a uma pequena casinha de tábuas, já bastante deteriorada, como se estivesse cansada de resistir ao tempo. Poderia utilizar essa descrição para mim mesma ao me aperceber de que casinha se trata.
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Fallen
ParanormalNovembro 2024 Esta história encontra-se em reconstrução para poder ser então concluída. Um romance cheio de mistério, suspense, drama, criado principalmente para quem gosta de histórias emocionantes com fins imprevisíveis. "A sua única preocupação...
