Capítulo 20 - Distância de Segurança

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EM RECONSTRUÇÃO

Elizabeth arrasta-me mesmo para o exterior, em direção ao seu carro do outro lado da estrada e sinto-me confusa mas com algum divertimento em mim ao captar a sua expressão mas depressa penso, claro que ela não vem buscar nada ao carro, muito menos uma arma, isso é completamente absurdo de pensar e o meu estomago dá um nó por não perceber logo qual é a sua intenção dramática, não é para com o irmão, mas sim para comigo.

Ela chega e senta-se em cima do capô do carro com um ar perigosamente descontraído, que normalmente significa problemas. Fico mais confusa ainda, quando ela me faz sinal para me encostar ao lado dela e fica em silêncio por minutos, a apreciar o sol a bater-lhe na cara, de olhos fechados com um sorriso perigoso estampado no rosto. O seu cabelo loiro, longas pestanas e lábios naturalmente avermelhados de uma cor saudável e bonita. Observo-a atentamente, à espera que me mostre o real motivo de aqui estarmos, até que ela inspira fundo o ar puro, como quem cheira calmamente uma flor e, sem abrir ainda os olhos, decide espancar-me psicologicamente.

- Hm... que dia maravilhoso para me mentires Eleanor Evans. - diz a sorrir sem me olhar enquanto aprecia o sol e eu arqueio uma sobrancelha à espera que ela dê continuidade à conversa e só imploro mentalmente para que ela desista desta conversa. - Então... o Joey dormiu em tua casa... - diz casualmente demais e eu pisco os olhos uma vez, visto não me ter soado a uma questão.

- Não? - soou mais como uma pergunta, como se quisesse confirmar algo e tenho quase a certeza de que ela sabe, pois abre os olhos e vira lentamente a cabeça na minha direção ainda a sorrir.

- Não dormiu? - agora questiona e eu sei que ela sabe de alguma coisa, ou apenas está deserta para que aconteça, mas isso não é novidade para ninguém.

- Não. - digo novamente, com uma entoação que me parece mais credível e ela fica em silêncio a olhar para mim e tento manter a concentração nos seus olhos claros desconcertantes, sem tentar expressar nenhuma outra emoção que me denuncie, como é que eles fazem isto? Sinto que têm ambos os mesmo olhar que me perfura até ao cérebro e sinto que a minha cabeça pode explodir a qualquer momento e espalhar bocadinhos de mim por todo o lado e sinto que faço uma cara esquisita com este pensamento intrusivo.

- Hm... interessante. - diz e passa-me a mão pelo cabelo como quem faz um carinho a uma criança por se portar bem. - Então vais me dizer que ele hoje está assim, apenas porque dormiu em casa da Bárbarah... - não soa a uma pergunta.

- Assim como? - questiono sem perceber ao que se refere e ela faz uma nova pausa, como se fosse engraçado para ela eu ter feito esta questão.

- Ele esteve mais de uma hora a olhar pelo vidro até chegares, não que seja normal encontrarmo-nos sempre todos aqui, certo? - observa-me com um sorriso crescente e irónico. - Pediu café triplo, como se a energia dele não fosse já normalmente maior do que a de um Golden Retriever de seis meses. - continua. - Esteve três horas na praia, que é algo que por norma faz quando precisa de... "espairecer as ideias". - diz fazendo aspas no ar.

- Oh mentira, ele costuma ficar até muito mais tempo do que isso. - interrompo e é realidade, ele passa mais tempo na praia do que em casa, principalmente agora que dá aulas a miúdos pequenos.

- Sim, quando vai surfar. - informa levantando-me um dedo para a deixar prosseguir com a sua linha de pensamento. - E ele deixou a prancha em casa. - diz inclinando a cabeça para o lado para me poder ver melhor e eu sei que para ela a este ponto, é notória a minha cara de frustração por não estar a conseguir sair disto com razão.

- Eu preferia ter estado na praia do que no trabalho, por exemplo, está um bom dia! - digo tentando justificar o que quer que seja.

- Acredito que sim. - diz com uma gargalhada e voltamos a ficar ambas em silêncio a olhar uma para a outra, ela continua com um sorriso perigoso a brincar-lhe nos lábios e eu cruzo os braços e observo involuntariamente o interior do café, onde todos viram a sua atenção uns para os outros à velocidade da luz, como se não fosse óbvio que nos estão a observar, saberia isso mesmo sem olhar. - Tens a certeza de que ele não dormiu em tua casa? - volta a questionar, ao qual já não lhe respondo mas ela parece cada vez mais divertida e atira. - É que é estranho então... - começa com uma entoação de quem vai ter razão e isso deixa-me nervosa. - Porque vi o meu irmão sair da tua casa às duas da tarde. - apenas diz e sinto que me cai um trovão em cima com uma explosão enorme que só eu ouço, fico imóvel imediatamente até que decido olhar para ela devagar, levantando os olhos na sua direção, para a encontrar já a sorrir em triunfo. - És interessante sabes...

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