Parte 1 - Mudança de vida

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Acordar com minha mãe tossindo novamente é como se eu sempre levasse uma facada no meu coração. Há um ano ela foi diagnosticada com problemas pulmonares e claro com o "ar limpo" que temos em São Paulo não é fácil ver melhoras em seu quadro.

Acordo e tento procurar pó de café, mas a cada dia que passa desde a minha formatura, nossa situação financeira só piora. Já mandei diversos currículos para hospitais em cidades litorâneas, mas até agora nada.

Meu pai morreu deixando dinheiro para minha faculdade, recusei a minha adolescência inteira a aceitar, mas minha mãe insistia, pois só assim meu pai descansaria no céu.

Coloco duas xícaras na mesa e o bule no meio, não há pão para comer, só bolacha salgada.

Vou até o quarto para acordar a minha mãe.

- Mãe, vamos tomar um cafezinho bem quentinho? - Pergunto enquanto seguro o trinque da porta.

Ela me olha com olhos triste e uma dificuldade visível de respirar.

-Ah, filha. Prefiro ficar aqui onde estou - Diz, enquanto se vira de costas.

-Mas mãe, você tem que se alimentar, por favor.

-Eu sei, eu sei...Depois eu vou, prometo!

Meu olhar de repreensão não resolve.

Então volto para a cozinha e pego meu notebook, para ver se há alguma resposta de emprego. Fico olhando fixamente para o notebook. Se não houver respostas, juro que vou procurar outro emprego em qualquer profissão, o que não posso é continuar sem um sustento.

-Por favor Deus, me ajuda. - digo em voz alta.

E neste momento consigo ter certeza que Deus está ao meu lado, ao abrir minha caixa de entrada, encontro um e-mail do Hospital Geral Nossa Senhora da Conceição, me convidando para uma entrevista de emprego daqui três dias. Começo a gritar  muito.

Vou até o quarto da minha mãe dando pulos de alegria.

-Mãeee! Você não vai acreditar! - falo a ela.

-Em que minha filha? - fala com cara de assustada.

-O hospital em Florianópolis, me convidou para trabalhar. Você tem noção do que é isto, vou ter um salário mensal para nos sustentar.

-Ah minha filha, obrigada meu Deus! Deus me ouviu - Ela falou se levantando e me abraçando.

Seu abraço foi acolhedor, desde a minha formatura que ela não me abraça assim, com felicidade.

-Então, prepare suas malas, porque nós vamos á Florianópolis.

-Mas minha filha, nós não temos dinheiro para pagar a passagem. - Sua preocupação no instante era palpável.

-Calma mãe, vou dar um jeito, eu sempre dou um jeito. - O meu jeito seria o meu cartão que não uso a uns dois anos, desde que tive que larga o emprego de garçonete para poder realizar meus estágios da faculdade.

Três dias depois...

Lá estava eu pisando na porta principal do Hospital Geral Nossa Senhora da Conceição.

A porta se abriu sozinha, o hospital era puro luxo, nunca havia entrado em nenhum lugar daquele tipo, era todo branco, com diversas poltronas na cor de creme com uma televisão gigantesca, logo a frente tinha um lustre tão bonito que me perdi nele.

Fiquei olhando para cima e girando, quando eu senti um impacto sobre mim, minha mente de pobre deslumbrada fez eu ficar viajando e acabei esbarrando em alguém, quando olhei para frente para me desculpar, acabei  viajando mais ainda.

A cura da paixãoOnde histórias criam vida. Descubra agora