Capítulo VIII

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Na manhã de domingo, Will voltou ao Instituto para buscar Gustav.
- Bom dia, Sr. Wright.
- Bom dia, Bill.
- Veio visitar seu filho novamente?
- Não, hoje não. Quero falar com o diretor.
- Espere um minuto. Verei se o Sr. West está.
- Ok.
Bill deixou Will parado na frente do portão e foi ver se Oliver estava na escola. Will ficou passando em sua cabeça o que falaria para o diretor e como explicaria que ele era o pai do Gus.
Alguns minutos depois, Bill apareceu no portão e mandou ele entrar.
Quando chegou ao escritório, bateu na porta e uma voz lá de dentro mandou entrar.
- Bom dia, Sr. West. Meu nome é William Wright e eu sou o pai do seu aluno, Gustav Wright.
- Bom dia. Sente-se, por favor.
Will, obedecendo, sentou-se a cadeira defronte a escrivaninha de Oliver.
- Bem, o senhor deve estar se perguntando quem sou eu.
- Não, não estou. Até porque o senhor já falou quem é você... Na verdade estou me perguntando, por que você falou ser o pai do menino, já que o outro homem que veio matricular o senhor Gustav não tem seu nome e muito menos a sua idade. E ainda sim disse ser o pai do garoto.
- Ãh, claro... Bom, eu sou o pai verdadeiro do garoto. O homem ao qual o senhor falou é meu pai, Jonas Wright...
- Isso, esse mesmo o nome dele.
- O Gus não sabe que eu sou seu pai, por isso acha que seu avô é seu pai.
- É isso que vocês falam ao garoto? Que você é irmão dele?
- Sim.
- E por quê? Posso saber?
- Pode...
Sendo assim, Will contou a história para Oliver que, não sabendo se acreditava ou não, ligou para Jonas e Rute Wright, que confirmaram a história.
- Mas, me diz, Sr. Will, o que o senhor faz aqui?
- Quero levar o meu filho de volta para Nova York.
- Mas o menino veio para cá faz pouco tempo. O senhor não está gostando do ensino daqui?
- Não sei. Não sou eu que acompanho ele nessa escola, e sim, como o senhor já deveria saber, meus pais.
- Mas que tipo de pai é o senhor, que nem acompanhar a educação do seu filho o senhor acompanha.
- Eu não acompanho, pois eu fiquei sabendo a dois dias que meu filho está aqui, ou seja, ele veio sem a minha permissão. E é por isso, e por outro motivo, que tirarei o Gustav daqui hoje mesmo.
- E qual seria esse outro motivo?
- Meu filho anda apanhando de alguns colegiados maiores.
- E quem lhe falou isso?
- O próprio Gustav, é claro.
Oliver parou um momento e ficou pensando no assunto, até que disse:
- Nós podemos resolver isso.
- Não. Já lhe disse, quero o meu filho perto de mim. Em Nova York.
- Você está disposto a tira-lo mesmo daqui, não é?
- Sim. E gostaria que o quanto antes, melhor. E, se o senhor quiser, pagaria a mensalidade deste mês, já que ele ficou aqui o começo do mês.
- Certo. Espere um minuto que eu irei chama-lo.
- Obrigado.
Will ficou andando pela sala enquanto Oliver ia chamar seu filho. Ele ficou olhando a sala, para passar o tempo e viu em um dos retratos que estavam pregados na parede, uma foto de um time de Lacrosse do Colégio, e lá estava seu pai agachado sorrindo para ele. Ele nunca tinha visto seu pai jogar, e sempre que perguntava seu pai para qual time ele torcia, ele sempre lhe falava que não gostava do esporte. Mas lá estava ele, na seleção do Colégio.
- Will?
Oliver entrara na sala com Gustav atrás sem ele ver.
- Você está bem? Parece que viu um fantasma.
- Ur... estou bem, desculpe.
- Oi, Will.
- Oi, campeão. Está pronto pra voltar para casa?
- Estou.
- Eu mandei Bill pegar as malas dele, estão todas no portão.
- Ah, certo. Obrigado mais uma vez, Oliver. - disse Will, estendendo a mão. Oliver, respondeu, apertando:
- Por nada. Qualquer coisa, pode manda-lo de volta para cá.
Sorrindo, Will acentiu. Quando ele e Gustav já estava saindo do escritório, Will se virou novamente e perguntou:
- Oliver, meu pai jogava no time?
- Hum? Qual time?
Will indicou com a cabeça a foto a qual o pai estava.
- Ah, sim... Jonas era o melhor jogador da época. Você sabe se ele ainda joga?
- Não, ele não joga mais.
- Ah... Que pena.
- É, pois é.
Dito isso, Will se virou e saiu.

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No dia seguinte, Will acordou cedo para levar o Gustav de volta para a escola antiga. No caminho, Gustav perguntou:
- Will, por que eu estou morando com você?
- Porque eu quero que você mora comigo... você não?
- Quero. Mas o pai e a mãe deixaram?
- Sim.
Will não sabia como dizer ao Gustav que ele era seu filho. Mas sabia que tinha que dizer, pois não queria ver o filho continuar sendo enganado por ele mesmo.
- Gustav. Eu preciso lhe contar uma história.
- Então conte.
- Mas é que a história não é simples e ela também é longa... Vamos fazer assim, depois da escola, eu te pego e nós vamos tomar sorvete, aí eu te conto. Tá bom?
- Tá.
Eles permaneceram em silêncio até chegarem na frente do Colégio.
- Tchau, campeão. Boa aula.
- Tchau, Will.
Gustav desceu do carro e foi em direção à entrada. Will, olhando Gustav, sentiu o quanto amava o seu filho e não esperava a hora de vê-lo chamando de pai.

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Depois de ter deixado Gustav na escola, Will partiu em direção ao apartamento de Mary. Hoje ela não trabalharia, pois tirara um dia de folga. Quando chegou ao apartamento, ele bateu a campainha e George atendeu.
- Oi, George. A sua mãe está aí?
- Oi, Will. Tá sim, entra aí que eu vou chama-la.
Will, pela primeira vez, entrou no apartamento de Mary. Era um apartamento pequeno, porém, confortável. Na sala havia um sofá, no qual ele se sentou esperando Mary chegar.
Ela saiu do corredor ainda com os olhos apertados de sono e o cabelo bagunçado, usava um pijama curto que deixava suas pernas a mostra. Will não conseguia para de olha-la.
- O- oi.
- Bom dia, meu amor.
Mary foi em direção a ele e se sentou ao seu lado dando-lhe um beijo.
- Como foi lá na Europa?
- Foi bom.
- E o Gustav veio com você?
- Veio. Acabei de deixa-lo na escola.
- E você já contou para ele?
- Ainda não. Estou com medo da reação dele.
- Vai contar hoje?
- Vou tentar. Vou leva-lo para tomar sorvete depois da escola e vou tentar contar.
- Você quer que eu vá com você?
- Não. Acho que esse tem que ser um momento só meu e dele.
- Ok.

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Will passou o dia na casa de Mary com ela, pois não tinha nenhum projeto para fazer. 12:00 Will foi buscar o Gustav na escola, e como prometido, iria leva-lo na sorveteria.
Quando eles já estavam sentados na mesa da sorveteria, Will via Gus tomando seu sorvete de flocos.
- Está bom?
- Está. Você quer um pouquinho?
- Quero. - Will pegou a colher da mão do Gustav e pegou um pouco do seu sorvete.
- Você me disse que ia contar uma história.
- Aé. Você quer ouvir ela?
- Quero.
- Então, tá.
" Há muito tempo atrás havia uma família muito rica aqui em Nova York, essa família, assim como a nossa, era judaica. Um dia o filho mais novo, que tinha 18 anos, acabou engravidado uma menina..."
Will contou toda sua história para Gustav. Quando terminou, ele perguntou:
- Eai? O que achou?
- Legal. Mas eu fiquei com pena do menino por não saber a verdade.
- Se você fosse o menino, gostaria de saber a verdade?
- É claro que sim...
Will sabia que aquele era o momento certo para contar, mas ele estava com muito medo da reação do Gus.
- Gus...
- Fala.
- E se eu te falasse que a história é real?
- Ela é?
- Sim.
Gustav não disse nada. Mas Will não queria estragar o silêncio, então apenas ficou calado esperando seu filho dizer alguma coisa.
- Will?
- Sim?
- Esse menino é eu? Eu sou seu filho?
- Olha... Não fica bravo comigo, está bem?! Eu tentei te falar, mas o pai e a mãe não deixavam... Sim, Gustav. Eu sou seu pai.

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