Tinha um estranho hábito de tomar banhos excessivamente demorados depois de uma missão – ou, no caso, uma atividade como derrubar o prédio da Hidra -, como se ficar mais tempo na água limpasse a sujeira que eu tinha por dentro. Não limpava. A Hidra nunca sairia completamente de mim.
Fui para a sala de segurança onde mantinham Hilton, agora acordado. Havia um vidro que o separava da nossa sala, como em um ambiente de interrogatório. Hilton estava algemado, com os dois braços pra trás do encosto da cadeira. Em frente ao vidro estavam Steve, Jason, Banner e uma mulher alta e magra de vestido. Tony devia estar analisando os dados com JARVIS na esperança de encontrar alguma informação sobre outras bases ou sobre os estudos em cima das nossas amostras de sangue.
-Olá – disse em tom casual.
Banner estendeu a mão e eu apertei.
-Não fomos devidamente apresentados antes. Bruce Banner.
-Katherine Stark. E não se preocupe, a única vez que vi você não foi tão ruim quanto você deve pensar. É bom ver que está bem, doutor.
-É bom ter você nos ajudando dessa vez – comentou com um risinho. Banner parecia ser um cara legal.
-Kat, esta é Maria Hill. Falei dela pra você – disse Jason.
Fiz um aceno com a cabeça e ela também. Olhei em direção ao vidro e vi que a cabeça do coronel sangrava onde eu o tinha acertado.
-Ele falou alguma coisa?
-Nada – disse Steve.
-Tiraram o cianeto dele?
Hill ergueu o pequeno frasco. Era uma substância perigosa. Em sua forma gasosa, era usada nas câmaras de gás. Na forma líquida era igualmente letal. Regras da organização: melhor morrer do que ser pego. E aí um suco de ácido garganta abaixo, nada mais eficiente. Qualquer membro da Hidra tinha um daqueles. Bom, menos eu, por que comigo não funcionaria permanentemente. Eu conseguiria queimar o ácido tão forte quanto ele me queimaria.
Peguei o frasco das mãos dela e entrei na sala com Hilton. Se alguém tentou me impedir, não cheguei a ver.
O Coronel ergueu a cabeça e senti o ódio emanar daquele olhar.
-Imaginei essa traição vindo de qualquer pessoa, menos de você.
-Não deviam ter me levado pra Hidra, pra começo de conversa.
-Você era boa, Nicolle – afirmou – uma das melhores assassinas que eu já vi.
-Eu ainda sou. E, para sua infelicidade, estou trancada numa sala com você.
Coloquei o frasco em cima da mesa. Hilton o olhou com calma.
-Não tenho medo da morte. Se vai me matar, faça logo.
-Tudo a seu tempo – fiquei encostada na mesa, ao lado da cadeira dele – Preciso fazer umas perguntas antes de qualquer coisa. Pra onde ia o sangue que eu tirava? – ele riu.
-Acha que eu sei? Acha que eu me importo? Seguia ordens, exatamente como você costumava fazer.
-Você devia ter um endereço pra onde mandar – insisti.
-Eu não mandava pra lugar nenhum. Mandavam alguém ir buscar pessoalmente lá. Eu só precisava garantir que tirassem o sangue de você.
-Deve ser o mesmo lugar de onde eu vim. Pense, Coronel... Onde?
Ele inclinou a cabeça pra me encarar.
-Quando você chegou, fraca e pequena, achei que estavam zombando de mim. Como eu faria alguma coisa útil com você? Uma criatura assustada e franzina. Hoje você é quem você é. Rápida e esperta como uma raposa selvagem. Eu não sei de onde você veio, mas devia ter sido mandada por alguém importante, pois sabiam que você ia crescer.
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Pequena Stark II
Fiksi PenggemarUm ano e meio na Hidra banhando sua vida em suor e sangue. Nicolle Murray não criava expectativas sobre coisa alguma e nem precisava delas, sabia que não tinha escolhas. Era uma soldada exemplar, até que seu melhor (e único) amigo é forçado a esquec...
