27 - Só aguentando

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O recinto inteiro era de concreto à exceção da porta, que era feita de um metal grosso e pesado. Provavelmente aço. Era abafado e não tinha ventilação, e se eu ficasse tempo demais ali tinha quase certeza que ia começar a alucinar com o calor.

O teto era alto - tinha uns 4 metros fácil - com uma lâmpada forte e uma câmera no canto. Estava encarando aquelas duas coisinhas desde que acordara, porque era tudo o que tinha no ambiente além da porta. Horas no mais absoluto silêncio. Sem perguntas, sem respostas, e sem informações de Steve.

Minha mão não sangrava mais, porem continuava aberta e dolorida, e meu pescoço não estava em melhor estado. Fui atingida com uma carga elétrica muito forte na região, e ainda tinha espasmos musculares. Torcia para que meu coração não tivesse ficado avariado no processo. Podia não ser grande coisa, mas era o único coração que eu tinha.

Apesar disso, eu admito que me derrubar com um bastão elétrico foi bastante inteligente.

Não queria confessar, mas estava com medo, fome e tontura. Encarei a câmera no teto mais uma vez, decidida a não parecer fraca mesmo que tudo o que eu quisesse era abraçar os joelhos e chorar o quanto minha vida era ruim.

Naquele momento a porta se abriu e meu pai passou por ela. Ele usava um blazer cinza por cima de uma camiseta azul, jeans e tênis. Parecia cansado, mas fora isso estava visualmente bem. Tony se agachou e analisou o meu pescoço.

-Pegaram pesado com o choque.

-Eu sei.

-Sabe que seu pescoço tá preto e queimado? – balancei a cabeça. Tony levantou meu braço com cuidado para olhar o estado da mão. A testa dele se franziu com preocupação – Então você não é mais uma laranja brilhante?

-Não sei mais de nada.

Sentou-se no chão junto de mim, suspirando e pensando.

-Vamos adicionar essa à lista de coisas com o que nos preocupar.

-Steve está na lista?

-Passou por uma cirurgia. Não estava nada bem, mas dizem que ele vai ficar pronto pra outro discurso moralista logo logo. As coisas no Capitólio também foram agitadas. A Maximoff teve uma concussão e Barton não perdeu a chance de se machucar. Estão no hospital também, mas vão sobreviver.

-E Bucky? – Tony abriu a boca pra responder e tornou a fecha-la, encarando a parede oposta – Me diga ao menos que ele está vivo.

-Ele está.

-O que acontece agora?

-Não vou mentir, isso tudo não te deixou na melhor das situações. Mas Barnes conseguiu te trazer de volta, e o que você fez pelo presidente foi um contrapeso na balança. Te arrumei um perdão presidencial, a única coisa que te põe fora da cadeia à essa altura.

-E Bucky? – repeti. Liberdade de nada me valia se ele não tivesse também. Não era justo.

-Gastei todo o meu repertório tentando convencer o presidente, e já foi difícil o bastante conseguir isso pra você.

Suspirei.

-Então na melhor das hipóteses ele vai ser preso pra sempre. Deixe fazer o que quiserem comigo – Tony se vira pra mim e continuo olhando pra frente – Não vou aguentar vê-lo preso de novo, Tony. Não vai dar. Eu não consigo, não consigo!

No fundo, ver Bucky preso não era a única coisa que eu não aguentava mais. Minha vida tinha se formado uma bola de neve ladeira abaixo. Não aguentava mais tentarem me matar, ter que fugir, me esconder e tentar parecer forte todo o tempo. Queria minha vida como era antes de conhecer Tony, das decepções amorosas ao luto. Eu estava cansada de estar só "aguentando".

Pequena Stark IIHistórias para pegar e não largar. Descubra agora