10 - Plano de Ataque

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Estava na minha cama. Em algum momento da viagem eu havia pegado no sono, esgotada. Ao meu lado estavam Anthony e Jason.

-Hey... – diz Jason, segurando a minha mão – Como você está?

-Bem – respondo. Estremeço por um momento ao lembrar do que aconteceu, mas a sensação passa tão rápido quanto veio – Ele cortou o meu braço – comento – a tatuagem foi embora, terei que fazer de novo.

-É sério? Você foi torturada até o limite e tudo o que tem pra dizer é que a tatuagem foi embora? – dei de ombros, Anthony riu – Sua mãe é completamente louca.

-É de família – ele responde.

-Onde está Steve? – pergunto.

-Mandamos ele ir dormir um pouco. Estava cansado e não saiu perto de você nem um minuto. Não comeu nada o dia inteiro.

-Que horas são?

-Quase seis– responde Jason.

-Certo. Vou treinar.

-Ei ei – interrompe Anthony – Acho melhor não.

-Preciso me distrair, então com licença pros dois que eu vou trocar de roupa.

Eles continuaram sentados ali enquanto eu me enfiava no banheiro pra tomar um banho e vestir uma roupa de ginástica. Quando saí eles estavam no mesmo lugar.

-Podem ficar me olhando até virarem pedra e eu não vou adivinhar no que estão pensando.

-Eu estou pensando que você tá estranhamente bem – diz Jason.

-Estou estressada e preciso tirar aquilo da cabeça. "Bem" não é uma boa palavra pra me definir agora. Depois eu falo com vocês, beijos.

Vejo que a academia está vazia, pra variar. Faço meus exercícios por horas, tentando esquecer aquela manhã terrível. Em momentos, começo a ouvir o som de passos e viro o rosto pra ver quem é, sem interromper a flexão de barra.

-Oi, Bruce.

-Jason disse que estaria aqui. Você está bem? Achei que tivesse parado de descarregar a raiva em suor.

-Me diz Banner: como você consegue? Como é possível não explodir?

-Anos de prática.

-Isso é uma droga! – reclamo, aumentando a intensidade das flexões, forçando mais os músculos.

-É, é uma droga... – ele se senta de frente pra mim – Você não matou o Nicol.

-E precisei de toda a minha força de vontade pra isso. É claro que ter acabado de cortar meu pulso fora usando uma faca de serra ajudou bastante no auto controle.

-Mas você matou os soldados que encontrou antes, não foi? Natasha disse que viu os corpos quando estava lá dentro. Estou tentando entender.

-Simples: era eles ou eu e precisei mata-los, mas não matei Nicol porque tinha motivos pra isso. Eu não deixei a raiva me controlar. Ele estava no chão e derrotado. Matar não foi necessário – larguei a barra – Mesmo acordada estou sonhando que o mato, mas quando fecho os olhos parece que estou lá de novo. O barulho das serras e dos martelos ainda estão zunindo nos meus ouvidos.

Abro e fecho as mãos várias vezes, imaginando o pescoço de Muryy nelas. Para sorte dele, não me incomodei em saber para onde o tinham levado. Poderia dizer que estava arrependida de mantê-lo vivo, mas apesar de tudo não estava. Queria sentir o sangue dele escorrendo das minhas mãos, mas ele não merecia uma morte rápida. Passar o resto dos dias dele lembrando que a sua duplicata era o motivo de estar preso, seria minha real vingança. E isso me deixava feliz.

Pequena Stark IIHistórias para pegar e não largar. Descubra agora