20 - O amigo da vizinhança

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-Cadê o Sam?

-Foi arrumar um celular. De saída? – Steve pergunta, perto da janela.

-Já passou da minha hora. Agora eu tenho a quem responder pelos meus deslizes. Não posso piorar as coisas.

-Não acho que exista um meio de piorar.

-Lhe falta imaginação – ele se cala – Bucky já sabe sobre nós. Se ele estiver estranho, é por isso. Acho que é muita coisa pra ele – Steve assente.

-É muita coisa pra todos nós – Steve me observa alguns segundos – Eu ainda te conheço bem. O que está te incomodando?

-Os outros Soldados Invernais. Ele os treinou, assim como a mim. Eles sabiam outros idiomas, assim como eu. Eles foram modificados, assim como eu. Eu não vejo isso como coincidência.

-Acha que eles queriam te transformar numa deles? – pergunta.

-Uma nova geração de Soldados Invernais, praticamente imortais. Acha que a Hidra ia desperdiçar uma oportunidade dessas? O extremis era um produto. O que eles não esperavam é que Killiian tivesse interesse pessoal no uso da fórmula.

-E acabou que não deu certo pra ninguém.

-Nunca dá. E não é tudo – continuo em voz baixa – O livro vermelho apareceu, Steve. Se aquele médico chegar perto o suficiente de mim, pode me reiniciar. E eu duvido que alguém consiga me parar.

-Já conseguimos uma vez.

-Vai ser diferente. Quando eu for reiniciada vou estar na forma mais letal, sem ninguém com quem eu me importe. A Nicolle que você conheceu já era fragilizada.

-Fragilizada? Você parecia tudo, menos frágil.

-Sabe o que eu quis dizer. Nicolle se importava muito com o Bucky, isso foi a queda dela.

-E também será a sua – comenta – Você se importa com muitas pessoas. E quando amamos alguém, podemos ser machucados.

-É, acho que sim...

Steve abre um pequeno sorriso com a resposta.

-Você não negou – ressalta – Você o ama.

-Eu acho que não estou em condições de sentir nada além de medo agora, e vai ser melhor pra todo mundo se eu manter a cabeça no lugar – respondo. Steve se aproxima.

-Nada vai acontecer com você, ok? Se puder, vou impedir – levanto uma sobrancelha – O que? Tenho que parar de me preocupar? – dou de ombros, deixando o silêncio mais uma vez tomar conta do ar que me cercava.

-Uma pergunta – digo – Por que não me contou da existência da Sharon?

-O que quer que eu diga? Que eu tinha medo de contar pra você?

-Eu queria que fosse sincero. Que tivesse a coragem de me dizer que queria ser feliz, mesmo que não fosse comigo. Sempre foi o que eu quis, apenas ver você feliz – respondo com calma. Apesar de tudo, a conversa era bem tranquila – Agora você está livre pra seguir em frente, sem o meu fantasma te atormentando. Vou procurar Sharon Carter. Ela tem mais condições te ajudar vocês do que eu.

Caminho para a saída.

-Uma pergunta – imita – O que você sentiu quando me viu com ela na igreja? – encolho os ombros.

-Não senti nada.




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