Porque a VIDA foi
manifestada, e nós a vimos,
e testificamos dela.
(I João 1:2)
🌸🌸🌸🙌🙌
Melissa
Sou uma adolescente confusa. Não sei o que quero para mim. Nada faz sentido. Ninguém entende. Me classificaria como alguém que é cuidada por outro alguém, que não é especializado em estudar a mente humana ou palavras em que minha alma não sabe dizer, mas sabe, perfeitamente bem, lidar com tal.
É muito confuso entender minha vida. Afinal, sou um poço de humores que não são um dos melhores. Seria eu esquizofrênica? Talvez; trinta por cento.
Me chamo Melissa Motta, tenho dezessete anos. Terminei o ensino médio e no memento estou parada em casa e também na vida. Na verdade, tem um lugar que vou sempre e que faz parte da minha rotina: a casa de Lucy. O nome dela é Lúcia, mas gosto de chamá-la pelo apelido.
Ela é...meia que psicóloga? Bom, cuida bastante de mim e me entende sem fazer nenhum esforço.
Tenho um irmão de vinte e seis anos. Se chama Jonas. Não mora mais comigo. Como sinto sua falta.
Flashback on ~~
— Sua... — meu pai range os dentes.
— Não foi culpa dela pai! — repreende meu irmão. — A culpa foi minha.
Flashback off ~~
O monstro que me gerou é uma pessoa muito agressiva e fria. Já perdi a noção de quantas vezes suas mãos me feriram. Ao contrário de minha mãe; tão meiga e guerreira.
Me dói tanto saber que muita das vezes apanhou por minha culpa. Já flagrei no quarto, chorando e com marcas brutas em seu corpo; negando sempre em ter apanhado.
Ela é cristã, só vai a Igreja quando meu pai não está em casa, porque quando o mesmo se encontra, ela precisa estar presente, senão ele quebra tudo, pois além de mostro é alcoólatra.
O que me dói?
Não poder fazer nada. Tenho que passar por tudo calada. Ninguém sabe. Ninguém vê.
Amigos?
Hum... só meninas. Se por um acaso meu pai souber que tenho amigos homens e que se um dia eu namorar escondida, é capaz me matar! Nem sei para quê tanta insegurança sendo que o mesmo nem conversa comigo direito. Só sabe me humilhar.
Acho que só ela sabe o motivo de ele ser assim e já cansei de tentar descobrir toda verdade. Só espero que não seja tarde demais.
(...) 🌸
Sofro de uma doença psicológica chamada transtorno bipolar. É bem raro me controlar, apenas uma pessoa consegue fazer isso quando minhas crises atacam.
Maria, minha mãe tentou me levar na igreja diversas vezes, alegando que lá existe a cura e soluções para todos os seus problemas. Não consigo acreditar, porque a vida dela é a prova que não existe cura! Como a mesma pode afirmar isso, frequentando aquele lugar todos os dias e a vida continua uma perturbação?
Meu universo é totalmente diferente. Me sinto sozinha, não posso me comunicar com os seres que sorriem.
A alegria para mim? É passageira, nunca fica. É falsa, sempre vai embora e me deixa aqui, na solidão.
Quando a tristeza chega, eu abro a porta, pois não existe saída. Não tem como rejeitá-la. Já faz parte do meu cotidiano.
A depressão mora em mim.
— Já arrumou suas coisas? — pergunta ele, seriamente. Aquela voz grossa e carregada de rancor, me traz arrepios e medo.
— Estou terminando.
— Quero saber quando você vai deixar de palhaçada! — resmunga. — Ou será que estás se fingindo de maluca só para eu ter pena de você? Talvez esteja marcando encontro com alguém na casa de Lucy, por isso fica por lá em três em três dias. Que tratamento psicológico é esse que não termina?
— Pense o que quiser. — sussurro. Às vezes eu o enfrentava. Era necessário.
— Fale mais alto! — vocifera. — Só não lhe arrebento por causa do... maldito!
Deve estar bebo. Só pode.
Vou passar três dias na casa de Lucy. Queria poder ficar aqui, cuidando de minha mãe, só Deus sabe o que se passa nesta casa quando estou fora.
Imagino coisas ruins, porém ela afirma o contrário.
— Tchau. — dou-lhe um sorriso fraco.
— Tchau, minha filha. — diz com os olhos marejados.
Tenho certeza que não quer que eu vá. Sei que se sente sozinha.
— Se a senhora quiser e....
— Não precisa. — interrompe. — Trate de cuidar dos seus problemas, para que tenha uma vida melhor no futuro.
— Ok. — curvo a cabeça. — Te amo.
✍
Mais tarde...
— Entre, minha querida! — diz Lucy com um sorriso cativante.
Entro e coloco minhas coisas dentro do quarto. Já tenho em mente as perguntas que ela irá me fazer. Lucy não é uma psicóloga, só a rotulo assim, pois é a única que me entende.
Trabalhou na faculdade com meu pai a muitos anos, por isso confiou em me deixar dormindo aqui.
A primeira vez que bati um papo com ela, me apaixonei! Eu nem precisava completar a frase daquilo que sentia, pois simplesmente terminava.
— Quer conversar? — pergunta, parada na porta.
— Agora não. — digo.
— Quer que eu faça aqueles bolinhos que você adora? — pergunta já sabendo a resposta.
Ah, os bolinhos! Não tem outro melhor.
— Sim! — sorrio um pouco mais animada.
— Hum, quando fala em comida...o sorriso expande. — brinca.
Comida é vida.
— Depois quero falar contigo sobre uma visita. — se retira.
Visita?
Lucy nunca foi de receber visitas. Sei que ela tem irmãos que não moram perto. Espero que não fiquem por muito tempo, só de passagem. Odeio ser tirada atenção, principalmente das pessoas que eu gosto.
🌸
🌸
🌸
🌸
VOCÊ ESTÁ LENDO
Herdeira I
EspiritualObra concluída ✔️ #3 em Espiritual - 07/09/2017 #4 em Espiritual - 30/08/2017 #5 em Espiritual - 31/08/2017 #6 em Espiritual - 04/09/2017 #7 em Espiritual - 29/08/2017 #9 em Espiritual - 02/09/2017 #1 em AmordeDeus - 16/08/2019 Ela não sabe que ex...
