Capítulo 2

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Acordar cedo era a segunda pior coisa do mundo. No meu caso, ir para a escola era a pior. Aguentar tudo. Quer dizer, tentar.

Quando meu despertador tocou eu tive vontade de o jogar pela janela. Mas me contive, me levantei e fui desligar aquela porcaria que ficava tocando alto. Era oito  da manhã e eu estava nessa falta de vontade . Meu pai disse que no Brasil as aulas começam as sete e não as nove como a minha. Eu já morria nesse horário, imagina nas setes...

Tomei um banho rápido e nem lavei o cabelo. Fiz um coque pois estava com preguiça de pentear, fiz minhas higienes e peguei a pomada que eu usava todos os dias.

Como meus dedos eram mais sensíveis que os outros, eu usava uma pomada para evitar irritações e possíveis inflamações. Vesti uma calça leggien, pois hoje tinha educação física, uniforme e tênis. O meu tênis parecia um salto, sem o salto. Sim, era curvilíneo mas sem nada que o sustentasse. Eu andava com o peito do pé, e não com o pé todo apoiado no chão. E isso era motivo de piada para muitas pessoas.

— Bom dia.— Digo assim que chego na mesa onde toda minha família estava.

— Bom dia.— Todos dizem em uníssono.

Me sento ao lado da minha mãe, ela mexia freneticamente no celular, mas ela não gostava de mexer... Olhei direito e vi que não era o celular dela e sim o do meu pai. Por isso esse desespero todo.

— Calma aí dona Sophia, o celular não tem culpa de nada. — Digo bricando pois ela fuzilava o mesmo.

Minha nossa, o que estava acontecendo?

— O celular não, mas seu pai sim. Oliver se eu ver essas mensagens aqui de novo eu quebro ele no meio da sua cara.— minha mãe diz com raiva. — Ou melhor, não vou precisar fazer isso.

Dito isso minha mãe joga o celular do meu pai dentro da jarra de suco. Todos nós olhamos para ela assutados com sua atitude.

— E eu tenho culpa de receber essas mensagens? Essas mulheres que falam comigo, eu não fiz nada.— meu pai diz indignado tentando se defender.

— Justamente. Elas devem achar que você é solteiro, ah mas elas vão ver...

Minha mãe engole um enorme pedaço de croissant e eu tive vontade de rir.

Esses ataques dos dois logo no café.

— Vamos, mãe?— Pergunto a ela.

— Vamos.

Minha mãe me levava na escola, embora fosse bem perto. Sobre a briga mais cedo, deixe - me explicar. Meu pai é dono de uma rede de academias, antigamente ele trabalhava diretamente lá, mas agora só cuida da parte administrativa, já que são mais de cento e  oitenta academias espalhadas pelo país. Ele e o tio Ethan trabalham em uma espécie de escritório e é claro que tem que ter secretário/a , contador... esse tipo de coisa. E nisso há muitas mulheres que trabalham na empresa. E algumas delas são bem atiradas, muito mesmo. E mesmo ele sendo casado, arrastam asa pra cima dele. Afinal, meu pai era mais gato do que os garotos da minha escola.

Eu no lugar teria ciúmes também. O Ed não ia com a gente porque ele gostava de ir de bicicleta, sim ele era cheio dessas manias fitnes. Eu era a única sedentária da família.

Em menos de cinco minutos chegamos na escola e eu desço devagar.

— Tchau gata, bom dia.

— Tchau mãe.— digo e Sorrio para ela.

Atravesso a rua e entro na escola. Aqui na escola  havia uma grande concentração de pessoas idiotas e medíocres. Dava nojo de cada um deles as vezes.

Victoria ( LIVRO 3)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora