*Dipper*
Escutei o que parecia ser a porta destrancando-se; porém não entrei no quarto, só iria entrar quando Mabel permitisse. O suor descontrolado, que escorria rápido sobre a face; o coração á mil, quase tendo um ataque cardíaco; o nervosismo, que começara a tomar posse de todo o corpo: era assim que eu me encontrava agora. A esse ponto, minha respiração começara a se descontrolar de novo; entretanto eu consegui - desta vez - me controlar. Depois de alguns segundos, pude escutar um sussurro abafado dizendo "Entre". Toquei na maçaneta timidamente, nervoso e ansioso pelo que estava por vir; girei-a, fechando os olhos e respirando fundo, tentando aliviar meu nervosismo e ansiosidade. Adentrei o quarto, tremendo da cabeça aos pés por conta do nervosismo e da ansiosidade. Olhei para a cama de Mabel, a mesma se encontrava lá, encolhida com um travesseiro enfiado em seu rosto. Observei Mabel, estranhando o travesseiro em seu rosto e o fato dela ter trocado de roupa. Sim, ela tinha trocado de roupa. Antes ela estava com um suéter branco, o qual tinha estampado em sua frente um porquinho rosa-bebê comendo um jornal, enquanto olhava para cima com uma cara super fofa; um short azul escuro; e um all star preto. E agora ela estava usando um suéter roxo e uma calça jeans. Obcecado, eu? Não, imagina...
Bufei, frustrado, imaginando os motivos para Mabel ter trocado de roupa sem mais nem menos. Bufei de novo, quando percebi que nenhuma teoria fazia sentido. Olhei para frente; Mabel ainda se encontrava encolhida com o enorme travesseiro branco em seu rosto. Fechei a porta e caminhei em passos lentos em sua direção. Sentei calmamente sobre a cama de Mabel, a mesma nem se incomodou, apenas continuou forçando o travesseiro contra seu rosto. Ficou um silêncio desconfortável depois daquilo; porém ambos aparentavámos estar ocupados de mais para puxarmos assunto um com o outro: de um lado, eu, perguntando-me mentalmente o por que de toda aquela insistência em manter o travesseiro, que lhe escondia o rosto que eu, em tantas noites em claro, admirava, e do outro, Mabel, escondendo seu rosto atrás do travesseiro, o que me despertava mais curiosidade ainda. Estava na hora de acabar com aquilo... Está na hora de pronunciar algo.
- Mabel...- sussurrei, procurando as palavras certas. - Você está bem?
- Huhum - ela balançou sua cabeça, confirmando; entretanto não largou seu travesseiro.
Bufei com aquela afirmativa falsa: se ela está bem, por que, então, fica escondendo o rosto atrás do travesseiro, me impedindo de apreciar sua infinita beleza?
- Mabel, eu sou seu irmão! Sei que tem algo errado acontecendo. Vamos, diga-me! - disse, enfurecido. Mas ela nada fez, apenas continuou com o tão insistente travesseiro em seu rosto.- Por favor... Me... Me deixe ver seu rosto, ao menos.
De novo Mabel não teve reação, apenas ficou parada segurando com força seu travesseiro, como se implorasse para que o mesmo não fosse retirado de seu rosto. Por que ela está tão estranha? Será que algo grave aconteceu?! Fiquei um tempo olhando para Mabel, me perguntando o por que dela estar tão apegada á seu travesseiro. De novo, o silêncio permaneceu. O travesseiro em seu rosto já estava á me enlouquecer; tudo que eu mais queria agora era ver Mabel, mas como posso fazer isso se o travesseiro lhe esconde o delicado rosto? Chega! Estava na hora de parar de pensar e tomar logo uma atitude. Quando vi Mabel afrouxar um pouco seu aperto, retirei o travesseiro de sua mão, jogando-o longe. Logo pude ouvir o barulho de algo quebrando-se. Em uma fração de segundos, olhei pra atrás, e vi o abajur no chão e ao seu lado o travesseiro. Para o meu azar, o barulho de algo se quebrando foi causada pela lâmpada. Resultado: vidro quebrado para todo o lado do quarto. "Tinha que ser", pensei, enfurecido. Retornei meu olhar para Mabel, a mesma tentava inutilmente esconder seu rosto através de suas pequenas mãos e seus longos cabelos, que lhe caíam na face por estar de cabeça baixa. Peguei cuidadosamente nas mãos de Mabel e fui afastando-as, aos poucos, de seu rosto. Mabel, á princípio, pressionou com força suas mãos contra seu rosto, mas logo cedeu, desfazendo minha curiosidade.
