Dipper X Aidan

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🌌Autora🌌

Bang! O barulho do tiro ecoou até nos mínimos cantos de Gravity Falls, indo dos becos imundos que só serviam para abrigar beberrões mijões até as grandes bibliotecas que existiam lá. Talvez eu esteja a exagerar um pouco, já que fora um simples tiro com dardos sedativos, e não uma bomba igual a que caira em Nagasaki no dia 9 de agosto de 1945, deixando que mais de 40 mil pessoas morressem com a marca do medo e pavor em seus rostos. Mas no calor do momento é difícil não exagerar com suas insinuações ou atos, certo? E essa, sem dúvida, fora a mesma questão que ocorrera com Stanford.

"Ele sequer pode pensar no que estava se metendo, se estava dando um passo maior do que sua perna permitiria, se estava dando ouvido ao seu anjo interior ou ao seu pequeno e tão poderoso diabo interior. Não! Ele só tirou sua arma de seu grande bolso e atirou no jovem garoto á sua frente, que, por ironia do destino, era seu próprio sobrinho, sangue do seu sangue.": eram essas as palavras que eu queria, com todas as minhas forças, que descrevessem o momento de agora, mas, infelizmente, esse não é o caso. Eu queria muito, nesse momento, dizer que tudo não passou de uma simples reação instantânea, que, ainda assim, seria taxada como uma coisa irresponsável, inconsciente e, em certo ponto, inocente, já que os músculos do ser acabam por reagir bem mais rápido do que a voz da boa consciência. Eu queria poder falar que Ford é inocente, e que tudo não passou de um simples engano, mas estaria mentindo se o fizesse. Ou melhor ainda! Eu queria, sem sombra de dúvidas, dizer que isso tudo fora um sonho de nossos tão amados protagonistas, e que um deles estava prestes a acordar em três... dois... um. Mas, infelizmente, eu não posso fazer isso. Eu simplesmente não posso mudar os fatos - mesmo que muitas vezes eles sejam ruins e deploráveis - por motivos egoístas, por meus motivos... Não! Eu não posso fazer isso, eu simplesmente estaria revertendo os fatos por razões egoístas. A única coisa que eu posso fazer é narrar, contar os fatos, sejam eles bons ou ruins

E eu simplesmente não consigo entender o porquê de Ford ter feito aquilo tão, digamos, exagerado e desnecessário. Quer dizer, o garoto, além de não carregar arma alguma consigo, ainda tinha a terrível desvantagem de estar todo fudido tanto emocionalmente quanto fisicamente. Então o que levou Ford a tomar um impulso tão exagerado e irresponsável? Não que ele não tivesse tido tempo suficiente para digerir os fatos e pensar sobre o que estava prestes a fazer. Não. Até porque ele pensara por muito tempo quais seriam as reações certas a se tomar naquele momento tão delicado, e como não tinha muitas opções, apertou o botão do foda-se e disparou o sedativo com punho firme e determinação.

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O barulho estrondoso ecoou por toda a residência Pines, indo da cozinha onde Stan bebia um pouco de café até o quarto onde uma criança dormia agarrada a um pequeno ursinho. Os demais que naquele aposento estavam se assustaram com o barulho alto e estranho, porém não ligaram muito, já que em Gravity Falls tudo era possível. Eram tantas as anormalidades em Gravity Falls, certo? Monstros, gnomos, zumbis, entre outras diversas esquisitices, rodeavam a pacata cidade de short jeans enquanto sorriam, então por que eles se preocupariam com um estranho barulho? E, assim, eles ignoraram o estranho som e voltaram ao que estavam fazendo. Entretanto, havia alguém que não poderia simplesmente ignorar o estranho e alto barulho, já que, além de escutar o desagradável barulho do sedativo sendo disparado contra sua "antiga" paixão mirim, ela também tinha visto a cena com seus próprios e desesperados olhos: Wendy.

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Wendy, antes da confusão toda, fumava calmamente seu cigarro, em pé, em baixo de uma árvore, cujo os galhos balançavam com calma e sintonia. Ela observava com um olhar de serenidade a fumaça que saía de sua boca, se sentindo finalmente completa. Seus ouvidos estavam atentos ao som que a natureza oferecia, ouvindo o doce som dos passarinhos a cantar e o vento, que balançava sutilmente os galhos das árvores.

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