Sem você, eu sou fraco

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🌌Autora🌌

De repente mais nada fazia sentido para ele; estava no chão jogado, enquanto a cabeça latejava de dor e a visão ficava cada vez mais turva. Ele não conseguia ver quase nada á sua frente, só tinha lembranças daquele péssimo dia, que infelizmente ainda não tinha um ponto final definitivo. Ele se lembrou dos olhos castanhos de Mabel, fitando-o preocupada. O que seria dele sem ela!? Ela era sua luz! Então, como ele veria através da escuridão agora?

- Mabel... - ele sussurrou, fraco, estendendo sua mão para o além, tentando alcançar aquilo que, para ele, era sua maior preciosidade. - Me perdoe...

O carro avançava velozmente, deixando que a sujeira do chão se levantasse junto ao pó. Dipper ainda estava no chão quando isso ocorreu. Ele viu o momento em que sua irmã sumiu diante de seu olhar turvo. Ele viu quando o carro daqueles malditos policiais adentrou na perversa floresta, desaparecendo entre os galhos dos pinheiros. E ele viu quando a primeira lágrima lhe escorreu sob a face.

Dipper não acreditava que aquilo estava à acontecer. Ele se beliscou diversas vezes para ver se estava em um pesadelo - "Um terrível e inimaginável pesadelo!". Porém, todos os beliscões fizeram sua epiderme arder. Aquela era a realidade... A dura e impiedosa realidade.

Ele tentou não chorar. Ele tentou não deixar mais nenhuma de suas milhares lágrimas caírem. Ele tentou se levantar e provar para si mesmo que era forte. Porém, ele sabia que todo seu esforço era em vão; ele era fraco sem Mabel. Sem Mabel ao seu lado ele se sentia como um ninguém. Não, ninguém, não! Como um nada! Uma "coisa" que não têm nenhum valor e importância; aquele que não fará diferença nenhuma no mundo. Talvez todas as pessoas sejam assim: não fazem diferença no mundo se viveram ou deixaram de viver. Entretanto essas pessoas tinham amigos, parentes e colegas para que, mesmo depois da morte, se sentissem importantes e orgulhosas de seu papel aqui na terra. E talvez eles se sentissem felizes por terem feito parte da história de outra pessoa. E talvez ele se sentissem felizes por terem feito tal pessoa sorrir... Talvez... Talvez eles tenham falecido com um sorriso no rosto, orgulhosos por terem feito as pessoas ao seu redor se sentirem importantes. Mas isso tudo não iria acontecer com Dipper, já que sua irmã, a única que se sentia orgulhoso por lhe arrancar um sorriso sereno e bonito nos dias frios, foi arrancada severamente de seus braços sem que os dois pudessem se despedir um do outro de uma forma digna.

Naquele momento, ele sentia como se estivesse na época da escravidão, aonde os escravos trabalhavam dia e noite, não sendo considerados pessoas, mas, sim, robôs... Robôs que não continham sentimentos e, muito menos, alma. Ele sentia-se como se fosse uma escrava, a qual acabara de dar a luz a uma linda menina de olhos encantadores; e com um sorriso ela, a escrava, falasse no creole, a língua dos negros: "Minha linda menininha, eu te amo...". Mas, de repente, o homem de pele tão branca - cuja a escrava era obrigada á chamá-lo de patrão, ou senão seria punida com inúmeras chibatadas - tirava da mãe sua maior preciosidade, vendendo-a por um preço bem mais baixo do que sua alma e sentimentos valiam. E a escrava nada podia fazer, apenas chorar e torcer para que seu patrão não á ouvisse.

Ele se sentia exatamente assim.

Sem Mabel, ele não era nada. Mabel era a única que parecia estar preocupada com ele, ficando ao seu lado sempre nas horas mais importantes. Seus pais? Bem, Edward Pines estava como sempre mais preocupado com seu emprego e status do que com os filhos. Sua mãe, Bárbara Jones, vivia cambaleando pela casa, levando uma garrafa de whisky na mão, e em um só gole, secando-a, tentando esquecer a infidelidade do marido. Visitavam-o poucas vezes, e quando o faziam era só para ver se os gêmeos não tinham posto fogo em sua preciosa casa que tanto dinheiro e sacrifício foi investido. Eles se preocupavam mil vezes mais com os bens materiais e em como a sociedade os via do que com os filhos, os quais faziam de tudo para ter pelo menos 5 minutos da atenção dos pais, mas acabavam sempre falhando.

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