Nada irá ficar bem...

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🌌Autora🌌

Mabel já olhara inúmeras vezes para trás, tentando reencontrar os olhos de seu irmão, que vagavam perdidos pelo além. Ela prometeu a si mesma que aquela seria a última vez que faria isso, mesmo estando com dúvida se cumpriria sua própria promessa. Aquilo era inútil, e Mabel sabia disso. Entretanto, os olhos de Dipper pareciam tão perdidos, como se todo aquele brilho que sempre tivera em seus olhos,  agora, tivesse desaparecido, deixando a vasta escuridão dominar. E ela até pensou em olhar para seu próprio reflexo, tentando se recordar de como eram os olhos de Dipper, imaginando que, pelo menos,  um pouco da dor desapareceria. Porém, tudo que ela viu foi uma menina de longos cabelos castanhos com alguns ferimentos expostos em seu rosto. Ela acabou achando o brilho de seus olhos, mas não viu Dipper, só viu Mabel, a menina que agora estava sendo levada para o presidio.

Ela não podia fazer mais nada; sua casa já estava muito longe. Ela sequer sabia onde estava naquele momento. Só sabia que estava em um carro com dois policiais, os quais, depois de uma conversa entre os dois, ela soube seus nomes. Mabel suspirou, derrotada. Como eles devem estar?", Mabel questionou-se metalmemte, enquanto apoiava seu braço na porta, observando, por uma fração de segundos, as casas, que com a velocidade do carro pareciam passar como um relâmpago á sua frente. "Espero que bem...", ela disse, em um sussurro, apoiando sua cabeça em sua mão. "Só espero que me perdoem...", Mabel pensou, enquanto alisava de leve sua aliança improvisada.

Ela se culpava por tudo que estava acontecendo. Tudo, tudo, tudo era sua culpa; se tivesse deixado as provocações  de Pacífica de lado e a ignorado - assim como uma pessoa decente faria -, talvez ninguém estivesse na situação que está agora. Talvez ela não teria deixado todas as pessoas próximas á ela chorando daquele jeito. Talvez ela não teria deixado o brilho dos olhos de Dipper se apagarem completamente, entregando-o á perversa escuridão. Talvez ela não teria sido a "responsável" por fazer Gideon estar no hospital (já que a briga, na verdade, era dela, e Gideon não tinha exatamente nada com aquilo). Como ele estaria agora!? Talvez estivesse em coma. Ou pior, morto! Tudo por culpa de Mabel! Talvez todos estariam melhor se Pacífica  tivesse a matado. Talvez a dor fosse embora mais rápido sabendo que Mabel estaria indo para uma lugar bom, ao invés de estar indo ao presídio... E Talvez ela não estaria, nesse momento, sendo devorada pelos olhos famintos de Robert, que focava seu olhar maldoso em cada extensão de seu corpo.

Robert vira algo em Mabel que nem ele mesmo sabia o que era. Talvez fosse sua voz, rouca pelo medo. Talvez fosse seu corpo, que, certamente, era avançado demais para sua idade. Ou talvez fosse a inocência que emergia de seu corpo através de suas bochechas ruborizadas. As más intenções brotavam na cabeça do perverso policial, que pensava seriamente em qual desculpa poderia inventar para ficar tanto  tempo a sós com a tal prisioneira sem que os outros policiais desconfiassem de suas verdadeiras intenções. Com seus olhos azuis, Robert penetrava Mabel, observando e deliciando-se com cada extensão delicada e tentadora do corpo da jovem.

Mabel, por um momento, olhou para frente, deparando-se com o policial que tinha os olhos mais azuis do que o mar em um dia de verão, devorando cada extensão de seu corpo; e nem mesmo as grandes grades que dividiam o assento do ladrões e dos policias o impediram de fazer. Ela olhou para cima, tentando evitar contato visual, enquanto suas bochechas ficavam cada vez mais vermelhas. Ela ficou assim por um certo tempo, tentando desviar-se do maldoso olhar que aquele policial á lançava, porém aquilo já estava a incomodando. Ela precisava dar um ponto final naquilo...

Mabel, então, de canto de olho, olhou para frente, esforçando-se para fazer o menor movimento possível com a cabeça. Mabel ficou confusa quando viu que os olhos de Robert sequer se mexiam, pareciam apreciar somente á uma coisa. Uma coisa que ela não conseguia entender o que era.

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