Inocência

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*Dipper*

   Acordei com Mabel pulando em cima de mim, de novo.

- Acorda, Dipperzinho!- gritou animadamente, enquanto quicava em cima de mim. Estava com medo de ficar excitado.

- Mabel, para de quicar em cima do meu pau!- gritei. Mabel foi saindo de cima de mim.- Porra, Mabel! Quando  acontecer um "desastre" você não reclama.

- Que tipo de "desastre" pode acontecer, maninho?- perguntou inocentemente.

- Nada - susurrei.

   Mabel é muito inocente. Eu simplesmente não posso explicar para ela o porquê de uma pessoa não poder quicar em cima do "pau" da outra. Entende? Seria pesado de mais para alguém como ela. Mabel me tira de meus pensamentos.

- Vamos, Dipper! Vai se arrumar ou ficar aí olhando pra parede? - ela balança as mãos em frente a meu rosto.

- Não enche!

   Me levantei em um pulo de minha cama e fui para o banheiro. Tomei banho, escovei os dentes, pentiei o cabelo e fui para meu quarto. Botei uma roupa e peguei minha mala.

   Estava saindo do meu quarto, quando me lembrei que tinha que pegar meu celular e meu livro. Meu celular estava em cima da cômoda, agora só faltava achar meu livro. Procurei no meu armário, nas gavetas e na estante. Nada. Quando finalmente achei meu livro, que estava em um baú, acabei por encontrar também o antigo "presente" que Wendy havia me dado. Peguei-o, olheio-o e sorri. Lembrei de Wendy. Lembrei de todas as vezes que chorei abraçado a aquele trapper. Levei-o até meu nariz e, comecei a cheira-ló. Era incrível! Mesmo com o passar dos anos ainda tinha um pouco do cheiro da Wen...
Mabel entra em meu quarto, me interrompendo.

-Ahhhh! Você ainda gosta da Wendy!- exclamou alegremente.

-Ér...que, bem...eu...- comecei a gaguejar violentamente. Senti minhas bochechas esquentaram.

-Você não vê, Dipper?! Essa é sua chance!- Mabel segurou em meus ombros e olhou no fundo dos meus olhos.

-Chance?! Chance de que, Mabel?!

- Dãã! A chance de ficar com a Wendy, é claro!

- Mabel, eu não gosto da Wendy!

- Dip, Dip, Dip - balançou a cabeça e apertou meus ombros.- Irmão, eu te conheço desde que nós nascemos. Eu te conheço, e, sei que está a fim da Wendy.- disse, olhando diretamente em meus olhos.-Confia em mim, irmão. Antes de nós sairmos de Gravity Falls, você vai ter dado uns pegas na Wendy.- ela coloca o trapper na minha cabeça.

  Eu iria responder Mabel, dizendo mais uma vez que eu não estava a fim da Wendy, mas ouvi a buzina do ônibus.

- Mabel, vamos!- peguei em sua mão e me direcionei para fora de casa.

   Estávamos na porta do ônibus, havíamos chegado à tempo.

O motorista nos olhou secamente. Ele era um homem que parecia ter uns 75 anos.  Sua pele era enrugada e gelatinosa, os cabelos eram brancos e os dentes nem existiam mais. Ficamos um tempo se encarando. O silêncio reinava, até que o motorista resolveu quebra-ló:

- Estão esperando o que para entrar, seus merdas?! Um convite formal?!- gritou rudemente.

   Entramos e nós sentamos em um assento qualquer. Olhei para minha mão, e a mesma ainda estava entrelaçada com a de Mabel. Corei.

PinecestOnde histórias criam vida. Descubra agora