*Mabel*
Fiquei olhando surpresa e desnorteada para ela. Tentei me levantar, mas minhas pernas estavam trêmulas. Eu sentia todo o peso do mundo sobre minhas costas. Parecia que Pacífica tinha despertado algo dentro de mim, que seja o que for, não queria se calar de jeito nenhum. Ela ainda estava de pé esperando eu me levantar. O meu ódio só aumentava. Toquei em meu nariz, ele estava sangrando. Levantei, apesar de minhas pernas ainda estarem trêmulas, por conta do susto. Logo, elas pararam de tremer, e me manti com os pés firmes no chão. Encarei Pacífica. Ela estava com um sorriso no rosto, como se zombasse do estado em que eu me encontrava. Vingança: era tudo que eu pensava. Vingança contra aquela cadela desalmada.
- Sua puta!- gritei avançando para cima dela.
Tentei acertar um soco em seu rosto, mas ela desviou e deu outro soco em minha bochecha. Fui de encontro ao chão novamente. Minha visão começou a ficar turva. Me sentei e fechei os olhos com toda a força do mundo, tentando retornar ao meu estado normal. Botei a mão em minha cabeça. Olhei para todos os lados tentando, agora, me acostumar com a visão turva. Mas não dava. A cada piscada minha visão piorava cada vez mais. Pacífica se aproximava. Atrás dela eu podia ver um vulto amarelo, ele(a) parecia estar sorrindo. Tudo ao meu redor girava. Eu podia ver as cores se desfocando, e no lugar do colorido, assumindo um preto intenso. Tentei balançar minha cabeça, mas a minha visão não voltava de jeito nenhum ao normal. Pacífica agarrou a gola de meu suéter e aproximou nossos rostos. Ela riu de mim. Estava com muito ódio. Sentia meu sangue fervendo. "Quebre a cara dela!" dizia meu subconsciente. Dei um soco e um chute em seu rosto. Ela se afastou e pôs as mãos no lugar onde eu havia machucado. Automaticamente minha visão melhorou. Parecia que eu havia adquirido mais força. Essa era minha chance.
Me levantei com todo o ódio do mundo e fui correndo para cima de Pacífica. Consegui acertar um soco bem na fuça dela. Em seguida, dei um chute em sua barriga. Ela urrou de dor e caiu no chão. Aproveitei da situação e subi em cima dela. Pacífica me olhou assustada, como se perguntasse o que eu iria fazer com ela. Em retribuição, eu sorri. Um sorriso perverso e macabro.
Dei vários e vários tapas e socos em seu rosto. Seu nariz já sangrava, seu olho estava roxo e seu rosto já estava todo vermelho, mas não parei. Eu sentia como se algo ou alguém me influenciasse a fazer aquilo. E seja o que for- alguém ou algo - aquilo era ótimo. Eu me senti tão bem comigo mesma.
Pacífica, em um gesto rápido, agarrou o pingente de seu colar azul e o apertou com força. Automaticamente seus olhos ficaram contraidos e azuis. Um brilhante e estranho azul. Eu podia jurar que de seus olhos insanos saía uma fumaça estranha da mesma cor de seus olhos. Ela começou a rir perversamente. Não um riso normal, mas sim um riso psicótico. Parei de bater nela por medo, mas logo o ódio retornou e comecei a espancá-la de novo. Continuei batendo nela, mas parecia que quanto mais eu fazia isso, mais ela ria e sentia prazer e graça daquela situação. Ela não piscava, parecia até que seus olhos olhavam no fundo de minha alma. Sua risada foi ficando cada vez mais alta á medida que eu batia nela. Eu tampei meus ouvidos com minha mão quando seu riso começou a ficar histericamente alto e insuportável. Olhei para sua mão, a mesma ainda estava segurando brilhante e azul pingente. Peguei em seu colar pronta para jogá-lo longe.
Automaticamente ela parou de rir e olhou séria pra meu rosto. Seus olhos começaram a ficar pretos e um grande e perverso sorriso rasgou suas bochechas, literalmente. Eu podia ver sangue saindo de seus olhos e de sua bochecha, a qual fora cortada por um perverso e grande sorriso. Ela parecia estar possuída. Parei de bater nela. Comecei a ficar apavorada. Não deu nem tempo de respirar, pois, quando eu vi, uma densa e escura fumaça já me encobria.
De repente o lugar ficou todo escuro. Olhei para o chão e Pacífica não estava mais lá. Corri por todos os lados tentando sair daquela escuridão, mas parecia que quanto mais eu tentava, mais perdida eu ficava. Comecei a ouvir vozes e risos vindo de todos os lados. Senti algo tocando em mim. Me virei, esperando encontrar algo, mas não encontrei nada. A esse ponto eu já estava ficando mais que apavorada. "Como ela pode fazer isso? O que está acontecendo? Que lugar é esse?" me perguntava mentalmente. Meu pé acabou chutando algo no chão. Olhei para baixo e vi uma faca, a qual parecia ser de chef. Me ajoelhei e a peguei. "Don't think, just kill!/ Não pense, apenas mate!": era isso que estava escrito na faca. A "tinta" ainda não tinha secado. Passei meu dedo naquela coisa vermelha e levei de encontro ao meu nariz. Cherei e tinha cheiro de algo metálico. Sangue. Aquilo era sangue. Joguei a faca longe com o susto, mas logo escutei barulho de passos e a peguei do chão. Vários gritos e pedidos de ajudas puderam ser escutados. Senti algo respirando pesadamente em meu pescoço. Era um ar quente e fétido. Um calafrio percorreu minha espinha.
