Aresto momentum

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Tic-tac

Tic-tac

Quantas batidas um relógio dá, até que a vida se esvaia de um corpo cansado?

xx

Acordei num lugar estranho. Um quarto branco e cinza, as paredes tinham quadros de paisagens, que disfarçavam as muitas rachaduras e infiltrações. Eu jamais havia visitado os Lugares retratados nas telas, e talvez nem chegaria a visitar . Eram paraísos tropicais, ilhas e arquipélagos, pude concluir de minha observação sonolenta.

Talvez eu estivesse morto. Ou esperando meu julgamento.

Mas não achava que o tártaro fosse branco, muito menos decorado com quadros de lugares paradisíacos.

O barulho de algumas crianças brincando do lado de fora me chamou a atenção, e eu me lembrei que, caso não estivesse morto, seria pai. Consegui perceber um intenso formigamento no estômago ao trazer a informação de volta à memória. A palavra 'pai' caiu amarga em minha língua à medida em que fui me recordando de alguns fragmentos dos recentes - ou não tão recentes assim- acontecimentos. Minha boca, bastante seca, tentava, a todo custo, proferir algumas frases, chamar alguém que me explicasse o que havia acontecido.

Não precisei esperar muito. Uma mulher de cabelos vermelhos apareceu na porta do quarto em que eu estava. Ela me olhava com piedade, um semblante quase maternal.

" Olá, Sr. Malfoy. Sou Tina Cunnis, a medibruxa responsável pela sua recuperação."

Pisquei os olhos várias vezes, em descrença. Eu estava num hospital que não era o St. Mungus, pelo menos não como eu me recordava.

Mas não estava morto. Primeira observação. Saberia se isso era bom ou ruim depois, ainda nao podia comemorar.

A segunda observação era: Eu estava muito dopado, a julgar pela fraqueza nas pernas e pensamentos imbecis como pensar que apesar de velha, a tal da enfermeira Cunnis renderia uma boa diversão.

Resolvi sanar algumas das dúvidas que martelavam o meu cérebro, espantando as fantasias descabidas.

"Er...Cunnis...Que dia é hoje? Onde estão meus pais?" Perguntei, como o mesmo tom de quem cobra uma explicação de um empregado.

A mulher continuou me olhando, desta vez com curiosidade e uma pitada de indignação. Fechei meus olhos e soltei um grunhido impaciente. Ela percebeu.

" Desculpe, Sr. Malfoy, mas em sua ficha não constam os nomes de seus pais." Ela começou, a expressão curiosa ainda firme em seu rosto.

" Ora! Como assim? Como vim parar aqui, então?" A pergunta saiu raspando pela minha garganta, já muito seca, e não pude evitar um longo acesso de tosse. A enfermeira correu em busca da jarra de água ao lado da cama e entregou-me um copo cheio, que desceu queimando.

"Aparentemente o senhor não se lembra de nada" a mulher falava, mais para si do que para mim. " O senhor chegou aqui há três meses, banhado em sangue, a vida por um fio e..."

"Mas que diab..." Exclamei aturdido, quando vi um pequeno elfo, que eu conhecia muito bem, atravessando meu quarto, acenando para Cunnis e entregando-me duas cartas.

" Bom dia, senhor Malfoy, Dobby está a serviço do amigo Harry Potter. Foi Dobby quem trouxe o senhor aqui, no hospital, mas não posso ficar por muito tempo..."

"Conte-me o que aconteceu, Agora!" Ordenei, e Dobby não se curvou. Permaneceu com os bracinhos cruzados e uma expressão petulante nos olhos esbugalhados.

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