Aquele dia amanhecera mais quente que o normal. Era completamente normal acordar suando no Rio de Janeiro, querer ficar em baixo do chuveiro ou do ar condicionado o dia inteiro. Nenhuma novidade para Bruno, mas naquele dia, mesmo que ele tivesse dormido somente de cueca, amanheceu quente como o inferno.
Bruno tinha voltado para aquela falta de vontade de trabalhar. Tinha passado uma semana empenhado, e realmente gostando do seu trabalho. Estava focado em um projeto novo para um orfanato comunitário (a empresa gastaria muito dinheiro, mas iria crescer cada vez mais junto com os milhares de patrocinadores que se interessariam por aquilo). Bruno queria ajudar pessoas que não tinham tanto dinheiro assim, queria poder fazer algo por elas. Mas, infelizmente, não era o que a empresa que ele trabalhava queria. Ele insistira, participara de várias reuniões durante aquela semana para tentar convencer todos os acionistas, mas foi completamente negado.
"Nós não podemos gastar tanto dinheiro com orfanato quando temos milhares de shoppings a serem feitos pelo Brasil". Aquelas palavras hipócritas ficaram repetindo milhares de vezes na cabeça de Bruno, fazendo apenas que ele ficasse cada vez mais nervoso e com nojo do seu próprio trabalho.
Então, toda a animação que conseguira no sábado passado, sumira em um piscar de olhos.
Seu namoro com Paula estava cada dia mais esquisito. A foto tinha sido comentada em uma única vez, quando ele exigiu explicações para aquela merda. Logicamente que não adiantou de nada, já que a namorada começara a grita com ele no telefone, se descontrolando e citando todos os momentos que ele também fizera uma cagada: aqueles típicos momentos de ciúmes sem motivo, quando ele era marcado em uma foto com cinco caras e uma menina (que nem estava ao seu lado), ou quando ele curtia ou seguia alguma garota nova no instagram (já que ele deveria seguir somente Paula e sua família, e ela podia curtir todas as fotos do Cristiano Ronaldo, David Beckham e todos os caras com tanquinhos que existia no planeta Terra).
O maior problema não é o ciúme, claro que não. Às vezes, quando controlado, sentir ciúmes faz bem para o relacionamento (dê ênfase na parte controlada), mas o de Paula ultrapassava todos os limites do respeitoso, do saudável. E Bruno guardava tudo aquilo dentro de si, e não demoraria muito para que ele explodisse contra ela e mostrasse tudo que não estava gostando.
Uma semana que aqueles cabelos vermelhos não saiam dos seus pensamentos. Fios ruivos juntos com uma série de batidas descontroladas do seu coração. Toda vez que se lembrava daquela casa rústica (ou velha, você define do jeito que quer), sentia vontade de ir lá, bater naquele portão e esperar alguém sair dali de dentro – de preferência a dona dos cabelos vermelhos que fizeram que seu corpo derretesse levemente em cada pensamento.
Bruno expulsou seus milhares de pensamentos confusos, que iam da raiva que sentia do emprego, da tristeza que era namorar uma pessoa doida e aquela sensação esquisita causada por aqueles fios vermelhos. Levantou, se espreguiçou e foi tomar um café da manhã de gala: seu maravilhoso café com canela (a mistura mais louca e que ele não vivia sem), com o bom e velho pão com manteiga na chapa. Ele poderia até trabalhar em uma padaria perdida pelo rio de janeiro, mas preferia servir aquele cardápio digno de um restaurante 1 estrela somente para si mesmo. E também porque aquele café com canela era algo que somente ele gostava, então aproveitava que acordava cedo e fazia uma jarra para o decorrer do dia (mas sem canela, para Anajú não surtar, e também porque o café da Luísa era horrível).
Não demorou muito para que todos os moradores daquela casa acordassem e tomassem conta do balcão da cozinha. Bruno fez pão somente para si mesmo, mas pegou dois pacotes de pão de queijo e biscoito de queijo congelado e fez para as irmãs e o cunhado.
- A gente podia tanto ir para a praia hoje – Ana Júlia sugeriu, enquanto molhava um dos milhares de pão de queijo que ela comia no seu café. Era um velho hábito que os irmãos já tinham acostumado, mas não deixava de ser esquisito.
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(Amar)elo
Romanzi rosa / ChickLitLivro 2 - Série 'Parênteses'. Para ler esse você NÃO precisa ler o primeiro, mas receberá alguns spoilers do que aconteceu em 'En(tre)cantos'. ∞∞∞∞∞∞∞∞ Dizem por aí que os opostos se atraem. E opostos é exatamente o que Bruno e Monalisa são! Ela...
