O cheiro forte do perfume de Bruno já tomava conta da casa inteira. Primeiro ele tinha passado meio litro no banheiro, mas quando foi ao quarto decidiu passar mais uma vez. Como se não bastasse aquele tanto, ele decidira colocar um pouquinho a mais assim que chegou na sala.
O nervosismo tomava conta do corpo inteiro dele. Da ponta do pé até o último fio de cabelo, Bruno tinha células, nervosismo e muito perfume. Andava pela casa de um lado para o outro roendo a unha do dedinho e procurando Ana Júlia. A irmã estava tomando banho há quase duas horas (mas somente na cabeça dele, pois na contagem de tempo normal tinham se passado apenas quinze minutos).
A irmã mais nova tinha uma mente maligna e estava louca para que o irmão ficasse com sua professora preferida – não somente professora, mas uma das pessoas que ela mais gostava no mundo inteiro. Por Ana Júlia ter aula na escola e ir de mal a pior, Monalisa oferecera sua casa para aulas particulares e sem cobrar nada. Durante três dias da semana a professora parava tudo que tinha que fazer para dar completa e total atenção a uma aluna que não entendia muito bem todas as regras da língua portuguesa (já que eram muitas e bem complicadas) na sua casa, no lugar aonde ela morava. Monalisa fazia isso somente para ajudar, não cobrava nada e nem pediu para que Anajú falasse bem da professora nas reuniões com os diretores da escola para que Monalisa ganhasse ponto com os chefes.
Ela fazia isso de livre e espontânea vontade e sem esperar nada em troca. E Anajú aos poucos foi virando amiga da professora, amiga íntima o suficiente para saber que ela seria muito feliz com seu irmão. Ela só não entendia o que tinha de errado em desejar que eles ficassem juntos. Muitas vezes contou sobre seus milhares de planos mirabolantes para Mozart e recebia várias críticas do "ficante". Ele defendia a ideia de que se fosse para acontecer, aconteceria alguma hora sema a ajuda de ninguém, somente do destino. Já Ana Júlia queria que o destino se lascasse, ela sabia muito bem que seu irmão era muito lerdo e se fosse esperar esse tal destino, só tomaria alguma iniciativa quando estivesse fazendo aniversário de 80 anos (um belo exemplo disso foi a demora de Bruno em terminar com Paula, quando não tinha um relacionamento feliz há mais de anos – para Anajú aquele namoro nunca foi algo feliz, mas seu irmão insistia me dizer que tinha sim sido feliz, então ela somente concordava).
A grande verdade é que ela não tinha paciência para todas essas frescuras de namoro. Gostava de dar alguns beijos, e quando percebia que a coisa estava caminhando para um possível namoro, corria fora. Essa atitude era clássica de qualquer cara galinha, mas ela era uma garota independente e que gostava muito de conhecer pessoas, então não se importava nem um pouco com a visão machista e nojenta da sociedade ao gritar que ela era vadia por beijar mais de três caras em uma festa (ou ficar com metade do time de vôlei da escola).
Escolhas são coisas poderosas, e Anajú escolhera viver sua liberdade amorosa e mexer com a vida de quem se importava. Já tinha construído um casal que atualmente era muito feliz: sua melhor amiga Agnes e o namorado Vinícius, agora ela queria adicionar seu irmão e sua professora preferida naquela lista.
Bruno, assim que terminou de contar a história do seu térmico com Paula para sua irmã mais velha, ouviu alguns conselhos que Luísa fez questão de dar. Bruno estava acostumado com essa preocupação em excesso. Eles três eram assim: sempre que podiam estavam se ajudando e se protegendo.
Desde o "caso Ana Júlia", como eles chamavam a depressão que a irmã mais nova teve, preocupação nunca era demais. Pequenas ações mudavam tudo, sempre perguntavam sobre o dia a dia do outro, mostravam o verdadeiro interesse pela vida do próximo. Pequenas demonstrações de amor que mudam completamente o dia a dia.
Luísa aconselhou que seu irmão mais velho fosse com calma. Não deveria pular de um relacionamento para outro se não estivesse preparado, se ele ainda tinha algum sentimento amoroso para com Paula, não deveria tentar nada com Monalisa. Correr para um namoro ainda sofrendo por um amor antigo era a mesma coisa que se secar com uma toalha molhada: não causava nenhum efeito.
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(Amar)elo
Genç Kız EdebiyatıLivro 2 - Série 'Parênteses'. Para ler esse você NÃO precisa ler o primeiro, mas receberá alguns spoilers do que aconteceu em 'En(tre)cantos'. ∞∞∞∞∞∞∞∞ Dizem por aí que os opostos se atraem. E opostos é exatamente o que Bruno e Monalisa são! Ela...
