Na tela do cinema se passava uma cena de suspense. Uma menina com a típica camisola branca e o cabelo bagunçado de quem acabou de acordar. Ela ia em direção ao barulho de dentro do armário. De fundo tocava aquela música que dava um ar de suspense para a cena, fazendo com que os telespectadores se envolvessem com o pânico da personagem e se sentissem aterrorizados.
Menos Bruno, logicamente. Ele achava que todos os filmes de terror eram uma bosta. Ele nunca se assustava e sabia que todo a armação cinematográfica era para tentar assustar a pessoa que assistia ao filme, mas nunca acontecia com ele. Diferentemente do que acontecia com Monalisa, que naquele momento estava extremamente envolvida com a cena.
Sem perceber ela apertava a mão do namorado nos momentos de suspense, ia apertando gradativamente: começava com um leve aperto, mas com o decorrer da cena ela ia apertando cada vez mais forte, até o momento do susto, aonde a mão de Bruno já estava sem circulação devido ao aperto forte da namorada.
O enorme balde de pipoca descansava no colo de Monalisa, estava quase que cheio e esquecido. Ela não conseguia comer e prestar atenção no filme. Em um dos vários sustos que a ruiva levou, Bruno achou melhor pegar para ele e não correr o risco de ter o balde derrubado e toda aquela pipoca cheia de manteiga ser desperdiçada. Então assistiram ao resto do filme desse jeito: com Monalisa tensa nas partes de suspense e apertando a mão do namorado e Bruno curtindo a pipoca (já que estava odiando aquele filme).
Assim que os créditos começaram a subir na tela do cinema a ruiva soltou um longo e pesado suspiro.
- Não acredito que todos morreram! Esse é o pior filme de terror que já assisti na minha vida – ela reclamou. Puxou o balde de pipoca, que agora quase não tinha nada, do colo do namorado e começou a comer como uma louca.
- Eles fazem esse final frustrante para que o filme tenha continuação, porque se tudo se resolvesse agora não teria história para o dois – ele explicou, fazendo Monalisa revirar os olhos de tédio. Odiava esperar continuação.
Bruno se espreguiçou e se levantou. Puxou a namorada pela mão e saíram do cinema. Já estava quase escurecendo, devia ser umas seis horas da noite. O clima estava agradável: quente, mas com alguns ventos confortáveis. Eles andavam pelo shopping abraçados e com os passos iguais (Monalisa tinha essa mania de não conseguir andar com as pernas diferentes da pessoa ao seu lado, os passos tinham que ser iguais). Bruno roubava um beijo a cada dez segundos e a ruiva ria.
Eles causavam invejas a todos os casais que passavam ao seu lado. Queriam ter aquela sintonia deles dois, os casais desejavam ser amigos como eles, queriam ter aquela paixão que girava em torno dos dois.
- Vamos tomar um sorvete? – Monalisa pediu, e olhou com aquela cara de cachorro que caiu da mudança para Bruno. Logicamente ela não precisava fazer nada daquilo, pois o seu pedido era uma ordem, Bruno fazia sem nenhum problema e na maior boa vontade do mundo. A sua sensação preferida no mundo inteiro era a da namorada contente.
Eles entraram na pequena fila que se formava atrás do balcão e esperaram por pouco tempo. Bruno aproveitou aquele momento de calmaria para mexer no cabelo da namorada. Tentou fazer várias tranças diferentes, mas como não conseguiu apenas o penteou com os dedos. Ele era completamente apaixonado por aqueles fios vermelhos, fazia um contraste maravilhoso com a pele clara da namorada, e quando os dois estavam juntos eles pareciam fogo, ardiam e eram quentes – Monalisa inteira era quente, mas ele fingia que não percebia isso para não a deixar envergonhada. Os dois juntos: a cor levemente bronzeada dele com o seu cabelo loiro e desajeitado junto com o corpo pequeno, magro e os fios ruivos, faziam que os dois parecessem uma canção em perfeita sintonia.
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(Amar)elo
Chick-LitLivro 2 - Série 'Parênteses'. Para ler esse você NÃO precisa ler o primeiro, mas receberá alguns spoilers do que aconteceu em 'En(tre)cantos'. ∞∞∞∞∞∞∞∞ Dizem por aí que os opostos se atraem. E opostos é exatamente o que Bruno e Monalisa são! Ela...
