Monalisa estava sentada no sofá de casa vendo seu namorido andar de um lado para o outro da sala. Ela tentava acompanhar todos os pensamentos conturbados de Bruno, mas desistira quando ele começara a falar coisas inaudíveis. Isabela estava sentada na pequena varanda do apartamento e brincava com vários carrinhos e bonecas polly. Era encantador como aquela criança tinha crescido tão rápido. Isabela já tinha cinco anos e conversava sobre assuntos de adultos, tinha curiosidade sobre tudo.
- Bruno, relaxa. Vai dar tudo certo – Monalisa tentava, em vão, tranquiliza-lo.
- Mas e se ela quiser Isabela para ela? A Paula é a mãe de sangue dela, tem todo direito – Bruno estava nervoso.
Faziam anos que Paula e Monalisa conversavam entre si. Sempre a mãe de sangue perguntava como a filha estava indo, se tinha alguma foto nova ou vídeo para ela ver. Mas esse tempo inteiro ela só queria aquilo: ver como a filha estava de aparência, se tinha mudado aos poucos e se tinha alguma semelhança com ela, não ter algum contato real. Bruno já naquela época tinha ficado incomodado com tanta aproximação, mas tentou não pensar muito naquilo.
Mas agora as coisas estavam totalmente diferentes. Paula perguntara para Monalisa se ela e o Bruno permitiriam que ela conhecesse Isabela. Não precisava apresenta-la como mãe, porque sabia que a criança ficaria confusa, mas queria conhece-la. Poder abraçar, ouvir sua voz e ver de perto aquela criança que por muito tempo conheceu somente de longe.
- Mas e se a Isabela não gostar de Paula? Isso vai ser uma coisa boa ou ruim? – Existiam mil e um pensamentos conturbados na cabeça dele. – Talvez seja boa porque ela não entra mais em contato com ela. Mas também é ruim porque isso vai magoá-la, é triste isso.
Monalisa soltou mais uma risada e se levantou. Abraçou Bruno contra a vontade dele e deu um beijo no pescoço.
- Bruno, nossa filha é a pessoa mais educada que eu conheço. Se ela não gostar de Paula, vai no mínimo fingir que gosta. E outra coisa: a Paula não tirar ela de nós, ela só quer conhecer a Isabela. E eu não vejo problema algum nisso, você não deveria ver também. É o direito dela. Não é justo que a gente tire o direito de ela conhecer essa criança maravilhosa que a Bela é somente porque a queremos só para a gente. – Ela arrumou o cabelo loiro bagunçado de Bruno e continuou – deixe Isabela encantar mais uma pessoa com seus dons.
Ele aos poucos foi relaxando no braço da ruiva. O momento foi interrompido por Isabela, que vira aquele abraço e percebeu que também queria participar. A menina, que já estava batendo na cintura do pai, abraçou a perna de Monalisa e de Bruno e se juntou ao abraço.
- Viu? Vai ficar tudo bem. – Ele apenas balançou a cabeça afirmando. Monalisa se ajoelhou até ficar na altura da filha. – Meu amor, nós iremos conhecer a amiga da mamãe, ok? Daqui a pouco, então vá se trocar. Quero que coloque sua roupa preferida.
Os dois viram a filha concordar balançando a cabeça e correndo para o quarto.
- O que eu seria sem você? – Bruno perguntou, mas já sabia a resposta.
- Eu acho que nada – ela riu e deu um beijo nele.
∞∞∞∞∞∞
Quarenta minutos depois eles estavam na porta do Jardim Botânico, lugar que tinham combinado de encontrar Paula. Isabela era só uma criança, mas tinha um enorme senso de moda. Escolhera um vestido rosa florido com uma bota uggs (que era para usar somente em dias de chuva – e estava o maior Solzão) colorida.
Não demorou nada para que Paula chegasse sozinha na entrada do Jardim. Ela estava bem diferente da última vez que a viram. Seus longos cabelos escuros tinham sido substituídos por um corte rente ao ombro. Ela tinha voltado para o seu corpo magro – quase esquelética e nem um pouco humana. Sempre com muito estilo usava uma calça jeans preta que parecia que a apertava inteirinha e uma blusa listrada.
VOCÊ ESTÁ LENDO
(Amar)elo
ChickLitLivro 2 - Série 'Parênteses'. Para ler esse você NÃO precisa ler o primeiro, mas receberá alguns spoilers do que aconteceu em 'En(tre)cantos'. ∞∞∞∞∞∞∞∞ Dizem por aí que os opostos se atraem. E opostos é exatamente o que Bruno e Monalisa são! Ela...
