A Quimíca do Amor

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Assim que deu partida ao carro, Cecília deixou o condomínio onde residia e partira até o centro da cidade a fim de realizar seus afazeres, porém a mesma era rondada pelas palavras de Tiago.

Ao passar pela banca de jornal, Cecília decidiu comprar alguns passa tempos, seus preferidos eram os sudokus, os quais lhe acalmavam. Ao deparar-se com uma estante de revistas, Cecília vira uma a qual trazia uma matéria sobre "A química do amor". Involuntariamente Cecília viu-se interessada na matéria, logo adquiriu a mesma. Quando saiu da banca, sentiu-se uma idiota por procurar por matérias de amor, de qualquer forma já havia adquirido, então seguiu para o carro a fim de seguir para algum lugar pouco movimentado, onde pudesse fazer sua refeição.

Decidiu ir a um restaurante, onde sabia que havia pouco movimento, pois era sábado, e também serviam uma comida caseira deliciosa, Cecília costumava frequentar o mesmo com os pais quando mais jovem. Após servir-se, Cecília sentou-se em uma mesa ao fundo do salão, e retirou de sua bolsa a revista a qual lhe havia chamado a atenção. Abrira a revista na pagina indicada e pôs-se a ler.

"A químicado amor

Embora seja agradável pensar que seguimos o coração, a verdade é que a ciência tem explicações menos poéticas para as demandas românticas. Saiba como ela explica as questões amorosas, resultado de mecanismos puramente fisiológicos, que envolvem hormônios e receptores cerebrais. E por que nada disso vai importar quando você estiver apaixonado.

"Os homens devem saber que do cérebro, e só do cérebro, derivam prazer, alegria, riso e divertimento, assim como tristeza, pena, dor e medo". A frase foi dita por Hipócrates (460-377 a.C.) há milhares de anos, mas continua certeira. Significa que aquele amor envolto em corações flutuantes, que foi incessantemente idealizado por escritores, poetas e cineastas não é bem do jeito que eles pintam. Esqueça o cupido, a sorte ou mesmo a união sublime e inexplicável de almas. "Nada é tão ao acaso, nem tão romântico", diz Carmita Abdo, psiquiatra coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. O amor nada mais é do que o resultado de uma complexa cadeia de reações químicas do cérebro, e existe com o intuito único de propagar a nossa espécie. Em outras palavras, amamos porque somos o resultado de um processo evolutivo bem sucedido: ao entrarmos em uma relação estável, as chances de criarmos com sucesso nossos descendentes são muito maiores.

De acordo com a biologia evolutiva, o vínculo criado por casais apaixonados garante a segurança da espécie. Focado na sua família, o homem gasta energia em mantê-la bem provida, oferecendo todas as oportunidades para que seus filhos cresçam e perpetuem sua carga genética. Para unir o casal, o cérebro se inunda de amor – no caso, há um aumento na liberação dos hormônios dopamina e norepinefrina. São eles que causam todas as sensações típicas da paixão, como insônia, frio na barriga e pensamento obsessivo na pessoa amada.

Quiz: Saiba se você está apaixonado (a) ou não

Passado o rompante da paixão, outro hormônio entra em ação: a oxitocina. É ela que faz com que os casais criem vínculos, evoluam para o sentimento de amor romântico, e continuem juntos por anos a fio. De acordo com o psiquiatra Larry Young, coautor do livro A Química entre Nós (Ed. BestSeller, 348 pág.), é a oxitocina que nos faz focar a atenção no parceiro. "O amor é esse emaranhado de complexas reações químicas no cérebro", diz. E é nosso organismo ainda quem ajuda a escolher por quem nos apaixonamos: enquanto os homens tendem a procurar mulheres com o quadril largo (característica vinculada à progesterona, que sinaliza uma boa fertilidade), as mulheres procuram um homem que transpire sucesso e segurança. Os dois caçam ainda alguém com um sistema imunológico diferente do seu – a variabilidade garante o sucesso da espécie e evita anomalias do cruzamento entre parentes.

Ah, o amor – Embora a ciência consiga ainda explicar por que, afinal, os homens levam a fama de ser mulherengos (eles são fábricas de espermatozoides que precisam ser espalhados), ela ainda não nos tirou o gosto pelas incertezas do amor. Por mais que você saiba que o hormônio que corre no seu corpo e te faz sentir frio na barriga é a dopamina, você ainda vai, sim, curtir o primeiro beijo, o primeiro amor e sua primeira paixão. E vai se emocionar com os filmes românticos de Hollywood, com as poesias de Vinícius de Moraes e as músicas melosas de Adele. "A paixão pode ser desconfortável, uma situação de extremo êxtase. Mas quanto mais descomunal, melhor. O ser humano vive buscando situações de risco, de perigo, que saiam do cotidiano e da mesmice", diz Carmita Abdo.

1. O que é oamor?

Esqueça todo o romantismo, Shakespeare e Vinícius de Moraes. O amor pode até bater lá pelas bandas do coração, mas ele é resultado de complexas reações químicas que acontecem no cérebro — e nada mais são do que resultado do processo evolutivo humano. Para economizar a gastança de energia e tempo usados no processo da corte, fomos selecionados para concentrar nossa atenção em uma só pessoa — e, assim, criar com sucesso nossos descendentes. Nesse processo estão envolvidos, basicamente, três neurotransmissores: a dopamina, a norepinefrina e a serotonina, todos produzidos por áreas ligadas ao sistema de recompensa e prazer do cérebro. As mãos tremem e o coração e a respiração aceleram quando o ser amado está por perto? Não acuse o cupido. Estão em ação a dopamina e a norepinefrina, substânctias que levam à alegria excessiva, à falta de sono e o sentimento de que o amado é único, e de que é quase impossível compará-lo com alguém. Já aquela compulsão e obsessão pelo parceiro são causadas por baixos níveis de serotonina.

"Ótimo Cecília, como se isso mudasse algo na sua vida, como se isso fosse ajudar a esquecer aquele belo par de olhos azuis!" Cecília repreendeu-se mentalmente. A mesma guardou a revista em sua bolsa e fez sua refeição.

Cecília pegou o transito novamente e seguiu para sua residência. Ao chegar no condomínio, a mesma direcionou o carro até o estacionamento. Logo que desembarcara, avistou Bryan com um sorriso radiante indo a sua direção, assim que Bryan aproximou-se o mesmo a abraçou. O cheiro daquele delicioso perfume amadeirado invadiu as narinas de Cecília.

-Vim lhe convidar para sairmos essa noite. – Bryan sussurrou no ouvido de Cecília, ele era galanteador, conseguia sempre o que queria, principalmente no quesito mulheres. Em outros tempos Cecília ouriçava-se aos pedidos de Bryan, e jamais os recusaria.

Ouviu-se pneus cantando, o que chamou a atenção tanto de Cecília quanto de Bryan, os mesmos desfizeram-se do abraço, e Cecília pode ver a BMW branca de Tiago correndo pelo estacionamento seguindo em direção a saída.

Cecília sentiu seus olhos marejarem, um nó lhe atravessava a garganta.

-Droga!- reclamou ela. – Obrigada pelo convite Bryan, mas tenho compromissos- Cecília mentiu, não havia programado nada para aquela noite.

-Tudo bem, nos vemos! – Bryan disse já virando as costas.

Cecília seguiu até sua casa, assim que abrira a porta deparou-se com pétalas de rosas vermelhas, as mesmas trilhavam em direção ao quartos. Cecília tentou recordar se alguém tinha a copia da sua chave, mas não se lembrava de ninguém, tomada pela curiosidade a mesma seguiu as pétalas que trilhavam até seu quarto.

Ao adentrar o cômodo avistou três lindas orquídeas brancas com toques violeta, suas preferidas, sobre a cama haviam dispostos um vestido vermelho de tecido vermelho leve e delicado, muito bem costurado com pregas perfeitas na parte da saia, em uma caixa de sapatos branca, estava um par de salto alto na cor preta, e também uma caixinha aveludada, ao abrir Cecília viu um lindo colar com pingente de bailarina e também um bilhete.

"Te pego às 22 horas, por favor, não se atrase. Iremos a um lugar especial"

Sem duvidas aquela letra corrida pertencia a Tiago Araldi, Cecília sentiu-se lisonjeada com o convite e também com os presentes. Porem sua mente gritava a relembrando o momento em que Tiago vira a cena em que Bryan a abraçou.

"E agora Cecília? E se tudo estiver perdido?" Cecília perguntou-se mentalmente, e uma lagrima solitária escorreu de seus olhos.

Um Desconhecido No HorizonteOnde histórias criam vida. Descubra agora