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JUSTIN

– Onde pensa que vai? – uma voz ecoou às minhas costas e quando me virei, deparei com um guarda uniformizado, um que eu nunca havia visto em toda a minha vida no castelo.

Me vi perdido naquele momento e tudo o que consegui responder foi:

– Ah, você não deve me conhecer, sou Justin. – Estendi a mão para ele, que ignorou, então abaixei de volta – Morei no castelo até alguns meses atrás, você deve ser novo por aqui. Mas fica tranquilo, já estou de saída. Passei para falar com meu amigo Frank.

– A essa hora da madrugada? – o guarda perguntou.

– Sim... Sabe, o príncipe não tem muito tempo, esse foi o único horário que pudemos conversar.

Nos meus pensamentos, eu rezava para que ele não fosse até Frank e perguntasse se isso tudo era verdade, mas, para minha surpresa, ele disse:

– Sei muito bem quem você é, Justin. – Ele disse, trocando de lugar comigo e ficando de costas para a porta onde as garotas estavam. – E tenho ordens para não te deixar pisar nesse castelo. Então, vou perguntar de novo: onde pensa que vai?

SELENA

Justin estava demorando para voltar, a preocupação subia pela minha garganta. Ariana estava com o ouvido colado na porta, tentando ouvir o outro lado.

– Ariana, desiste! – sussurrei.

– Sh!!! – ela respondeu – Estou ouvindo uma voz.

Fiquei quieta e encostei lentamente meu ouvido à porta. Realmente, alguém – que não era Justin – estava do outro lado da porta, e a conversa não parecia amigável.

Afastamos nossas cabeças da porta e Ariana falou:

– Temos que ajudar.

– O que?! Como? – perguntei.

– Eu não sei, só sei que temos que ir.

Decidi não argumentar, Justin precisava de ajuda. Então, respirei fundo e, com cuidado, encostei na maçaneta. Ariana sussurrou:

– Abre devagar, tenta não fazer barulho.

Assenti e fiz o que Ariana havia acabado de dizer, abri a porta com cuidado. Infelizmente, a porta deveria ser incrivelmente velha, e rangeu enquanto eu a abria. Do outro lado, havia um guarda, que agora dava as costas para Justin e olhava diretamente para nós. Assim que os olhos de Justin encontraram os meus, notei sua preocupação, mas agora não havia tempo para conversa e arrependimento, e ele sabia disso.

O guarda falou entre dentes:

– Que merda está acontecendo aqui? – enquanto falava isso, ele levou a mão ao bolso. E de lá tirou um apito. Meus olhos se arregalaram, mas antes que eu pudesse fazer algo, o guarda foi atingido ao lado da cabeça, por um pé pequeno calçado com sapato preto.

Olhei para o lado e Ariana estava em uma posição gloriosa. Ela havia acabado de acertar um chute na cabeça do guarda.

Eu e Justin olhamos para ela com olhos arregalados, Ariana deu de ombros e explicou:

– Fiz aula de karatê. E eu estava nervosa, não sabia como agir.

– Fez muito bem – Justin respondeu. – Agora vamos, talvez não tenhamos muito tempo até que ele levante – ele fez uma pausa – ele vai levantar, né?

– Sim, mas não temos muito tempo mesmo. – Ariana respondeu – Assim que levantar vai procurar pela gente e pedir reforços, então vamos!

Corremos escada acima, o que me fez tropeçar uma ou duas vezes. Justin estava atrás de mim e Ariana corria à minha frente.

Chegamos ao topo ofegantes, mas não podíamos parar. Seguimos o longo corredor com passos leves, o escritório do rei ficava bem no final.

Ao chegar à porta, ouvimos um barulho vindo das escadas, alguém estava subindo. Não havia para onde correr e não havia tempo para ver se o escritório estava vazio, então, entramos contando com a sorte.

A sala estava escura, então deveria estar vazia. Antes de nos esconder, não procuramos por um interruptor para não chamar atenção, o que nos rendeu muitas batidas nos móveis. Nos escondemos atrás de um móvel de madeira que não conseguimos decifrar no escuro, e decidimos esperar até que tudo ficasse tranquilo novamente.

Depois de alguns minutos, decidimos começar a procurar em silêncio.

– Acende a lanterna do celular – Justin falou para mim e foi o que fiz.

Demos uma olhada no ambiente: estávamos escondidos embaixo de uma grande mesa de madeira, à nossa frente estavam enormes estantes cobertas por troféus. Imediatamente pensei "troféus pelo quê?" mas não era relevante no momento.

Saímos de baixo da mesa e, com a lanterna, conseguimos visualizar um sofá encostado na parede à direita e prateleiras na parede oposta.

– Frank falou que o livro de capa azul estava em uma das prateleiras. – Falei.

Andamos até elas, um do lado do outro, mas tudo o que conseguimos ver eram revistas com a família real na capa e alguns papéis carimbados e assinados, e no último pedaço de prateleira, estava o livro de capa azul.

Justin agarrou o livro e imediatamente começou a revirá-lo, procurando pela carta. Revirou o livro pelo menos cinco vezes, página por página, mas estava vazio exceto por suas próprias palavras. Justin finalmente desistiu e colocou o livro de volta na prateleira, falando:

– Então é isso, não existe carta nenhuma, isso tudo foi uma outra invenção de Frank e caímos nela.

– Calma, não podemos desistir. Não chegamos tão longe para desistir, como você disse! – Ariana falou olhando para Justin. – Vamos procurar nas gavetas, em algum lugar.

E foi o que fizemos, vasculhamos cada centímetro da sala, gavetas, estantes, revistas, papéis e nada de carta.

– Vamos sair daqui logo! – Justin bradou, por fim.

Não tínhamos mais esperança de encontrar algo ali, então, saímos da sala, derrotados.

O corredor estava vazio e silencioso, corremos a passos leves em direção à escada, até que um som estridente começou a soar. Era o guarda que Ariana nocauteou, soprando um apito no pé da escada.

Nos entreolhamos, perdidos, com a certeza de que nossa missão acabava ali.

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