Já se passaram 4 semanas em que voltei. Consegui voltar para a faculdade, quando fui para a Itália eu apenas tranquei. Já voltei a minha rotina de antes, consegui um emprego em uma biblioteca, bom é para mim poder terminar.
Miguel também voltou a fazer seu curso na faculdade e vamos juntos todos os dias. Definitivamente, voltamos.
O ambiente em minha casa esta mais ou menos, aos poucos papai e eu estamos voltando a nos falar. Decidi que se quero que minha vida volte ao normal, eu preciso perdoar meu pai e deixar que o tempo cura minhas feridas.
Termino de me arrumar para a faculdade, pego minha bolsa e desço. Vejo Fabi andando de um lado para o outro e com um expressão assustada.
Quando me ver, ela tenta mudar sua expressão, mas não consegue.
- Querida...
- O que houve? Onde esta meus pais? - pergunto.
- Eles... Eles...
- No escritório? - franzo o cenho.
- Sim... Mas, Milena eles estão ocupados, não os interrompa.
- Licença!
Caminho até o corredor do escritório e escuto os gritos dos meus pais. Não dá para ouvir, eles estão falando juntos, giro a maçaneta e adentro. Eles me olham assustado, minha mãe limpa suas lágrimas rapidamente e tenta esconder algo.
- O que esta acontecendo aqui? - pergunto sem tirar os olhos dos dois e fecho a porta com o pé.
- Não é nada, filha. É apenas uma discussão de casal. - papai diz.
- Isso esta mais para briga. Mas a questão é, por que estão brigando?
- Não é nada, Mili... Eu e seu pai não concordamos em uma coisa.
- Mãe, o que está escondendo ai?
- Não é nada, é apenas um...
- Então me deixa ver...
Mamãe olha para papai e ele se senta fazendo um gesto que só eles se entendem. Ela olha para o papel em sua mão e aperta os lábios em uma linha rígida... Depois me entrega o papel.
É uma carta, viro e vejo o nome Juilliard School... Oh meu Deus, é uma carta de Juilliard. A abro e começo a ler o que esta escrito.
- Chegou dois dias depois que você foi embora para a Itália... - mamãe murmura.
- Acho que você pode mandar outro vídeo, querida! Se eles te aceitaram uma vez, aceitam outra.
Levanto meu olhar para os dois e sinto uma raiva tomar conta do meu ser, como ele pode dizer isso? Mandar outro vídeo para Juilliard, o que ele tem na cabeça? Eu quero distância de tudo que lembre essa escola, porque por culpa dessa maldita obsessão dos meus pais, eu perdi o meu bem mais preciso.
Jogo a carta na mesa. Papai levanta da cadeira me olhando assustado e mamãe faz o mesmo.
- Mandar outro vídeo? - meus olhos começam a lacrimejar. - Por acaso você esta se escutando?
- Claro que sim! Querida, Juilliard é a melhor coisa para você.
- Roberto...
- Pelo jeito você não mudou, pai. Acho que você deveria saber que essa maldita escola não me interessa!
- Milena, calma, filha! - mamãe faz menção de vir até mim e recuo. Nesse momento estou com raiva, estou com muita raiva.
- Calma? Como pode me pedir calma, mãe! Desde que eu comecei a tocar piano escuto vocês trilhando a minha vida, fazendo planos para mim sem nem ao menos me consultar. E eu já disse que pianista não é o que eu quero como profissão!!!
- Como não, garota? Seu avô queria isso, você tem que...
- O meu avô queria o melhor para mim. - falo o interrompendo. - E ele sabe que para mim o piano é tudo, mas eu não quero ele como profissão!!
- Por que?!!! - papai grita batendo na mesa.
Me assusto, mas preciso manter o meu jogo de cintura...
Força, Milena!
- Porque depois de anos, eu não quero olhar para o meu piano e pensar que estou cansada dele. Uma hora ou outra a sua profissão te cansa, papai... E eu não quero me cansar do piano.
- Mas se você ama o que faz, você nunca se cansa, Milena! - ele diz.
- Cansa, pai... Cansa sim!
- Milena, a Juilliard vai te fazer mudar de idéia, você vai ser uma pianista de sucesso e...
- Não, papai!!! Chega caramba, chega de insistir. Eu. Não. Quero. Ir. Para. Juilliard!! Coloca isso na sua cabeça! - falo saindo de mim totalmente.
Eu tentei mas foi difícil, parece que meu pai usa algo em seus ouvidos em seus olhos que o impedem de ver o que realmente esta acontecendo.
- Caramba, essa sua obsessão por essa escola me levou a desgraça, pai... Porque graças a isso os dois não sentiram nenhum tipo de afeto pela minha filha, e ela foi embora. Me deixando sozinha...
Minhas lágrimas já não tem rumo, mamãe chora desconsolada e senta na cadeira afundando seu rosto em suas mãos. Pego a carta.
- Eu não quero mais ouvir falar nessa escola, não quero... - murmuro e volto a chorar. Papai fica me olhando com uma dureza incalculável, seus olhos estão frios, duros e com uma raiva difícil de decifrar.
Quando faço menção de sair do escritório, mamãe diz com a voz embargada:
- Espera...
Me viro para ela e mamãe se levanta, suas bochechas estão molhadas por causa de suas lágrimas. Ela virá para meu pai.
- Eu não aguento mais...
- Abigail... Não!
- Roberto, eu não aguento mais ver a minha filha chorando. Não aguento mais levantar, olhar nos olhos dela e ver a dor de uma mãe... Não aguento mais!
- Abigail, por favor!
- Não, Roberto! Ela precisa saber a verdade, só assim, só assim a minha, Milena vai poder ser feliz... E essa dor, esse sofrimento vai desaparecer dos olhos da minha filha!
- Do que você esta falando, mãe?
- Não de ouvidos a sua mãe, Milena, ela esta...
- Não termine essa frase, Roberto. Eu já disse, chega!
- Você quer dizer logo, mãe. Do que esta falando, por que esta dizendo essas coisas? - limpo minhas lágrimas.
Mamãe olha para suas mãos e suas lágrimas voltam a descer por suas bochechas vermelhas de tanto chorar. Ela levanta seu olhar para mim e aperta os lábios.
- A Bianca esta viva!!
Essa frase chegou até mim como um soco na boca do estômago, senti um falta de ar acompanhada de uma corrente de gelo tomar meu ser.
Minha filha... Minha filha esta viva? Como pode?
- O que esta dizendo, mãe?!
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Devolva Minha Filha - Completo
RomanceAtenção: Plágio é crime. Todos os direitos dessa obra são reservados à autora. Milena Alves tem 19 anos e mora com os pais, Abigail e Roberto. Mile é pianista e esta prestes a entrar para uma faculdade... Mas uma notícia um tanto quanto inesperada...
