9°- CAPÍTULO ✝

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- Elena, volta aqui - imitei sua voz esganiçada. Não gostei dessa Sybil. Quem ela pensa que é para falar comigo daquele jeito?

Dou um pulo assustada quando tropeço em alguma coisa, mas quando reparo melhor, é apenas o primeiro degrau da escada
que leva ao segundo andar. Respiro fundo e começo à subir os degraus de madeira que rangem a cada passo dado e quando finalmente chego ao segundo andar, solto um suspiro de desânimo. Tudo aqui é completamente igual ao andar de baixo.

Vários corredores com as paredes descascadas, piso sujo, portas quebradas e janelas sem vidro. E, claro, sem falar no silêncio ensurdecedor. Não ouço mais as vozes, o que é muito estranho.

Olho em cada cômodo conforme caminho pelo corredor, mas não encontro nada, absolutamente nada. Estou prestes à desistir da minha busca nesse andar quando uma porta fechada me chama atenção, o que acho um pouco
estranho, pois essa é a primeira porta fechada que vejo nesse andar, ao contrário do primeiro, onde tudo parece um pouco
mais organizado. Decido ver o que há por trás da tal porta, mas quando tento abri-la. Nada. Está trancada.

- Que ótimo - reviro os olhos.
Não sei o que aconteceu comigo, mas realmente preciso ir embora daqui o mais rápido possível.

Algo me deixou irritada de
uma hora para outra e sinceramente, se eu não encontrar Matt logo, vou deixá-lo aqui. Algo nesse lugar está me dando nos nervos.

Empurro mais a porta e ela cede um pouco, mostrando que não estava trancada, apenas emperrada. Aplico mais força e
finalmente ela se abre revelando um quarto e posso dizer isso pelo fato de haver uma cama, mas duvido que alguém durma aqui, afinal, não há colchão ou travesseiros na cama de ferro e as molas que a sustentam não parecem ser nada confortáveis.
Aos pés dela há também uma mesa de madeira escura e uma cadeira de mesmo material, mas estranho o fato de estarem
muito mais conservados do que qualquer outro móvel desse lugar.

Me viro para, definitivamente, sair desse lugar e terminar minha busca quando uma forte corrente de vento me atinge
fazendo com que meu cabelo voe por todo o meu rosto, me impossibilitando de enxergar direito e quando me viro, tenho a certeza de que não foi pela janela quebrada que entrou o tal vento.

E para concretizar a minha afirmação, assim que me viro totalmente vejo uma figura morena encostada ao batente da porta, me fazendo dar um pequeno pulo.

- Você me assustou! - resmungo, levando uma de minhas mãos até o peito, na tentativa de acalmar meus batimentos cardíacos que por segundos se alteraram.

- Desculpe, era a minha intenção - o tal Enzo solta uma curta risada, enquanto eu reviro os olhos.

- Nossa como você é engraçado - imito uma falsa risada e cruzo os braços - Por acaso a sua amiguinha não está com você,
certo? - pergunto, tentando olhar por cima de seus ombros a procura de algum sinal da garota ridícula.

- Quem, Sybil? Não, ela está cuidando da Josie - agora foi sua vez de cruzar os braços, ainda mantendo seu sorriso - Vocês
pareceram se dar tão bem, deviam ser amigas - nessa hora minha vontade foi de pegar a cadeira que estava ao canto do
quarto e jogar em sua cabeça. 

Ele acha que é engraçado? Pois não é. E porque ele fica rindo de tudo? Até parece um perturbado, bom, talvez ele seja, porque para viver em um lugar desses, só sendo perturbado mesmo.

Decidindo ignorar a vontade louca de socar ele até que esse estúpido sorriso sumisse do seu rosto, me ponho de costas e
encaro a parede velha e gasta a minha frente, pensando em que lugar do sanatório Matt deve estar. Se bem que ele saiu
correndo e nem esperou por mim, isso me da o total direito de ir embora e o deixar sozinho, mas não farei isso, apesar dele
merecer.

Redemption || TVD Histórias para pegar e não largar. Descubra agora