10°- CAPÍTULO ✝

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Passo por todo o corredor frio até que chego na última porta, mas antes de abri-la, respiro profundamente, pois Matt só
pode estar aqui, não há nenhum outro lugar para servir de esconderijo. Ele tem que estar aqui.

Empurro a porta branca de ferro que se abre em um rangido e a imagem que vejo dentro do cômodo escuro apenas iluminado por uma lâmpada que pende no teto, me faz arfar. As mãos de Matt estavam presas ao teto por meio de correntes enormes e seus pés pendiam sobre o chão sujo. Sua face representava dor e cansaço por baixo das machas de um líquido escuro que estava presente por todo o seu corpo, mas não conseguia afirmar o que de fato era devido à escuridão do
local, mas só o pensamento do que poderia ser, me deixava ser ar. Suas roupas estavam sujas do mesmo líquido, fazendo com que minha imaginação crie cenários horríveis para explicar sua origem.

Corro ao seu encontro temendo por sua vida, mas antes que pudesse alcançá-lo, tudo ao meu redor fica escuro.

- Matt? - tento chamá-lo, mas não obtenho resposta. - Matt? - tento mais uma vez, porém mais alto e em um piscar de olhos, as luzes se ascendem.

Entro em pânico ao ver que Matt não está mais ao centro do cômodo. As correntes que o prendiam estão soltas e balançam de um lado para o outro como se ele tivesse acabado de se desprender dali, mas ele não se encontra em lugar algum dessa sala.

Como ele se libertou tão rápido? Ou melhor, como ele conseguiu se libertar, sequer?

Encaro confusa aquele vai e vem das correntes e em questão de segundos a luz volta a se apagar.

- Que droga - resmungo alto já farta de todos esses acontecimentos estranhos de hoje e decido ir em busca daquela maldita cordinha que faz a luz ascender, mas antes que possa dar o primeiro passo, sinto uma brisa fria na altura da nuca que faz meu corpo todo se arrepiar e meu coração bater mais rápido.

- Sentiu minha falta? - alguém fala perto do meu ouvido, tão perto que consigo sentir sua respiração contra minha pele - Você não desiste mesmo, não é? - ouço sua risada sem humor e sinto algo frio deslizando sobre minha pele. A escuridão me
impede de saber o que é - Menina estúpida - vocifera e sinto como que sua voz pudesse me derrubar. Mas de quem é essa voz?

- Oh, a corajosa Elena não me reconhece? - diz como se tivesse lido meus pensamentos e estremeço. - Vou te dar uma pista então - dizendo isso, a luz se ascende, mas antes que eu possa me virar para ver de quem se trata, meus pés são puxados e
caio contudo no chão sujo.

Grito de dor e sinto minha cabeça latejar. Aperto meus olhos na tentativa de amenizar a dor, mas sou obrigada a abri-los
rapidamente quando começo a ser arrastada pelos pés.

- SOCORRO - grito ao mesmo tempo que tento me segurar no chão fazendo com que meus dedos deixem uma trilha branca
no piso encardido.

Continuo tentando me agarrar a tudo que eu encontro pelo caminho, enquanto ainda sou arrastada pelo chão sujo. Quando eu estava prestes a agarrar uma maca ao canto da sala, sinto meus tornozelos serem libertados. Sem pensar duas vezes me levanto de forma rápida do chão e uma forte tontura me atinge fazendo meu corpo cambalear para o lado, onde sou obrigada a me escorar na velha maca para não voltar de cara no chão outra vez.

Fecho os olhos com força, assim que sinto uma dor aguda no canto da minha cabeça, no exato local onde eu havia machucado noite passada. Sinto algo quente escorrer por toda lateral do meu rosto.

Ótimo, certo que o meu machucado mal cicatrizado da noite passada foi aberto outra vez. De forma ríspida passo a palma da mão por cima do machucado, não me importando de ter sujado mais ainda meu rosto de sangue. Eu só quero sair daqui.

Redemption || TVD Histórias para pegar e não largar. Descubra agora