Capítulo 2

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- Ela está estabilizada, iremos mantê-la assim por enquanto.

- Ela não corre mais nenhum risco?

- Não, espero que não, o senhor sabe, em casos assim não podemos prever nada, só nos resta esperar para ver como ela reage às medicações.

- Faça de tudo, gaste o que precisar, quero o melhor para ela, farei um cheque semanal para as despesas.

- Tudo, bem, mas essa parte o senhor trata com o administrativo. Vou ter que ir, o senhor vai ficar?

- Sim, mais alguns minutos, preciso resolver tudo antes de voltar para Seattle.

Escuto essa conversa, mas não consigo distinguir quem é, tento abrir meus olhos, mas os sinto tão pesados, chego à conclusão que estou em um hospital, mas o que aconteceu comigo? Queria falar, perguntar onde estou, cadê minha mãe, Carrick, mas minha voz está presa a minha garganta, que droga, minhas costas voltam a arder.

Sinto um carinho no meu rosto, o que é isso? É um toque tão bom, tão suave, me sinto bem com ele. Queria poder abrir os olhos e conhecer o dono dessa mão, que droga, lá vem o sono de novo, o sono que me leva para longe, para onde não quero ir, longe da minha mãe, de Carrick, estou no escuro de novo.

Sinto-me acordar de novo, mas não consigo abrir os olhos, me pergunto até quando ficarei assim, tento respirar, mas parece tão difícil. Sinto o carinho daquela mão de novo, quanto tempo será que estou aqui? Será que ele foi embora e voltou, ou talvez nem tenha saído, aí é tudo tão confuso.

Meus pulmões ardem e meu coração dispara.

- Enfermeira!- escuto gritarem do meu lado, enquanto escuto um bip alto e irritante em meus ouvidos, me sinto sufocada.

- Parada cardiorrespiratória!- escuto alguém gritar, de novo aquela sensação de ser jogada e cair, até quando isso, sinto que solto um suspiro fundo, vou morrer agora, estou tão exausta disso, de ir e vir, ser jogada e não saber onde cair, quero gritar e não consigo, não sinto o ar entrar em meus pulmões, sou jogada de novo e caio, mas dessa vez na escuridão.

- Você está linda hoje, Anastásia, Mary caprichou na maquiagem e no cabelo.- Carrick fala, me olhando pelo retrovisor com os seus incríveis olhos cinzas.

- Minha filha realmente está maravilhosa, vai arrasar na apresentação hoje.

- Ela puxou a mãe.- vejo Carrick pegar a mão de minha mãe e beija-la, adoro ver como ele a trata bem, o amor que emana desses dois, sorrio e suspiro em pensar se um dia vou encontrar alguém assim, que me trate assim penso em Rick e suspiro, será que um dia ele vai ser assim?

- Carrick!- escuto a voz de minha mãe gritando, sou jogada para trás e em seguida para frente, o carro dá várias voltas, só escuto o barulho de rodas derrapando e ferro sendo amassado, minhas costas, uma dor imensa se espalha por ela, minha cabeça bate em algo, não consigo ver mais nada, nem minha mãe, nem Carrick.

- Mãe!- grito e enfim ouço minha voz, abro os olhos e vejo tudo embaçado a minha frente, mas enfim vejo.

- Calma, vou chamar o médico.- escuto uma voz masculina e grave ao meu lado, sinto o carinho em meu rosto, é ele, o toque que me faz bem.

Viro o rosto devagar e olho para o dono da voz, pisco algumas vezes e quando focalizo melhor, me deparo com um par de olhos idênticos aos de Carrick, só que em um rosto mais jovem, pisco algumas vezes e logo me lembro quem é, Christian o filho de Carrick que mora em Seattle.

- Onde estou? – falo com a voz fraca, quase um sussurro.

- Shiu, quietinha, ok?- ele acaricia meu rosto, fecho os olhos de novo, me sinto muito cansada, parece que fiz horas de academia e balé.

- A nossa paciente acordou.- abro os olhos e vejo um senhor com um jaleco branco, médico com certeza, grisalho e com olhos bondosos sorrindo para mim.- Sou Dr Romano, estive cuidando da senhorita, preciso fazer alguns exames nela, Sr Grey.- ele olha para Christian que faz cara de indeciso, mas olha para mim e sorri.

- Volto já.- aceno com a cabeça que sim, mas sinto uma dor enorme na nuca e faço uma careta, vejo a expressão de preocupação no rosto dele.

- Vai ser rápido.- o médico fala e começa a me fazer perguntas, se sei meu nome, que respondo correto pelo ao menos acho, mas quando ele pergunta se sei onde estou, respondo:

- Em um hospital, acho.

Ele assente que sim, enquanto uma enfermeira verifica minha pressão e temperatura e outra vai anotando em um tablet.

- Ela parece bem, Doutor.- a do tablet fala.- pressão estabilizada e sem febre.

- Colham sangue dela e a encaminhe para uma ressonância. – ele fala,- examinando meus olhos com uma espécie de lanterna.

- Por favor, Doutor Romano, o que aconteceu? Só me lembro do acidente, onde está minha mãe?- olho para Christian.- Carrick?

Ele olha para Christian que se aproxima, parece irrequieto, passando as mãos pelos cabelos, seu olhar é triste.

Aproxima-se mais da minha cama e segura uma das minhas mãos, me olha intenso, com o olhar marejado.

- Sinto muito, Anastásia.- ele fala com a voz fraca, vejo uma lágrima descer de seus olhos, não, não pode ser.

- Minha... mãe, seu pai....- não consigo concluir.- não acredito, você está mentindo!

Ele balança a cabeça em negativo, e meu mundo acaba naquele momento fecho os olhos na esperança de estar sonhando e quando os abro, encaro a triste realidade, solto um soluço alto, Christian me abraça e nós choramos, ele perdeu o pai, e eu perdi minha mãe e o único pai que conheci. Carrick não era meu padrasto, ele foi o pai que não tive em quinze anos, quando minha mãe o conheceu e começaram a namorar, ele me tratava como filha realmente e me amava como uma.

Escondo-me no peito dele e choro muito, me sinto fraca de novo, suspiro forte.

- Mãe.- somente gemo, meus pulmões ardem, sinto o ar sumir, ele me abraça forte, desfaleço nos braços dele, ainda o escuto gritar algo desesperado, mas não estou mais com ele, estou no escuro de novo, no escuro e sozinha, sem minha mãe, sem seus carinhos e amor.

50 Tons - Depois de VocêHistórias para pegar e não largar. Descubra agora