capítulo 31-O bom filho a casa torna

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Sophia

Dizem que a dor de perder um filho (ou pelo menos a ameaça) é maior que a dor de perder um pai. Eu, hoje,  sei que isso é mentira. Minha cabeça girava e eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser chegar em casa e ver com meus próprios olhos o que minha irmã havia me dito no telefone. Eu queria acreditar nela.  Queria crer que meu pai já estava  bem e que eu não precisava me preocupar.  Mas sabe como é, né? Sou daquelas que precisam ver pra crer,  e ainda mais tratando-se de um assunto tão sério que é a saúde de meu pai.
Olhei mais uma vez pela janela do fiat toro de meus tios,  sentindo um enjoo que creio não ser motivado apenas pela viagem. Encostei a cabeça no vidro frio da janela do carona. Uma fina garoa escorria, e juntando-se ao tempo nublado fez com que tudo parecesse mais triste e melancólico.

E se a Ray estiver omitindo algo? 

É justamente por isso que estou indo até em casa. Não pensei que depois de tanto tempo sem ver minha família, minha ida até lá fosse por motivo de doença e isso me fazia sentir culpada. Acho que eu deveria tê-los visitado em outras circunstâncias. Uma lágrima solitária escorreu pela minha face, e nem sei ao certo o motivo. Deve ser a mescla de preocupação, culpa e saudade. Limpei-a com o dorso da mão,  ganhando assim a atenção do Alfred, que estava ao meu lado dirigindo o automóvel.

-Vai ficar tudo bem, Sophia.- ele disse, com verdadeira compaixão. Dei um sorrisinho sem graça em forma de agradecimento.

Espero que tudo esteja bem mesmo!

Sentei-me em uma das poltronas do avião, esperando sua decolagem. Meus tios haviam pago a classe A pra mim,  mas naquela altura aquilo pouco me importava.
Peguei meu celular e conferi o que eu já tinha quase certeza... Tinha 18 chamadas perdidas do celular de Arthur.
Quando minha irmã me ligou,  a primeira coisa que fiz foi ligar pros meus tios  lhes explicando o acontecido e dizendo-lhes que eu ia pra Nova Rose imediatamente.
Voltei à sala dele,  mas Arthur havia saído as pressas pra uma reunião de última hora.  Eu não podia mais esperar,  então pedi pra Beta avisá-lo,  e que eu ligaria assim que pudesse.
Beta me fez jurar que eu ia ficar bem,  só então me liberou e eu pude ir pra casa arrumar minhas malas.
Meus tios cuidaram de tudo,  e graças a Deus conseguiram uma passagem de última hora.

Disquei o número de Arthur,  as mãos ainda trêmulas de nervosismo. Ele atendeu no primeiro toque.

- oh meu Deus,  Sophia o que aconteceu? Onde está? – ele parecia desesperado,  e eu ao ouvir sua voz,  enchi os olhos de lágrimas.

-Oi Arthur. Eu estou em um avião rumo à minha cidade agora. – tentei manter minha voz calma.

-O quê?  - gritou. -porquê não me avisou? – revirei os olhos.

-Você estava ocupado...  E...  Eu estava muito nervosa,  não pensei... – suspirei,  eu não precisava ter uma discussão com Arthur naquele momento.  Na verdade aquilo era a última coisa que eu queria. Eu precisava dele comigo.

Ele pareceu entender que o momento não era pra aquilo,  então suavizou a voz. -Amor...  O que houve?  - uma aeromoça passa por mim dizendo que eu tenho que desligar o celular.

-Eu não posso te contar agora,  o avião já vai decolar. – sussurrei. O que eu mais queria era a companhia dele,  só ele conseguiria me acalmar. Ele bufou.

- só me diz se você está bem..-

-Estou.  Não se preocupe. – tentei soar convincente,  mas na verdade não convenci nem a mim mesma.  Ele suspirou.

- tudo bem,  vou deixar você ir. Não se esqueça de ligar pra mim assim que chegar ao chão! – sua voz não me deixava brechas pra contestar.

Meu ChefeOnde histórias criam vida. Descubra agora