Sophia
Dizem que a dor de perder um filho (ou pelo menos a ameaça) é maior que a dor de perder um pai. Eu, hoje, sei que isso é mentira. Minha cabeça girava e eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser chegar em casa e ver com meus próprios olhos o que minha irmã havia me dito no telefone. Eu queria acreditar nela. Queria crer que meu pai já estava bem e que eu não precisava me preocupar. Mas sabe como é, né? Sou daquelas que precisam ver pra crer, e ainda mais tratando-se de um assunto tão sério que é a saúde de meu pai.
Olhei mais uma vez pela janela do fiat toro de meus tios, sentindo um enjoo que creio não ser motivado apenas pela viagem. Encostei a cabeça no vidro frio da janela do carona. Uma fina garoa escorria, e juntando-se ao tempo nublado fez com que tudo parecesse mais triste e melancólico.
E se a Ray estiver omitindo algo?
É justamente por isso que estou indo até em casa. Não pensei que depois de tanto tempo sem ver minha família, minha ida até lá fosse por motivo de doença e isso me fazia sentir culpada. Acho que eu deveria tê-los visitado em outras circunstâncias. Uma lágrima solitária escorreu pela minha face, e nem sei ao certo o motivo. Deve ser a mescla de preocupação, culpa e saudade. Limpei-a com o dorso da mão, ganhando assim a atenção do Alfred, que estava ao meu lado dirigindo o automóvel.
-Vai ficar tudo bem, Sophia.- ele disse, com verdadeira compaixão. Dei um sorrisinho sem graça em forma de agradecimento.
Espero que tudo esteja bem mesmo!
Sentei-me em uma das poltronas do avião, esperando sua decolagem. Meus tios haviam pago a classe A pra mim, mas naquela altura aquilo pouco me importava.
Peguei meu celular e conferi o que eu já tinha quase certeza... Tinha 18 chamadas perdidas do celular de Arthur.
Quando minha irmã me ligou, a primeira coisa que fiz foi ligar pros meus tios lhes explicando o acontecido e dizendo-lhes que eu ia pra Nova Rose imediatamente.
Voltei à sala dele, mas Arthur havia saído as pressas pra uma reunião de última hora. Eu não podia mais esperar, então pedi pra Beta avisá-lo, e que eu ligaria assim que pudesse.
Beta me fez jurar que eu ia ficar bem, só então me liberou e eu pude ir pra casa arrumar minhas malas.
Meus tios cuidaram de tudo, e graças a Deus conseguiram uma passagem de última hora.
Disquei o número de Arthur, as mãos ainda trêmulas de nervosismo. Ele atendeu no primeiro toque.
- oh meu Deus, Sophia o que aconteceu? Onde está? – ele parecia desesperado, e eu ao ouvir sua voz, enchi os olhos de lágrimas.
-Oi Arthur. Eu estou em um avião rumo à minha cidade agora. – tentei manter minha voz calma.
-O quê? - gritou. -porquê não me avisou? – revirei os olhos.
-Você estava ocupado... E... Eu estava muito nervosa, não pensei... – suspirei, eu não precisava ter uma discussão com Arthur naquele momento. Na verdade aquilo era a última coisa que eu queria. Eu precisava dele comigo.
Ele pareceu entender que o momento não era pra aquilo, então suavizou a voz. -Amor... O que houve? - uma aeromoça passa por mim dizendo que eu tenho que desligar o celular.
-Eu não posso te contar agora, o avião já vai decolar. – sussurrei. O que eu mais queria era a companhia dele, só ele conseguiria me acalmar. Ele bufou.
- só me diz se você está bem..-
-Estou. Não se preocupe. – tentei soar convincente, mas na verdade não convenci nem a mim mesma. Ele suspirou.
- tudo bem, vou deixar você ir. Não se esqueça de ligar pra mim assim que chegar ao chão! – sua voz não me deixava brechas pra contestar.
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Meu Chefe
RomanceUma garota humilde de família pobre,Sai em busca do seu futuro na casa dos seus "tios" em outra cidade. Mal sabe ela que encontrará muito mais do que a esperança de um futuro melhor.
