Arthur
Estava deitado no sofá da sala trabalhando em meu mais novo projeto da empresa Finlay, enquanto Mel brincava no tapete.
De vez em quando eu a espiava por cima do notebook, e babava como um pai mais que apaixonado por sua filhinha. Ela estava maior, havia crescido alguns centímetros nesses últimos meses. Eu estava aproveitando todos os momentos que podia com ela, já que daqui a uns anos ela seria uma mocinha.
E aí virão os namoradinhos... Balancei a cabeça e continuei a digitar.
Alguns minutos depois, o interfone soou. Era Matthew querendo subir.
Abri a porta e me deparei com a expressão preocupada de meu amigo.
- O que aconteceu? - perguntei logo, enquanto ele entrou.
- Você não sabe quem eu encontrei na rua agora pouco... - por um momento, me veio faíscas no cérebro com imagens de uma certa pessoa, mas logo a descartei. Ele não estaria tão "calmo" se fosse ela.
- Quem? - ele abaixou e deu um beijo na testa da Mel.
- Amanda - falou baixo, pra que ela não escutasse. Ainda estava se acostumando com a ausência de sua ex babá. - Estava vagando pelas ruas, toda suja. Parecia uma mendiga... Acho que está usando drogas. -
- O que "é" drogas papai? - Mel perguntou. Sorri pra ela.
- São remédios, filha. - ela assentiu e voltou sua atenção a suas bonecas.
- Tem certeza que era ela? - perguntei.
- Sim. - senti uma pontada de culpa por saber que ela estava numa situação dessas. Talvez isso seja minha responsabilidade... Ou não.
Eu sabia que não iria conseguir dormir sabendo que alguém que já foi próxima a mim estava nessa situação deplorável.
Além do mais, foi Melissa que fez com que ela agisse daquela forma. Não estou tirando sua culpa, pois a escolha foi sua, porém ela já estava acostumada com a situação até que Melissa apareceu e pôs lenha na fogueira.
- Vamos procurá-la. - decidi.
Coloquei Mel na cadeirinha no banco de trás e Matthew foi comigo na frente. Procuramos e procuramos em todas as ruas próximas até que avistei uma mulher quase se arrastando pelas calçadas. Parecia um zumbi, mais magra que de costume. Seus cabelos ruivos estavam soltos e visivelmente sujos. Em suas mãos havia um cobertor velho. Parecia perdida.
- Ali está. - Matthew falou baixo. Mel estava dormindo, graças a Deus. Assim ela não veria Amanda daquele jeito.
Encostei o carro e rapidamente fui ao seu encontro. Ela se assustou quando chamei pelo seu nome. Parecia envergonhada.
- Amanda? - ela me olhou, como se visse um E.T.
- A... Arthur! - ergueu a mão desocupada e tentou ajeitar os cabelos ruivos. - O que está fazendo aqui? -
- Bem, eu estava passando quando vi você. - menti. Percebi que seus olhos estavam vermelhos. - Porque está aqui, assim, sozinha? -
Ela respirou fundo. - Você sabe. Depois que me dispensou aquele dia, nunca mais fui a mesma. - sua cabeça caiu e ela olhava para os próprios pés. - Tranquei a faculdade, porque não tinha mais cabeça pra estudar. Comecei a beber e depois... Depois conheci umas pessoas. Pessoas erradas. Quando me dei conta, já estava na pior. Vendi tudo pra alimentar meu vício. - ela abanou as mãos para mostrar a si mesma. - e aqui estou eu. - deu uma risada sarcástica.
Não consegui impedir de me sentir culpado, mesmo sabendo que ela se afundou sozinha.
- E seu noivo, não te ajudou? - ela riu mais uma vez.
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Meu Chefe
RomantikUma garota humilde de família pobre,Sai em busca do seu futuro na casa dos seus "tios" em outra cidade. Mal sabe ela que encontrará muito mais do que a esperança de um futuro melhor.
