Sophia
Eu não sabia o que estava sentindo. Não sabia se ficava feliz por sua presença, ou estava com raiva por ele vir até aqui sem me avisar.
Sim, eu estava sendo uma chata, mas o que eu poderia fazer? Foi uma reação totalmente inesperada.
Eu sei que o que eu mais queria era tê-lo aqui comigo, mas uma coisa era querer e outra era poder.
Eu não tinha nem comentado que estava namorando, porra. Ele devia ter me avisado, assim eu poderia preparar o terreno.
Meu pai era um homem conservador, e eu tinha uma certa ideia do que ele ia achar quando soubesse que eu estava em um relacionamento com meu chefe. Se é que já não soubesse.
Enquanto corria rapidamente até o banheiro do meu quarto, tentei pensar no que eu iria dizer a eles.
Eu posso falar a verdade. Dizer que o amo. Mas... O que ele vai dizer quando meu pai perguntar se ele me ama?
Ele não tinha falado aquela frase nem pra mim, a principal interessada.
Mas fora essas questões, eu ainda estava chateada pelo seu tratamento comigo sem nenhuma explicação. Esperava que ele fosse honrar nosso anel de compromisso e fosse, enfim, nos revelar ao mundo. Mas infelizmente não foi isso que aconteceu. Ele foi sozinho pra empresa e eu também tive que fazer o mesmo.
Tudo bem que as regras não permitem... Blá, blá, blá. Mas e eu? E quanto os meus sentimentos e minhas necessidades?
E agora ele estava aqui. Num lugar que estava praticamente nevando. À quilômetros de distância de York Falls. Sinceramente, eu não o entendo.
Neste momento, alguém bate furiosamente na porta. Ai meu Deus. E se for ele, o que eu faço?
Plano A: Mando ele catar coquinho.
Plano B: pulo em seus braços e mato toda a saudade que estou dele.
Plano C: esqueço todos esses planos e abro a porta de uma vez.
É, talvez o C.
Minha cara murcha quando vejo que é minha irmã.
-Nossa, bom dia, quer dizer, boa tarde pra você também. – faz uma falsa expressão magoada.
Murmuro um ‘bom tarde’, e volto pro banheiro. Rayanne me segue.
- O tio Bernardo e a tia Dete estão aí. Vieram ver o papai. – ela não fala do Arthur, e por um breve momento ouso achar que devo estar maluca e ouvindo coisas. Mas sua expressão eufórica e seu entusiasmo exacerbado, me dizem que não estou.
Escovo dentes rapidamente, e noto seu olhar em meu anel.
- Eu sabia! – grita. Enxaguo a boca.
- Sabia de quê? – pergunto, já sabendo do que se trata. Pego um elástico de cabelo e tento, em vão, domá-los em um rabo.
Ela revira os olhos.
- Eu sabia que já tinha visto o anel dele em algum lugar. – grita. – Porque não me disse que estava namorando? Ou já estão noivos? – agora ela parece estar realmente magoada.
- Vocês também não me contaram sobre o papai! – grito, a raiva estampada em minha voz. Ela se assusta. Não está acostumada com acessos de raiva de minha parte.
Mas eu não estou conseguindo pensar direito. Estou tentando não parecer nervosa em saber que ele está aqui. Bem na minha sala.
- Desculpe. – murmuro. Ela sorri. Vou até o quarto e começo a trocar de roupa.
- E então? – insiste. Suspiro e sorrio. Falar dele sempre me faz feliz.
- Estamos namorando. – pego uma saia, mas logo devolvo-a, pois lembro do frio que está fazendo. Aqui dentro está quentinho por causa do aquecedor, mas talvez Arthur tenha algum plano de sairmos...
Minha irmã senta na cama.
- Não me venha com essa de “estamos namorando”. Eu quero os detalhes! – curiosa como sempre, penso. Visto uma calça jeans azul escura. Está mais apertada do que eu me lembro, e abraça todas as minhas curvas.
Humm, talvez seja bom provocá-lo um pouco.
- Rayanne, podemos conversar depois? – visto uma camisa branca de mangas compridas. Ela resmunga algo como “claro, está doida pra ver o namoradinho”, mas eu não presto muita atenção.
Meu coração está acelerado, e meus pensamentos descoordenados.
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Meu Chefe
RomanceUma garota humilde de família pobre,Sai em busca do seu futuro na casa dos seus "tios" em outra cidade. Mal sabe ela que encontrará muito mais do que a esperança de um futuro melhor.
