capítulo 40-Os dias passam rápido

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Sophia

4 meses depois...

- Brilha, brilha estrelinha... - eu gargalhei. Beta tinha uma voz horrível.

- Você vai assustar ele desse jeito.- cobri minha barriga com as mãos, como se para tapar os ouvidos do bebê. Ela me olhou com raiva.

- Quem disse que é ele? -

- Não sei... As mães sentem, eu acho. - fiz uma careta.

- Pois eu sou a Madrinha e sinto que é uma princesinha -

- E se for um príncipe? -

- Vou amar do mesmo jeito. - ela deu um beijinho na minha barriga protuberante, e levantou da cama onde estávamos deitadas.

- Temos que  ir. - revirou os olhos e me ajudou a levantar.

Passamos a tarde no salão e hoje, surpreendentemente, Margareth havia tido pena de mim e me deixou sair mais cedo.
Beta me ofereceu o carro, mas eu queria andar um pouco.
Enquanto ia pra casa, ficava olhando as lojas de bebês. Tudo era muito lindo e caro. Toda vez que eu passava o olho por berços, carrinhos e fraldas meu coração apertava. Eu não poderia dar o melhor pro meu filho. Não ia dar o que eu sempre quis.
Porém, não tinha me arrependido de continuar a gravidez.
Não que eu não tivesse pensado em interromper. Eu pensei. Mas foi por um breve momento de desespero.
Quando me acalmei, comecei a pensar que talvez aquele bebê seria a causa de uma felicidade futura. Que mesmo após tudo o que houve a cinco meses atrás, eu teria alguém ao meu lado pra sempre.

Hoje, quatro meses depois, quando lembro que sequer ousei pensar em tirá-lo, dá vontade de bater em mim mesma.
Beta e o bebê são minhas companhias hoje.
Sei que não vou dar o melhor pra ele em relação a bens, mas amor é o que não vai faltar. Eu  já o amo sem nunca ter visto seu rosto, imagine quando nascer. Essa sensação é indescritível. Sei que vai ser difícil criar um filho sozinha, mas todo esforço vai valer a pena.

Durante esse tempo, procurei passar meus dias sempre ocupada. Não queria pensar em ninguém além de nós.
Quando saía do salão de beleza, íamos assitir um filme ou dar uma volta pela cidade. Sempre mantinha-me ocupada para não ter tempo disponível pros pensamentos.

Comprei um celular velho e usado e com um chip novo, já que deixei o meu na casa de ... Droga! Por mais que eu quisesse e tentasse, era impossível não pensar nele.

De certa forma foi até melhor ter deixado lá, porque Arthur  já  teria me encontrado, isto é, se tivesse me procurado alguma vez.

Por mais que eu fizesse de tudo, as madrugadas eram enormes. Eu chorava  baixinho todas as noites, quando os sonhos interrompiam meu sono conturbado.
As primeiras semanas  foram as mais difíceis. Eu estava sem esperanças, ficava olhando pro teto imaginando o que faria da minha vida sem eles. Entretanto, tudo o que falam sobre o tempo  é  verdade. Ainda dói. Dói muito.
Mas eu estou me ajustando a minha nova realidade.
Posso dizer que estou dormente.

O mais difícil  é  lidar com  a saudade. Por mais que meus pais, tios, sei lá( ainda não os defini) houvessem mentido sobre minha genética eu sentia muita falta deles. Dos abraços, das brincadeiras e até das brigas das minhas irmãs.

Será  que elas sabiam?

Às vezes fico me perguntando isso. Nunca deram indício disso, mas vai saber né? É difícil confiar depois de ver mentirem pra você durante toda sua vida.

Enquanto passava pelo gramado verde do parque, pus as mãos na barriga.

- Agora somos eu, você e a Dinda. - falei baixinho. Eu gostava de conversar com ele. De alguma forma, eu sabia que estava me ouvindo.

Meu ChefeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora