Sophia
Na quarta-feira, estava agradecendo aos céus por não estar sentindo cólica.
Meu dia foi tranquilo, ao contrário do de Arthur. Ele passou o dia fora, em reuniões, então não o vi durante toda quarta. Não queria admitir, mas estou me corroendo de saudades. Somente um dia, e estou desse jeito, o que aconteceria se ficássemos dois , ou quem sabe ... Uma semana sem nos ver?
Não. Não quero nem pensar nisso, que já sinto uma aflição.
Almocei com Beta no nosso, agora, tão familiar restaurante. Ela praticamente me obrigou a contar tintim por tintim tudo que aconteceu. Gritou, ficou surpresa, suspirando e revirando os olhos quando eu contei a ela.
Combinamos que ela vai passar na minha casa no final da semana pra me ajudar na mudança. Não vejo a hora de ter meu cantinho!
Vou caminhando até o prédio em que fica meu AP, algumas quadras da empresa. Quando chego em frente ao local, dou uma olhada ao redor... Há vários prédios parecidos um ao lado do outro. Do outro lado da rua, tem um super mercado, e ao lado do mesmo, uma farmácia. Ao final da rua, vejo uma academia. Agora não vou ter mais desculpa pra não frequentar uma. Sorrio.
Não acredito que esse momento chegou. Vou ter um cantinho pra mim, um lugar pra me esconder e andar só de calcinha e sutiã... Ou sei lá. Fazer o que eu quiser.
Estava admirando o prédio de tijolos vermelhos a minha frente, quando com uma vibração, chega um torpedo de... Não acredito!
"Boa noite linda. Vamos tomar algo? Estou na frente de sua casa. "
O sangue sobe a minha cabeça. Como ele pôde ir até a casa dos meus tios sem me avisar?
Se fosse em outros tempos, eu adoraria que ele estivesse em minha porta, esperando-me para mais um 'rolê' na praça, ou onde quer que fosse. Mas agora é diferente. Agora tem Arthur.
Com impaciência, respondo Marcos, mas com cuidado pra não parecer irritada com sua visita inesperada:
"Desculpa, mas hoje não posso. Estou muito indisposta. "
A resposta não demora.
"Sério linda? Que pena. Amanhã, talvez? "
Bufo, e reviro os olhos com essa sua insistência.
Mas, para parecer indiferente, digo:
"É. Pode ser."
Com certeza amanhã ele acha alguma "merendinha" e vai esquecer que eu existo, aliás, Sempre foi assim.
Continuo contemplando minha nova vizinhança, até que um táxi passa e eu volto pra casa dos meus tios, que estão jantando e aproveito pra passar um tempinho com eles.
~Ω~
Na quinta-feira, chego na empresa cinco minutos atrasada. Droga! Arthur vai ficar uma fera comigo.
Mas a culpa não foi minha... Quer dizer, foi um pouquinho. Acordei cedo demais, então resolvi tomar um banho de banheira, já que fazia um tempo que não tomava. Acabei cochilando e deu no que deu.
Mas a minha vontade de ver Arthur, se sobresae e nem ligo pro medo que sinto. Só quero vê-lo, abraça-lo e beijá-lo.
Mas, como se o destino fosse contra mim, depois de trinta minutos angustiantes pensando no que teria acontecido com ele por ainda não ter chegado, recebo uma ligação de um homem que se diz amigo de Arthur. Matthew, é seu nome.
-... É, ele não irá trabalhar hoje, está resolvendo um problema pessoal. Disse que era pra Srt.ª cuidar de tudo por ele. - ele diz.
Meu coração se aperta. O que terá acontecido? Arthur não falta na empresa por algo bobo.
Porque ele mesmo não me ligou? Isso pode parecer egoísta de minha parte, mas eu queria que ele mesmo tivesse me ligado. Não o amigo.
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Meu Chefe
RomanceUma garota humilde de família pobre,Sai em busca do seu futuro na casa dos seus "tios" em outra cidade. Mal sabe ela que encontrará muito mais do que a esperança de um futuro melhor.
