"O que é que se passa contigo?" A voz do meu pai soa e este senta-se ao meu lado no banco baloiço.
"Estou confusa, pai." Desabafo com um suspiro e deito a minha cabeça no seu ombro.
"Confusa com o quê?" Pergunta e eu penso se devia mesmo falar sobre sentimentos com o meu pai.
Bem, já que comecei, acabo.
"Quando te apaixonaste pela mãe, como é que sabias que estavas apaixonado?" Pergunto e ele fica em silêncio, claramente surpreendido com a minha pergunta.
Normalmente, os adolescentes apaixonam-se e conhecem o grande amor antes dos dezanove anos. Bem, eu já tive uns dois ou três namorados, mas nunca senti nada muito forte, nada comparado ao que sinto pelo Niall, que é algo que eu nem sei explicar. Portanto, tenho dezanove anos e não sei nada sobre amor, é muito anormal?
"Sabes, o amor é um sentimento bom, mas estranho e difícil de explicar. Quando vi a tua mãe pela primeira vez, senti uma grande pancada no peito, como se tivesse sido atingido por um raio. Depois de começar a conhecê-la, não foi só a beleza dela que me encantou, foi a sua personalidade. Eu comecei a reparar nas pequenas coisas da tua mãe, como o facto de ela franzir as sobrancelhas, inclinar-se para trás e agarrar sempre o braço da pessoa ao seu lado quando ri, como o facto de ela olhar para o chão, sorrir e olhar para o lado direito sempre que ficava envergonhada, de ela estar constantemente a colocar madeixas dos seus cabelos atrás da orelha, mesmo que já lá estivessem, tanta coisa. Foi quando reparei nessas pequenas coisas e as consegui descrever até ao mais ínfimo pormenor, que percebi que algo estava errado comigo, que percebi que a tua mãe não era apenas uma amiga. Foi então que comecei a notar mais nos efeitos que ela causava em mim e em como estes se intensificavam a cada dia que passava. Eu soube que estava apaixonado por ela quando acordei num dia de manhã e pensei imediatamente nela, quando me sentia mais completo e feliz quando ela estava comigo, quando olhava para ela e desejava que não houvesse nenhum homem na sua vida a não ser eu, quando olhei para os seus lábios e tive um desejo incontrolável de os beijar, quando senti que ela era a minha gravidade, o meu oxigénio, a minha água, a minha vida, quando adormecia a pensar nela e na sua beleza, quando sonhava acordado com ela de manhã à noite, quando tentei imaginar a minha vida sem ela e não consegui, quando senti que sem ela não era nada nem ninguém, quando senti que ela era tudo para mim." As suas palavras fazem-me olhar para ele e admirar a maneira apaixonada com que o meu pai falava da minha mãe.
"Uau, pai, isso é lindo." Elogio e ele sorri.
"É ainda mais lindo quando é correspondido." Diz e eu sorrio.
"Quando falas da mãe tens um brilho especial nos teus olhos." Observo.
"É sinal que estou apaixonado, filha." Diz e eu penso nas suas palavras.
Terei eu esse brilho quando falo do Niall?
"Mas porque é que perguntas?" O meu pai pergunta e eu olho para a frente, para a árvore sinistra que ainda há pouco tempo sugou os meus desenhos e cuspiu-os.
"Curiosidade." Invento.
"Esta pergunta é por causa daquele teu amigo? O Niall?" Pergunta e eu sinto um arrepio dos pés à cabeça ao ouvir o seu nome.
"Mais ou menos." Respondo.
"Tu gostas dele?" Pergunta e eu olho-o, esperando uma postura chateada. Porém, encontro-o até descontraído.
"Sim, mas..." Divago, não encontrando as palavras certas.
"Mas não sabes se é amor." Diz e eu sorrio levemente.
"Exato." Confirmo.
"O que sentes quando estás com ele?" Pergunta e eu olho-o, olhando para o nada, olhando aleatoriamente enquanto penso numa possível resposta para a sua pergunta.
O que é que eu sinto quando estou com o Niall?
Arrepios da cabeça aos pés, correntes elétricas a atravessarem o meu corpo. Sinto-me bem, sinto-me segura, feliz, a rapariga mais feliz do mundo. Sinto-me completamente rendida a si e aos seus olhos azuis, sinto uma enorme vontade de olhar para os seus lábios e pensar no quão deliciosos poderão ser, sinto até vontade de os provar. Eu não me canso de olhar para ele, não me canso de estar com ele, porque sei que estar com ele implica estar feliz. E eu quero ser feliz, quero ser feliz com ele a meu lado.
"Eu sinto tanta coisa ao mesmo tempo, pai, sinto tanto que chega a doer." Respondo.
"E há alguma dessas coisas que sentes com mais intensidade?" Pergunta e eu assinto.
Medo
"Medo." Respondo e olho-o.
"Medo? Medo de quê?" Pergunta e eu sinto o meu coração apertar só de pensar na ideia.
"De o perder." Respondo.
"Porquê?" Interroga.
"Porque ele é como uma âncora!" Respondo. "Ele é um pilar na minha vida, eu consigo sentir isso, eu já senti isso." Acrescento, lembrando-me do momento em que inventei uma desculpa para o expulsar de casa e que ele viu que eu estava a mentir.
"Já sentiste isso?" Pergunta.
"Sim, já o senti fugir por entre os meus dedos, foi a pior sensação do mundo. Foi horrível pensar numa possibilidade de ele nunca mais falar comigo e, consequentemente, de ele sair da minha vida assim, num abrir e fechar de olhos. Foi um sentimento muito forte, eu senti que estava a sufocar, senti que estava a enfraquecer à medida que o sentia mais longe. E isso voltou a acontecer depois do-" Calo-me assim que me percebo que ia falar do beijo.
"Do quê, filha?" Pergunta e eu engulo em seco.
"Nada, desculpa estar a chatear-te com isto." Peço.
"Não tens nada de pedir desculpa, Caroline, eu sou teu pai e estou aqui para tudo aquilo que tu precisares, querida." Assegura e eu olho-o com um sorriso, abraçando-o.
"Obrigada, pai." Agradeço e ele acaricia os meus cabelos.
"De nada, Caroella." Brinca e eu dou uma leve gargalhada ao ouvir a alcunha que o meu pai criou para mim.
Olá!!!!!! Espero que tenham gostado!!
Beijinhos
Xx
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Spirits |N.H|
FanfictionCaroline é uma rapariga de dezanove anos que se muda para uma casa nova no campo com os pais e com os irmãos. "Mãe, temos mesmo de ir?" A sua vida muda, ela deixa tudo para viver com a sua família naquele campo. "Eu só estou aqui por vocês." E é nes...
