04 - Wolf dressed as lamb

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Olhei em seus olhos, não acreditando no que eu acabara de ouvir. Tudo estava uma confusão. O caso não era tão simples quanto me parecia ser. Além do mais, não era com um suspeito que os policiais estavam lidando, mas sim, com um lobo vestido de cordeiro.

Fiquei em choque nos primeiros segundos. Não consegui dizer nem A e nem B. E isso não foi por saber que Sra. Kim usava uma máscara, mas por minhas suspeitas estarem certas e... talvez por eu ser a próxima vítima.

Tensa, inesperadamente me virei para a saída do quarto, mas Yugyeom me impede segurando em meu braço.

― Você não faz a mínima ideia do que está acontecendo, Park Hana. ― Repreendeu-me.

Sem saber o que fazer, como agir ou ao menos saber o que dizer, eu apertei os meus olhos e tentei soltar a sua mão de meu braço.

― Antes que vá... ― Retira do bolso um papel, no qual no verso havia vários números. ― Leve isso. ― Entrega-me.― Talvez te dê as respostas que tanto quer.

Quase hesito em pegá-lo, mas logo tomo a decisão e me solto de Yugyeom, indo apressadamente para a saída do quarto.

Quando me falavam que o caso de Kim Yugyeom era perigoso, eu acreditava que era porque todos o temiam. Mas... agora tenho certeza de que não só eu estava errada durante todo esse tempo, mas todos que se deixaram levar por essas palavras. A verdadeira vítima, esse tempo todo, sempre fora Kim Yugyeom.

Acabo por me chocar contra o corpo de alguém assim que adentro ao corredor.

― Você está aí.

Direcionei o meu olhar até a face da pessoa, a reconhecendo logo em seguida. Era Mark.

― Eu estava te procurando há um tempão. ― Disse. ― Onde estava?

Se ele soubesse o que eu descobri... talvez ele enlouquecesse. Saio de seus braços.

― Eu andei analisando os registros dos policiais que sumiram. E pelo o que eu descobri... ― Retirou um pedaço de papel do bolso. ― Todos sumiram logo após de frequentarem a antiga casa do Sr. Kim em... Namyangju. ― Olhou apreensivo para o papel. ― Isso é um pouco estranho, já que... a casa foi vendida logo após Sr. Kim se mudar com a nova esposa e o filho para Seul. ― Guarda o papel. ― Isso está um pouco confuso, não? Se a casa já não fazia mais parte da família Kim... por que os policiais que estavam perto de concluírem o caso foram até lá? E o mais curioso é que... quase todos fizeram o mesmo trajeto. Como se fosse uma sequência.

Uma sequência. Deslizo o meu olhar até minhas mãos, onde o papel que Yugyeom me entregara estava. O desamassei e analisei os diversos números. 9.13-10.1.5.2.5.15.13.

― O que tem aí? ― Mark apontou para o papel em minhas mãos.

― O que mais você descobriu? ― Permaneci com o meu olhar voltado para o papel.

― Além do que eu falei... ― Negou com a cabeça.

― Sra. Kim é a culpada. ― Respondi sem hesitar.

― O que? ― Olhou-me surpreso. ― Como...? ― Pressionando ligeiramente o seu lábio inferior, logo ele segura em meu braço. ― Temos que conversar em outro lugar. ― Diz ele, começando por puxar-me a caminho da saída do corredor e logo depois do hospital.

(...)

― Como descobriu?

Perguntou assim que entramos no estacionamento do local.

― Por acaso, eu ouvi uma conversa da Sra. Kim com Yugyeom. Eu não sei se você, ou os outros policiais, perceberam, mas Yugyeom possui marcas de ferimentos em seus pulsos. E não são quaisquer marcas. São marcas feitas à força. Pode-se perceber pelas linhas rápidas e suaves, feitas apenas para amedrontar a vítima. E se fossem feitas por Yugyeom, ele as faria para se matar. ― Fecho meus olhos, suspirando. ― Ela o ameaça. E quando ele faz algo que a desagrada... ela se vinga.

Mark suspirou. Ele parecia tenso.

― Eu sabia que você iria acabar descobrindo. ― Passa as mãos por seus cabelos. ― Por que você tinha que ser tão curiosa, huh? ― Me olhou incrédulo.

O olhei desentendida. A sua reação estava totalmente em desacordo.

― Você sabe o que acontece quando alguém descobre a verdade, não é? ― Apertou os olhos. ― Eu fiz de tudo para que ninguém, além de mim, soubesse disso.

― O que? ― O olhei surpresa. ― Você sabia disso desde o começo? Por que não contou? Mark. Por que não contou?

― Você queria que eu colocasse a vida de todos em risco? ― Suspirou. ― Você não entende. Não é apenas Mi-Cha que sabe como brincar de gato e rato. Há mais pessoas envolvidas nisso. Por toda a parte. E dessa forma... fica complicado saber em quem realmente devemos confiar.

― Meu pai sabe disso?

― Quando falei que era fácil conquistar a amizade de policiais com café e rosquinha... eu não estava brincando. ― Me olha. ― Ela está conquistando a todos com os seus falsos paparicos. E a única forma de conseguir prendê-la é...

Mark é interrompido pela chegada do Policial Wang.

― Oh. Tuan. Finalmente te encontrei. ― Sorriu. ― Srta. Park. ― Me cumprimentou. ― O delegado está precisando de você na delegacia. ― Olhou para Mark.

― Eu já estou indo. ― Disse ele e se virou para mim. ― Esse é o motivo do meu medo em você se aprofundar nesse caso. Eu não quero a perder. ― Disse. ― Você pode já não sentir mais nada por mim, Park Hana. Nosso romance adolescente pode ter acabado, mas... eu ainda a amo. E não quero que nada de ruim aconteça com você. ― Espremeu os seus lábios em um pequeno sorriso. ― Dirija com cuidado. ― Disse e em seguida seguiu caminho junto a Jackson.

Overcast || Kim YugyeomOnde histórias criam vida. Descubra agora