Fitei o teto do meu quarto. As palavras que Mark havia me dito, definitivamente haviam me deixado pensativa.
Eu havia sido egoísta ao pensar que ele apenas se preocupava consigo mesmo e que os outros eram apenas situações descartáveis para si?
Mark tinha os seus motivos, mas eu os ignorei. Ele falava de sua forma, mas eu não procurava entender. Foi preciso alguém de fora, odiada até, fazer-me compreender os receios dele. Eu não estava me sentindo bem por ter o culpado, sendo que eu apenas deveria, no mínimo, ter tido um pouco mais de paciência.
Peguei o meu celular sobre o criado-mudo, prestes a ligar para ele. Eu precisava esclarecer algumas coisas. Precisávamos conversar de verdade, depois de alguns anos.
Após alguns segundos, ele atende.
― Park Hana?
― Você está ocupado?
― Não. Eu estou na delegacia, quase indo para casa. Por que?
― Poderíamos sair um pouco para conversarmos?
― Sim. ― Concordou. ― Eu passo aí. Ah! E... sobre o caso de Kim Yugyeom... eu contei para o seu pai o que conversamos hoje. Mas, eu te deixei de fora disso e assumi a responsabilidade sozinho. Sei que o seu pai ficaria furioso se descobrisse que você continua insistindo no caso.
― Obrigada por... se preocupar comigo.
― Não há de quê. Bem... eu preciso desligar. Jackson irá me dar uma carona até em casa. E quando eu chegar, eu te envio uma mensagem e marcamos um lugar para irmos, está bem?
Concordei e em seguida encerramos a ligação. Me levantei da cama e segui caminho até o banheiro, pronta a começar a me ajeitar para sair.
(...)
Ao voltar para o quarto, notei a tela do meu celular acender-se algumas vezes, o que ela sempre fazia para mostrar que eu tinha notificações não vistas. Me aproximei e o peguei em mãos. Haviam treze ligações de Mark. Olhei apreensiva para tela. Por que ele havia me ligado tantas vezes assim? Retornei as ligações, mas o mesmo não as atendia. E depois de um curto tempo, chegara uma mensagem em meu celular.
Park Hana, não poderemos sair hoje. Surgiu alguns compromissos de última hora. Lamento.
Li a mensagem de texto e o pensamento de que havia surgido algo grave na delegacia, veio em minha cabeça. Eu deveria me preocupar ou deveria apenas encarar aquilo como parte do trabalho de um policial? Respondi a mensagem, dizendo para que ele não se preocupasse e se cuidasse, pois a sua vida era importante.
Escutei um barulho na entrada da casa, meu pai acabara de chegar.
― Sim... ok. Mandarei alguns dos meus garotos observar Kim Yugyeom esse fim de semana.
Saí do quarto e me encontrei com ele na sala.
― Certo. Irei desligar. ― Sua atenção se direcionou para mim. ― Já comeu?
― Não. ― Neguei com a cabeça.
― Eu trouxe comida. Bibimbap e Ttteokbokki, o seu preferido.
Ele caminhava até a cozinha, colocando as sacolas de comida sobre o balcão.
― Pai... ― Suspiro.
― Há quanto tempo você não usa esse termo... ― Riu baixinho.
Era de costuma eu chamá-lo apenas por seu nome, pois eu não possuía tanta afinidade com ele.
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Overcast || Kim Yugyeom
AcakO caso de Kim Yugyeom a fascinava. Mas ela havia ido mais a fundo do que devia.
