― Mommy! Podemos ir ao Starbucks depois?
― Claro. Quando o seu pai voltar de... Seja lá onde ele está.
― Mommy... Por que você não foi morar com o papai na Coreia? Nossos descendentes estão lá, não estão?
― Há duas gerações o sangue americano corre por nossas veias. Eu nasci em Nova York. Cresci lá. E... Praticamente construí a minha vida. Jaebum foi uma distração que... Ao menos teve um bom resultado ― Sorriu e acariciou o meu cabelo.
―... O papai te faz infeliz?
Um suspiro escapou por seus lábios, mas logo negou com a cabeça.
― O seu pai não é muito presente para eu tirar essa conclusão, mas... O que importa é nós duas, certo? Estamos juntas agora e é isso que importa ― Abraçou a minha cintura.
Concordei com a cabeça e também a abracei.
― Eu não me sinto mais tão íntima de Jaebum... E ele também não ajuda tanto. Sempre vive me chamando de Park Hana. Eu sou uma desconhecida para ele? E por que ele vive me chamando pela forma coreana? Por que Park Hana e não Hana Park? Mommy! Isso é irritante! ― Grunho.
Minha mãe riu.
― É costume, Hana. Seu pai passa pouco tempo conosco. Ele vive para o trabalho dele, em outro país. Temos culturas diferentes.
― Mas isso não é uma boa justificativa para tal coisa... ― Murmuro.
― Argh. Hana. Vamos aproveitar! Em Chicago é maravilhoso!
― Onde está o tio Joey? Ele disse que ia comprar sorvete para mim.
― Eu não sei. Ele ainda deve estar no hotel. ― Deu de ombros.
― Quanto tempo temos que esperar nesse banco? Estou ficando entediada.
― Só mais um pouco...
― Rebecca!
Notei meu pai se aproximar.
― Finalmente, Jaebum! Pensei que teríamos que ficar sentadas nesse banco o resto da noite ― Disse minha mãe ― O que aconteceu? ― Se aproximou dele ao vê-lo quase sem reação.
― O seu chefe.
― Meu chefe? Joey? O que tem ele?
Levantei do banco e me aproximei lentamente deles, tentando entender o que estava acontecendo.
― Eu entrei no quarto do hotel há uns minutos atrás e... Encontrei ele no chão... Quase morto. A polícia de Chicago foi chamada e...
― E o que? O que aconteceu Jaebum? Como assim Joey foi encontrado quase morto? Quem fez isso?
― Eu lamento...
― Jaebum!
― Suspeitam de você.
― O que? Eu? Eu... Eu...
De repente um tumulto se fechou na rua.
― Mommy? Mommy! O que está acontecendo? ― Olhei aflita para todos aqueles homens fardados que se aproximavam dela.
― Não! Não pode ser eu! Eu não fiz nada!
― Senhorita Rebecca Park, esse objeto é seu?
Um dos policiais mostraram-na uma pulseira de esmeraldas.
― S-Sim.
― Por favor, nos acompanhe.
― Vocês... Acham que eu tentei matar o meu próprio chefe? ― Os olhou incrédula.
― Sabemos que o homem não era uma boa companhia. Um ótimo motivo para a senhorita ter cometido esse ato.
― Não! Eu não fiz isso!
― Pai! O que está acontecendo? Por que estão prendendo a mamãe? ― Abracei Jaebum ― Estou com medo.
― Fique calma. Eu estou aqui ― Retribuiu o meu abraço.
― Jaebum... Não... Como...
Minha mãe parecia decepcionada e ao mesmo tempo incrédula.
― Dessa vez eu cuidarei de Park Hana, Rebecca ― Murmurou Jaebum.
(...)
E ainda hoje ela permanece na prisão de Chicago...
Nunca consegui entender como aquilo tudo aconteceu. Eu estive com minha mãe em todos os momentos e agir de forma agressiva nunca foi o forte dela.
Ela amava o seu trabalho. Sr. Kim tinha uma empresa instalada em Nova York e o cargo dela era um dos melhores lá. Minha mãe era como se fosse o braço direito dele. Como Joey não podia tomar conta da empresa e do seu trabalho como policial, ele deixava a empresa nas mãos de minha mãe.
Eu não sei exatamente o que eles faziam lá, mas tinha um lucro muito alto.
Após o ocorrido, Sr. Kim foi levado de volta para Seul no mesmo dia. A esposa insistiu que o trouxessem de volta ao país dele, então o mesmo teve que viajar em um jatinho particular com auxílio médico e com todos os equipamentos que fossem necessários para mantê-lo vivo até a Coreia.
Achei absurdo tamanha insistência. Haviam hospitais de primeiro mundo em Chicago e principalmente por aquela região. Não havia necessidade de enviá-lo de volta ao país de origem, mesmo que a sua ida aparentasse ser completamente segura.
Porque no final das contas, Sr. Kim foi morto no mesmo dia em que se instalou no hospital de Seul.
Ou seja, alguém armou para minha mãe, mas não sei quem foi ou o motivo dessa pessoa.
Sentei no sofá e liguei a televisão. Procurei algum canal para assistir. O meu tédio estava grande. Não tinha ninguém para conversar ou alguma coisa para fazer. Parecia quase prisão domiciliar, porém, não era exatamente. Até porque Jaebum teria passado dos limites, já que bastava o fato de ele me mandar sair do país.
Ao menos eu tinha um canal de filmes e várias horas livres.
― Você tem certeza?
― Esta é a nossa única prova!
― São apenas números, Scott! Números! Já tentei usar como senha em todos os dispositivos da cena do crime, mas não serviu!
― E se não forem números para desbloquear nada disso? E se for um código?
― Código?
Respirei fundo e deslizei o meu olhar para a tela do meu celular, continuando entediada. Mal estava prestando atenção naquele filme, até porque a realidade era bem diferente dos filmes de ação e policial.
― E se relacionarmos os números com as letras do alfabeto?
― Isso é loucura, Scott.
― Ao menos vamos testar. É a nossa última opção, Barbara! ― Disse o personagem do filme ― 1, A, 14, N, 14, N, 1, A...
Rapidamente puxei a minha atenção de volta para o filme. Aquilo me recordava ligeiramente algo.
―... 1, A, 11, K, 5, E, 18, R...
― Anna Baker?
A personagem do filme parecia surpresa e aflita ao descobrir a resposta dos números.
E logo em seguida havia sido eu quem tinha ficado daquela forma, pois lembrei de certa coisa semelhante. O papelzinho com números que Yugyeom havia me entregado. Seria possível? Deveria ser feito com aqueles números o mesmo que aqueles personagens haviam feito?
― 9.13-10.1.5.2.5.15.13...
Sussurrei ao lembrar, após ter conseguido memorizar a sequência.
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Overcast || Kim Yugyeom
DiversosO caso de Kim Yugyeom a fascinava. Mas ela havia ido mais a fundo do que devia.
