Capítulo Dois

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— Vossa Majestade. - Andrew fez uma reverência elegante, assim que entrou no recinto do Rei.

— Precisamos conversar, Andrew. - O rei olhava pela janela, observando os grandes muros do palácio, imaginando por trás deles a feira em que esteve.

Andrew meio receoso, se aproximou de sua Majestade. Já era tarde da noite, e os dois estavam no grande quarto real, o único lugar em que poderiam conversar com menos restrições.

— Em que posso lhe ajudar, meu velho amigo?

Scarborough Fair. - Henry respondeu simplesmente e Andrew cerrou o cenho, não entendendo o que ele queria dizer com aquilo. — Havia uma plebéia em Scarborough, Camille é o nome dela. A camponesa que um dia foi o meu grande amor.

— Conte-me mais.

— Antes de me tornar Rei, vivia um romance com esta plebéia. Foi com ela que eu descobri o que é o amor.

— E porque este romance acabou? - Andrew podia ver nos olhos de seu amigo, o quanto este passado lhe incomodava.

— Ou eu a escolhia, ou escolhia o povo.

O conselheiro real percebeu a angústia no tom de voz de Henry. Entendeu que aquilo não tinha sido uma escolha fácil.

— Quero que me ajude a ter o amor da camponesa de volta. - Henry foi direto ao ponto principal da conversa.

— P-perdão? - Andrew arregalou os seus olhos perante aquele revelação. Aquela idéia era uma loucura.

— Ela está trabalhando em Scarborough Fair, não posso sempre ir até lá... Mas você pode. - Henry sentia seu peito bater em excitação ao cogitar a idéia de poder reviver aquela época.

— Majestade, o senhor está casado, tem que se dedicar a ter herdeiros para o trono. Não pode largar tudo por causa de um amor jovial. - Andrew se sentia péssimo por falar isso, mas ele estava o lembrando do certo.

— Eu tive que fazer essa escolha uma vez, e perdi a oportunidade de ser feliz com Camille. O destino está me dando de novo esta chance, eu tenho que aproveita-la.

— Ela é uma plebéia, senhor.

— E eu sou o Rei! Se quiser possa faze-la de minha concubina ou até mesmo uma princesa, se eu conseguir uma história decente. Mas eu só quero ela do meu lado novamente. - Henry transmitia sua angústia em tudo em que falava, precisava da ajuda da seu amigo.

— E se ela já tiver um marido?

— Provavelmente não tem. Eu lhe tirei esse direito. - Seu tom de voz soava constrangida. — Ela já me pertence.

Andrew se espantou mais uma vez. A moça não era mais pura, por isso não havia se casado.

— Então, assim seja meu Rei. Se está tão decidido, irei lhe ajudar. - Andrew fez uma leve reverência só para demonstrar respeito à vontade de seu amigo.

— Obrigada. - Nunca iríamos ver um Rei agradecendo à um servo, mas ali naquele quarto, só estavam Henry e Andrew dois melhores amigos. — Preciso que volte a feira amanhã.

— Como desejar.

[...]

— Você está tão distraída... - Camille se assustou com a voz de sua mãe. Estava sentada na Beira de uma janela enquanto bordava um pano, admirando a paisagem e lembrando do encontro de mais cedo. — Está tudo bem?

— Estou sim. - Respondeu simplesmente tentando esconder seus sentimentos. Ela estava com os sentimentos de angústia, à flor da pele.

— Te conheço muito bem para saber que algo te aflige.

— É por causa dele, mamãe. - Respondeu entre linhas novamente.

— Você o viu hoje? - A sua mãe se espantou e o instinto materno se aflorou.

A mãe de Camille sabia o que havia acontecido. Sabia que a sua filha já amou ao ponto de se entregar. Porém, o ser repugnante não pediu a sua mão, pelo ao contrário, a abandonou. O único detalhe que Camille ocultou, foi que o "ser repugnante" é a sua Majestade real.

— Sim, mamãe. - A mais nova soltou um suspiro longo e pesado. — Meu coração doeu, só de vê-lo.

— Você ainda o ama? - A senhora perguntou preocupada.

Não. - Ela respondeu convicta. — O amor já se foi a muito tempo, me recuso a sentir algo de novo por ele.

— Então esteja preparada, ele virá atrás de você, minha filha.

— Eu já estou há muito tempo.

Scarborough FairHistórias para pegar e não largar. Descubra agora