Capítulo Doze

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Depois que visitou a senhora da feira, Andrew passou a maior parte de seu tempo dentro de seu quarto. Saía apenas para comer um pouco, ou quando Henry o obrigava a aparecer na sala do trono para alguma reunião.

Em um dia, o Rei pediu para que Andrew fosse até Scarborough Fair atrás de Camille. Saiu do castelo bufando, tinha outras coisas para resolver e agora era obrigado a largar tudo por causa de um romance péssimo. Ele chegava a revirar os olhos, só de pensar.

Viu Camille ao longe e se aproximou falando tudo de uma vez, e assustando a camponesa.

— O Rei deseja te ver no Celeiro novamente, tenha um bom dia. — Camille olhou chocada para o conselheiro que já começava a dar as costas para ela.

— Mas que mau humor é esse? — Camille segurou no braço de Andrew que apenas suspirou cansado.

— Estou apenas comprindo o meu dever, Camille. — Ele levou uma das mãos ao pescoço tentando aliviar a tensão local.

— Tudo bem. — Ela o olhou preocupada. — Se cuide, Vossa Graça.

E ele foi embora. Estava obcecado pelas ervas da poção, e nem ao menos sabia o porquê. Sentia muito por não ter sido amistoso com Camille, mas ultimamente, ele realmente não sentia bem em pensar na camponesa indo se encontrar com o Rei.

[...]

Naquela mesma noite, Camille se encontrou com Henry. Os dois conversaram de maneira amistosa, e como prometido, o Rei manteve suas mãos longe da Camponesa. No final do encontro, prometeram que se encontrariam no dia seguinte. Os dois estavam criando uma amizade novamente.

Enquanto Camille e Henry se encontravam dia após dia, fortalecendo o relacionamento estranho que tinham, Andrew se isolou um pouco das pessoas, queria terminar seus estudos logo para começar a poção. Ele ainda não sabia o que faria com ela, mas sabia que não seria ele a usá-la.

Em um desses encontros de Camille e do Rei, a camponesa deixou escapar um suspiro incomodado, o que não passou despercebido por Henry.

— Está tudo bem?

— Sim. — Ela respondeu dando um sorriso tímido. — Estou com saudades de um amigo.

Sim, ela se referia a Andrew. Apesar dos dois se tratarem de forma sarcástica nos momentos em que se viam, eles haviam construído uma relação boa. E por algum motivo, ele havia sumido, deixando Camilla incomodada com isso.

A última vez em que o viu, Andrew estava conversando com uma idosa na feira. Ele não viu Camille - ou fingiu que não viu -, mas a camponesa queria um dia poder conversar com ele novamente.

— Um amigo? — Henry perguntou um pouco curioso.

— Digamos que, eu e seu Conselheiro Real criamos uma amizade, mas nunca mais nos vimos. — Ela sorriu e deu de ombros.

— Andrew é uma boa pessoa mesmo. — Henry balançou a cabeça distraído. — Mas não sabia que tinham criado uma relação.

— Com tantas vezes que ele veio atrás de mim à seu mando, tentando me persuadir a ir encontrar com você, acabei me apegando à ele.

— Aposto que ele foi alvo de certos desaforos. — Henry brincou.

— Ah! Com certeza! Senti pena dele, em alguns momentos. — Camille riu o que contagiou o Rei.

Depois de um tempo os dois ficaram em silêncio confortável. Henry a observava com admiração, enquanto a camponesa se distraía com um fio de feno em suas mãos, até que percebeu o olhar dele.

— Algum problema? — Ela perguntou um pouco corada.

— Nenhum. — Henry respondeu. — A não ser que sua beleza seja um problema. É difícil não olhar.

— Henry, por favor... — Ela não continuou por estar envergonhada.

— Eu ainda mexo com você, da mesma forma que tu mexes comigo? — Henry se aproximou pegando delicadamente no rosto de Camille, para que ela olhasse em seus olhos.

Ela não respondeu, sua resposta nada convincente a entregaria. Porém ela não precisaria falar, seus olhos já falavam por si só. Camille queria socar seu coração, aquele traidor...

Henry sorriu enquanto deslizava seus dedos pelo rosto de Camille delicadamente, mas não se aproximou para beija-la, tinha uma promessa.

— Você me fez prometer que não a agarraria mais, peço que colabore Camille. — Ele riu, fazendo a camponesa sorrir.

— É melhor não me beijar mesmo, pois creio que Vossa Majestade não gostaria de se lembrar de minha raiva, no qual recebeste no dia do riacho.

Ele se afastou, mesmo que não quisesse, e Camille sentiu seu corpo esfriar no mesmo instante. Assim percebeu, que queria aquele beijo.

Se aproximou de Henry o puxando pelas vestes e fez com que seus lábios se encontrassem. O Rei ficou assustado de início, mas logo estava retribuindo de bom agrado. Foi um beijo calmo que acabou rápido demais para Henry. Camille tinha um sorriso travesso no rosto, assim que deu passos para trás se afastando dele.

— Pensei que eu não podia beija-la. — Ele não sabia se ria de tão surpreso que estava.

— Você não pode me beijar, mas eu posso beija-lo se quiser. Não fiz promessa a ninguém. — Camille deu de ombros.

Henry a observou, enquanto mordia os lábios pensativo.

— Então, preciso encontrar possíveis jeitos de você me beijar de modo espontâneo. — Ele disse por fim, fazendo Camille rir.

— Exato, Majestade. — Ela concordou com um sorriso divertido. — Aqui, quem faz os acordos, sou eu.

[...]

Henry faltava flutuar conforme andava pelos corredores do Palácio. Adorava ser surpreendido por coisas boas, e Camille, era a surpresa em pessoa.

Seus pensamentos foram interrompidos, assim que avistou uma criada correndo em seu encontro de forma desesperada.

— Majestade! — Ela chorava e tremia, a jovem não aparentava ter mais de dezoito anos.

— Ei! Acalme-se, e me conte o que houve. — Henry ficou preocupado, o que poderia ter acontecido agora?

— É a rainha! — Ela tentou controlar as lágrimas. — Ela está desmaiada em seus aposentos!

Scarborough FairHistórias para pegar e não largar. Descubra agora